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A sala de armas estava mergulhada em uma penumbra densa, iluminada apenas pela luz fraca de uma lâmpada antiga pendurada no teto. O cheiro metálico das lâminas, misturado ao couro dos estojos e ao perfume amadeirado das estacas velhas, criava uma atmosfera sufocante. Jake estava se sentindo sufocado.

- O que vai fazer, Eric?

- O que você acha?

Jake cerrou os dentes.

- Fala logo.

Eric deu de ombros. Ele caminhou até uma estante e puxou um dossiê grosso, jogando-o sobre a mesa com um estalo seco. As iniciais "J.P." em vermelho carmesim saltaram à vista.

- Jay Park - disse Eric, batendo levemente os dedos sobre a capa. - Você sabe quem ele é, Jake?

Jake congelou.

- O quê...?

- Você tá saindo com um médico que vive cercado de monstros e ainda não percebeu? Jay Park, um sangue-puro. Um dos últimos.

Jake sentiu o ar faltar. O silêncio entre os dois se estendeu por segundos que pareceram eternos.

- Você tá mentindo...

Eric sorriu.

- Queria estar. Mas não tô. E não é só isso. Ele não anda sozinho.

Jake se aproximou do dossiê e começou a folheá-lo. Fotos borradas, registros de movimentações suspeitas, anotações em vermelho, datas, coordenadas. Um nome chamou sua atenção: Jungwon. Abaixo, uma observação em letra apressada: Possível vínculo afetivo. Humano. Em observação.

- Vocês estão monitorando eles... - Jake murmurou.

- Monitorando é pouco. Estamos nos preparando. O Conselho quer respostas. E se você continuar se fazendo de cego por causa do seu 'romance', vai acabar comprometendo tudo. Inclusive o Heeseung.

O nome de Heeseung ecoou como um soco no estômago.

- Não ouse tocá-lo.

Eric levantou as mãos, zombeteiro.

- Eu? Claro que não. Mas e os outros? Você acha que consegue proteger todo mundo por quanto tempo, Jake?

Jake passou a mão pelos cabelos, andando de um lado para o outro como um animal enjaulado. Seus pensamentos giravam em círculos, a cabeça latejando com informações demais, medo demais. Ele sentia as paredes se fechando, o tempo se esgotando. A ilusão de controle escapando por entre os dedos.

Eric o observava, ainda sorrindo.

- Agora você entende. Isso é ser um Shim.

Jake parou, encarando o irmão.

- Vai pro inferno, Eric.

- Já tô no caminho. Mas antes, espero você lá.

Jake encarava o irmão como se tentasse reconhecê-lo sob as feições que agora lhe pareciam estranhas. Eric tinha aquele sorriso, o mesmo sorriso de sempre, debochado, cruel, mas agora sem qualquer traço da leveza de antes.

- Você mudou. - Jake murmurou, os olhos sem desviar.

- E você tá fingindo que não mudou também? - Eric arqueou uma sobrancelha, girando uma adaga sobre a mesa de madeira envelhecida da sala de armas. - Acha que dá pra ser caçador e médico ao mesmo tempo? Salvar gente de dia e matar monstros à noite?

Jake abriu a boca, mas nenhuma palavra saiu. A verdade era que ele não queria matar ninguém. Não queria carregar o legado de sangue que vinha com seu sobrenome.

Vampire's pursuitHistórias para pegar e não largar. Descubra agora