13. | Foedus

2.2K 156 92
                                        

Eu estou exaustoporra, eu preciso descansarmas como eu posso escapar de você se você estiver na minha cabeçaestou ouvindo ruídos, que porra éesse somferrar com meu fígado vai manterminhas emoções longe

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Eu estou exausto
porra, eu preciso descansar
mas como eu posso escapar de você se você estiver na minha cabeça
estou ouvindo ruídos, que porra é
esse som
ferrar com meu fígado vai manter
minhas emoções longe.

— Uncomfortable – Chase Atlantic

————

Os raios de sol que atravessam as cortinas longas refletem a luz em meus olhos, acordando-me de uma vez com um clarão branco.

Pisco algumas vezes para dissipar o sono, resmungando logo após a dor de cabeça incômoda atingir minhas têmporas com força. Acho que nunca serei imune à ressaca do dia seguinte.

Meus ossos doem como se tivessem sido esfarelados e estilhaçados na noite anterior, e minha visão gira, tonta, apesar de eu ver somente um bloco de concreto cor de creme pairando sobre mim. Olhei tanto para ele que consigo reparar nas pequenas manchas familiares, embora, provavelmente, mais ninguém o faria.

Algo frio e úmido toca em meu pé, o que me faz pular para trás em um susto, suspirando ao ver o que era... ou quem era.

Sento-me de pernas cruzadas no colchão macio, batendo na minha coxa.

O peso de Dionísio afunda o colchão quando ele pula sobre mim como um furacão, agitado logo de manhã.
Dionísio é um Doberman preto. Comprei-o e Hades – seu irmão, da mesma raça e cor de pelagem – assim que me formei no colégio e comprei um apartamento afastado do centro. São minhas únicas companhias quando não estou fora de casa.

Uma lambida surge na minha bochecha, arrancando um riso contido dos meus lábios, mesmo que eu o afaste rapidamente para evitar que repita o gesto.

Acho que minha risada chamou a atenção de Hades, que ergueu a cabeça para me observar, levantando-se da cama e subindo nela também, me presenteando com a mesma recepção que Dionísio.

Os cachorros parecem mudar de humor rapidamente, pulando e parando bruscamente à minha frente, me encarando. O latido feroz de Hades ecoa pelo quarto e eu já consigo imaginar o que ele está pedindo.

Levanto-me em um murmúrio, pisando no chão frio, caminhando até a cozinha, aliviada ao vê-la organizada seguindo um padrão que eu havia estabelecido diariamente.

Abro o armário preto de baixo, retirando o pacote de ração, pesado como um saco de cimento. Despejo a quantidade exata de comida nas duas tigelas de metal e mal tenho tempo de me levantar antes que ambos se atirem às vasilhas. Quem olhasse, pensaria que estão sem comer há três dias.

Death Crow Onde histórias criam vida. Descubra agora