O caminho

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Sakura não se recordava como havia conseguido se deslocar por uma distância tão grande, suas pernas continham camadas de manchas vermelhas de um sangue já seco, que esporadicamente se misturavam com os novos filetes de cor carmim, seu corpo ainda escorria um suor frio, Sasuke ia na frente segurando em seus braços um pequeno pacote, tal pacote que ressonava em um sono profundo e pacífico. Por uma fração de segundo suas pernas vieram a falhar, fazendo a despencar no chão, o som seco de seu corpo indo de encontro ao chão fez com que o Uchiha se virasse para observá-la, seus olhos estavam opacos e com profundas bolsas arroxeadas ao redor, desviou brevemente o olhar para baixo, capturando a movimentação da respiração da bebê que carregava.

-só mais alguns metros. - ele pediu indo ao seu encontro.
- eu não aguento mais. - sua voz saiu fraca

O moreno fitou o caminho a sua frente, a mata fechada e densa os cercavam, o dia despontava timidamente entre as folhas ao redor, anunciando assim que a caminhada havia sido percorrida madrugada adentro, ainda tenso, ele suspirou a contragosto. Sua mente carregava tantos pensamentos por minuto que ele mal conseguia raciocinar, estavam consideravelmente longe da vila a qual saíram e mais longe ainda de Konoha. 

-vamos procurar alguma nascente para que possa se limpar, assim paramos para descansar. - sugeriu estendendo a mão para ajudá-la a se erguer.

A rosada não lhe balbuciou nada, acenou com a cabeça e agarrou a mão que ele o estenderá, teve certa dificuldade em se manter em pé mas assim que conseguiu, prosseguiu a caminhar, seu corpo estava exausto mas ela seguia infligindo seus limites para acompanhá-lo. Após o ocorrido na noite anterior, o parto inesperado de uma criança considerada desnecessária, e a corrida contra o tempo para saírem da vila antes que algo viesse a acontecer, Sakura já não conseguia mais raciocinar sobre o quão longe ainda estavam de Konoha, mas ainda era capaz de pensar no erro cometido e quais seriam as punições referente aquilo. O pai de Sasuke não era fácil de se lidar, ainda mais com um de seus experimentos dando errado, aquela criança corria risco de ser morta pelo próprio avô e Sakura sabia disso, assim como também sabia que Sasuke não iria intervir nas decisões de seu pai não iria interferir, mesmo que ele tivesse lhe arrancado da cama após dar à luz para tentar salvar a pequena, os viés de Fukagu passavam por cima das escolhas de Sasuke.

Enquanto a cabeça de Sakura a aterrorizava em relação aos ocorridos que ainda viriam acontecer, Sasuke destinava seus pensamentos a como chegar em casa com aquelas duas mulheres vivas. Afinal, Sakura estava debilitada demais e sua bebê era frágil em todos os sentidos, ele seguia ciente que assim que fizessem uma pausa, Sakura seria incapaz de prosseguir viagem de maneira rápida, além do cansaço que estava estampando em seu rosto, seu corpo devia estar em condições de saúde deplorável após o parto, e em relação a sua filha, a imunidade daquele recém nascido era praticamente inexistente, e se a noite anterior havia sido fria e chuvosa, as próximas não seriam diferentes.

°°°

Após mais alguns minutos de caminhada, o casal avistou um pequeno córrego que deságuava em um rio próximo. Sasuke retirou a capa ainda úmida e a depositou no chão junto a sua mochila, abrindo o acessório para retirar outra muda de roupa que havia levado consigo, com as peças espalhadas pelo chão e com uma única mão livre, juntou os panos formando um local suficientemente aconchegante para depositar o bebê. A pequena figura de fios rosados, tinha bochechas coradas e uma face angelical, o que fez Sasuke notar a diferença entre suas feições e a de seus irmãos. Enquanto Sasuke atuava como um pai babão, conhecendo mais de perto o espécime que havia ajudado a trazer ao mundo pela primeira vez, mesmo que já tivesse dois filhos em casa, Sakura se sentou na grama depositando suas costas em um tronco de árvore, encolheu as pernas e fechou os olhos tentando recuperar o fôlego.

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