Foi difícil retomar seus sentidos por completo, o primeiro a se fazer presente foi o olfato, trazendo até si um cheiro de ferro oxidado misturado com terra molhada, espremeu os olhos antes que fosse capaz de abri-los e assim que o fez lentamente, piscando contra a luz esbranquiçada que surgia do próprio céu, Sakura notou que o entardecer estava se tornando presente, pintando todo o espaço acima dela de um tom alaranjado, levou então sua mão acima de seu rosto tentando tapar a claridade que lhe atingia sem pedir permissão. E naquele breve movimento, percebeu um detalhe: havia uma luva em sua mão que deixava os dedos descobertos, além de que seu antebraço estava coberto por uma espécie de braçadeira metálica.
Fechou o punho e o abriu novamente, tentando compreender vagarosamente o que havia acontecido antes que tivesse apagado, mas não era capaz de se lembrar de nada com clareza, apenas alguns relances de momentos onde se recordava de Sasuke ao seu lado e um branco que lhe invadia em seguida. Desceu o braço e levou seus dedos até o rosto, tocando delicadamente a extensão de sua pele, tudo parecia perfeitamente em seu devido lugar mas com pequenos detalhes a mais, o contorno de seu rosto parecia diferente, as maçãs de suas bochechas pareciam mais marcadas, o queixo levemente mais definido, seus lábios ressecados, com certa dificuldade girou seu corpo, se ergueu aos poucos, apoiando-se com esforço em seu braço, naquele instante notou os fios rosados despencar sobre seu ombro e atingir o chão, Sakura franziu o cenho, levou sua mão em direção ao cabelo e escorreu os dedos entre os fios, como se encontrasse uma parte perdida de si - ou nova, os olhos se arregalaram em certa velocidade, levou seu campo de visão para o resto de seu corpo e notou uma diferença absurda em suas vestes, já não havia mais seu vestido de tom avermelhado nem seus acessórios rosados, apenas uma roupa completamente preta.
Essa sou eu?
Aquele pensamento ecoou sem voz, como um sussurro do inconsciente.
Sakura se assustou e jogou-se para trás em êxtase, esbarrando seu braço em seu colega de time que estava desacordado ao lado, virou a cabeça desorientada e com isso recebeu um baque ainda maior. Sasuke estava caído ao seu lado, o rosto ocultado pela posição no qual seu corpo lhe encontrava, seu peito subia e descia devagar, anunciando que ainda estava dormindo, ainda inconsciente, rastejou-se até ele, guiada pelo instinto primitivo que lhe habitava, se aproximou e o observou, as orbes verdes o encaravam como se não soubesse o que esperar, ali estava Sasuke, mas não o mesmo Sasuke.
Os aspectos eram similares, o cabelo continuava tão escuro quanto pudera se recordar mas curtos como jamais havia visto, revelando sua nuca e o contorno de suas orelhas, tinha um rosto mais esculpido agora, com traços moldados não só pelo tempo, mas por experiências que ela não havia testemunhado, sua mandíbula estava mais pronunciada e existia finas linhas expostas em todo seu rosto, havia memórias guardadas naqueles leves vincos, a barba despontava timidamente, como se lutasse para ocupar um lugar em seu rosto. O que mais lhe chamou atenção foi a presença do braço que havia perdido na guerra, ele estava lá igual seu outro membro superior. Sakura enxergava ali não só um Sasuke aparentemente desconhecido, mas também, uma beleza madura e tragicamente melancólica. Observou em seguida seus trajes, era um uniforme tal qual o seu, calças pretas e blusa sem mangas do mesmo tom, não tinha luvas em suas mãos porém a cobertura metálica estava presente em seus braços, notou a bandana da aldeia da folha presa em sua cabeça, não havia risco sobre o símbolo de Konoha. Ela atreveu-se a tocar o acessório, sentiu sua mão tremer enquanto acariciava a placa metálica presa ao tecido preto, surpresa e espantada Sakura estava, insegura ela deslizou sua mão pelo lado oculto do rosto dele, tentando fazer com que sua face estivesse completamente a vista, ao ser capaz de contemplá-lo por completo, o chamou.
- S-Sasuke. - a voz saiu trêmula.
Aos poucos, Sasuke lutava para voltar, sentiu primeiramente o peso do próprio corpo, em seguida o gosto amargo na boca, como ferro. Era capaz de ouvir uma voz suave a chamar seu nome, entretanto, sua cabeça latejava em um ritmo próprio, como se houvesse tambores distantes no interior de seu crânio. Se esforçou para abrir os olhos, não precisou lidar com a claridade em seu máximo pois havia uma sombra impedido a passagem do sol, porém passou tanto tempo no escuro, que era difícil abrir os olhos, quando finalmente conseguiu lidar com a luz incômoda e focou sua visão, viu algo à sua frente.
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Fiksi Penggemar//Conteúdo +18// "O sentimento de se sentir parte de algum lugar, mesmo não estando exatamente em casa." Aquelas palavras proferidas por Sakura nunca fizeram tanto sentido quanto naquele momento. Após um ano afastado das dependências de Konoha, Sasu...
