15. | Renovatio

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Tenho uma faca na manga e o coração na mão

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Tenho uma faca na manga e o coração na mão

E mudo como as estações, discuto por nada

Eu sou perturbada, fui corrompida

E a essa altura, não preciso de apresentações

Eu me fui

Lilith – (Diablo IV Anthem) Halsey

————

Os nós dos meus dedos latejam em uma dor aguda, fraquejando meus punhos momentaneamente antes de me forçar a mantê-los armados.

As faixas em volta das minhas mãos não são o suficiente, a cor intensa do meu sangue pinta o branco limpo, atravessando as camadas de bandagem.

Desfiro um soco lateral no rosto do homem que tentou chutar meu estômago alguns segundos atrás. Ele cambaleia para trás, grunhindo, mas um sorriso se alarga em seus lábios.

Não é o suficiente?

Em contra-ataque, o cara encena um golpe falso em meu rosto, para que a abertura que dei para me proteger seja suficiente para ele acertar sua perna na lateral do meu corpo. Mordi minha língua para interromper um gemido de dor.

Doeu como um bastão de ferro sendo jogado contra mim, afiado tal qual agulhas pinicando e fumando minha pele.

Foi aí que entendi seu estilo de luta.

Conheci Kaito Sage hoje, no entanto, seu combate era comum entre homens, o que é um erro para eles já que é facilmente detectado. Caso ambos lutarem, têm o mesmo estilo, bom, alguém pode tentar outro.

Seus braços eram fortes, e ele usa isso ao seu favor, favorecendo a força ao invés da estratégia.

Na casa Price, cresci ouvindo que meus braços não eram fortes o suficiente, então eu teria que usar mais o meu tronco e minha mente. Entretanto, se a luta for longa, uma hora não te resta mais nada, o cansaço corporal e mental gritam mais alto.

Antes de entrar no ringue, fui apresentada a Kaito, fora uma introdução rápida, sem muita conversa fiada. De início, suponho que ele tenha facilitado para mim, e eu posso culpá-lo? Talvez tenha sido instintivamente por eu ser mulher. Logo isso acabou quando ele percebeu que não estava para brincadeira, finalmente caindo na real.

Kai...

Era o apelido dele, disse que eu poderia o chamar assim, o qual é mais habitual e comum para ele do que o próprio nome.

Faz quatro dias que cheguei na capital, e porra, eu não lembrava de ser tão bonita.

E eu odiava aquilo.

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