14. | Evigilo

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Parece que estive adormecidapor mil anosPude enfim abrir os olhos para tudoSem consciência, sem voz,sem alma

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Parece que estive adormecida
por mil anos
Pude enfim abrir os olhos para tudo
Sem consciência, sem voz,
sem alma.

— Evanescence – Bring me to life

————

Soltei alguns xingamentos murmurados, arfando quando o café queimou minha língua. Me reclinei na cadeira da cozinha, suspirando ao perceber que eu parecia tão enrijecida quanto uma rocha.

E, apesar de eu insistir em mim mesma desfadigar para evitar preocupação alheia, não conseguia, porque todo o fardo que estava posto em meus ombros se recusava a ficar leve por nem mesmo um segundo.

Hoje de manhã, acordei com Amaya apavorada ao redor da minha cama, me chacoalhando com os olhos castanhos arregalados, gritando comigo. Melhor, gritando por mim.

Meu pesadelos voltaram.

Certamente eu tinha esses sonhos há muito tempo atrás, mas deixou de me atormentar, só não pensei que retornariam.

Não sabia que ela estava ali, não até abrir meus olhos, pelo menos. Perguntei como entrou no meu apartamento sem minha permissão e sem chaves. Bom, descobri que Blake – que frequentemente me acompanhava até em casa – a trouxe depois que me conduziu até minha cama apropriadamente mais fofa que o normal, e se retirou, justificando que voltaria para um dos restaurantes da cidade para se encontrar com uma garota.

Ainda não descobri o motivo dele se justificar toda vez que saía da minha casa após me dar carona, normalmente porque quando estou embriagada. Nunca exigi nenhuma explicação. Na verdade, considerava até mais confortável ficar sozinha.

Enfim, Amaya pediu para ele levá-la até mim, preocupada por meu comportamento após... aquilo tudo. Aparentemente, eu teria entrado em algum tipo de choque, já que, com suas palavras, não teria movido um músculo durante o caminho e nem mesmo participei do diálogo entre eles.

Afinal, deu certo, conclui porque ela estava aqui. Na minha frente, com os olhos erguidos para mim, eles brilhavam em alguma coisa que não consegui identificar claramente.

Preocupação, ou talvez confusão, mas também curiosidade. Tudo bem, era um misto de coisas.

Suas sobrancelhas estavam erguidas e sua boca estava contraída para baixo. Lá vamos nós.

  — Você está bem? – Amaya perguntou com sua voz meiga de sempre.

Assenti.

  — Sim, o café estava só um pouco mais quente do esperado.

Ela inclinou a cabeça suavemente para o lado, deixando alguns cachos caírem, emoldurando seu rosto em perfeita harmonia. Se eu pudesse sentir algo agora, seria inveja. Mesmo com suas olheiras mais fundas nesta manhã, ainda conseguia ser deslumbrante.

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