[18]

283 36 32
                                        

Jake e Jay podiam sentir o ar pesado enquanto fugiam.

— Tem um lugar — disse Jake, com pressa, o olhar percorrendo os rostos tensos dos outros. — Um galpão abandonado, afastado da cidade. Eu costumava ir pra lá quando queria fugir um pouco do caos da minha família. Podemos ir pra lá até decidirmos o que fazer.

Ninguém contestou, porque não havia tempo para discutir. Saíram rapidamente, entrando no carro de Heeseung. O som abafado dos pneus cortando o asfalto parecia o único ruído possível, enquanto a cidade ia ficando para trás.

Jake dirigia, acelerando o máximo que podia sem chamar atenção, e a cada curva os olhos atentos buscavam sinais de que estavam sendo seguidos.

— Tá tudo bem... tudo bem... — murmurou Jungwon, como se tentasse convencer a si mesmo mais do que aos outros.

Depois de quase uma hora, eles finalmente deixaram o carro estacionado numa estrada de terra, escondido entre árvores altas.

— Daqui é a pé — avisou Jake, ajustando a mochila nos ombros.

Correram juntos pelo matagal, desviando dos galhos secos que estalavam sob os pés, enquanto o vento frio da madrugada cortava seus rostos. O céu estava limpo, mas indiferente, não oferecia nem luz nem proteção.

E então o galpão surgiu diante deles: imenso, desolado, uma estrutura metálica que já não via vida há muito tempo. As chapas de aço enferrujadas se contorciam ao redor do prédio; as portas estavam pendendo, quebradas, e os vidros das janelas altas haviam sido todos estilhaçados.

Jake não perdeu tempo. Correu até a entrada e, com um chute seco, arrombou a porta enferrujada.

— Rápido! — gritou ele, lançando um olhar urgente por sobre o ombro.

Todos entraram de uma vez, os passos ecoando no chão de concreto rachado e então, um silêncio ensurdecedor os atingiu. Era possível ouvir o tilintar de uma corrente solta balançando, além do farfalhar de ratos fugindo pelo chão de concreto rachado.

Jay olhou em volta, todos os seus sentidos estava em alerta e ele sentiu que algo estava errado, muito errado.

— Isso... — Heeseung sussurrou — tá estranho demais...

— Eu sei... — respondeu Jay, puxando Jungwon pelo braço para protegê-lo.

Um estalo metálico ecoou pela lateral do galpão, depois outros em sequência, até que uma voz se fez audível.

— Que cena linda.

O som reverberou pelo espaço vazio, vindo de todos os lados, como um sussurro diabólico.

Jay girou o corpo, ficando de frente para onde a sombra se movia entre as vigas.

— Reuniram-se todos... — a voz continuou, cheia de ironia. — Achei que seria mais difícil caçá-los, mas vocês vieram direto pra mim. Esse é um ótimo lugar para se esconder, uma pena que eu já o conhecia.

Dos fundos do galpão, Eric surgiu, calmo e letal, com um sorriso desprezível que Jay conhecia tão bem, e que odiava ainda mais. Ao lado dele, dois outros caçadores que Jay nem se daria ao trabalho de saber quem eram.

— Uma armadilha... — sussurrou Heeseung, os olhos arregalados.

ㅡ Como...? ㅡ Jake parecia incrédulo. Ele rangeu os dentes, tinha uma expressão confusa no rosto. — Esse lugar é completamente fora dos radares da nossa família...

Eric ergueu os braços, teatral.

— Surpresa, irmãozinho!

Jay ficou imóvel. 

Vampire's pursuitHistórias para pegar e não largar. Descubra agora