Olivia cai de joelhos. A dor é física. Como se algo dentro dela tivesse sido arrancado com violência. Ela não consegue respirar. Seus dedos cavando a terra como se pudessem agarrar o tempo e puxá-lo de volta.
Ela olha para os lados. Rocket grita por Groot. Wanda está caída em prantos. Steve está estático, pálido. A poeira ainda dança no ar. Thanos se foi.
— O que foi que a gente fez...? O que foi que eu fiz?
Ela se dobra sobre si mesma, chorando como nunca antes. Sozinha, cercada de poeira. De falhas. De silêncio.
Strange se aproxima. Ele se ajoelha ao lado dela e de Rhodes que a abraçava como forma de consolo
—Você... você disse que a gente venceria... -Ela praticamente rosnou para ele
—Esse... era o único jeito.
—Eles se foram! Meu namorado, meus amigos! e
Eles todos! -Ela disse com raiva —Isso pra você é vencer? Strange?!
— E agora... você vai ter que continuar. Porque tudo depende de quem restou. -Ele disse olhando para sua mão que agora virava pó
—Que merda é essa agora?!-Ela disse com mais lágrimas enquanto Stephen desaparecia
Ele abre um portal atrás dela, uma última chance antes do mesmo virar pó. Tony está do outro lado, caído, ferido. Nebulosa o ajuda a se levantar.
Olivia encara o portal, mas não se move. Ela se vira, olha uma última vez para onde Peter estava.
— Eu vou consertar isso. Nem que seja a última coisa que eu faça.
E entra no portal. Carregando nos ombros o peso do universo.
[...]
Foi burrice.
Olivia voltou para seu pai, é claro. Na sua passagem em Wakanda, a garota viu todos morrer, na última oportunidade que Strange jogou para ela. Ela pegou.
E agora estavam perdidos no espaço.
Mas ela estava com seu pai, vale ressaltar.
A nave flutuava pelo espaço profundo, um ponto minúsculo na imensidão. O silêncio que envolvia Olivia era mais pesado do que qualquer som. Era o tipo de silêncio que vinha após uma grande perda, onde o mundo não parecia real, e os ecos de tudo o que havia sido devastado ecoavam no interior.
Olivia se recusava a dormir. O que se passava no interior de seu corpo era uma tempestade de emoções, e ela não queria escapar para os sonhos, onde o rosto de Peter, de Strange, de Quill... todos os outros, a observavam desaparecer em poeira. Ela se lembrava de cada um deles, de seus risos, de suas piadas, de suas conversas que agora pareciam tão distantes.
Ela se lembrava da última vez em que Peter sorriu para ela, antes de desaparecer. “Vai ficar tudo bem, Liv, eu te prometo.” Aquela promessa se desfez como cinzas, e ela se perguntava o que realmente significava a palavra promessa agora. Se até as promessas feitas pelos heróis mais fortes podiam ser apagadas pelo estalar de dedos de Thanos, o que restava para ela?
“Eu sou uma Stark, eu sou forte”, ela repetia mentalmente, como uma mantra, tentando se convencer de que havia algo dentro de si que pudesse resistir à dor. Mas, a cada hora que passava, ela sentia que a força estava se esvaindo. Como filha de Tony Stark, ela sentia a pressão de carregar o peso da família, mas não sabia como seguir em frente sem os outros. A dor de ver o mundo desaparecer diante de seus olhos era uma agonia que não conseguia colocar em palavras.
Ela se levantou da cadeira, os pés frios tocando o metal da nave. Com as mãos trêmulas, Olivia começou a vasculhar os compartimentos da Benatar, procurando algo para fazer, qualquer coisa para tirar a mente do abismo em que se encontrava.
Mas não havia nada. O vazio era absoluto.
Olivia se deixou cair no chão, o rosto contra as pernas, os dedos agarrando seu cabelo com força, como se quisesse sentir a dor física para esquecer o vazio emocional. Ela havia perdido todos, e agora, além de tudo, ela estava presa em uma nave sem destino. E não havia nada mais solitário do que estar sozinha com seus próprios pensamentos no meio do nada.
"Por que eu não consegui?" "Eu fui pra lutar, para terminar com tudo! " "Por que?!"
Os questionamentos surgiam em sua mente como uma tempestade furiosa. Olivia odiava se sentir fraca, odiava ser vulnerável. Mas ali, naquele instante, não havia mais nada que ela pudesse fazer a não ser sentir. O peso de todas as perdas a sufocava, e a dor parecia a única coisa real que restava.
Tony, na cabine de comando, parecia perdido em seus próprios pensamentos. Olivia sabia que ele estava sofrendo também, mas ele nunca havia sido muito bom em demonstrar suas emoções. Ela queria confortá-lo, mas... ela precisava ser confortada também.
—Olivia... -a voz de Tony cortou o silêncio, seu tom baixo, cauteloso, como se temesse que ela fosse quebrar completamente. —Você está bem?
Ela olhou para ele, os olhos inchados, a expressão vazia. Não. Ela não estava bem. Estava arrasada. E não sabia como dizer isso.
— Eu não estou. Ninguém ta. -A resposta saiu baixa, quase um suspiro. Ela sentiu uma onda de vergonha, como se estivesse falhando em ser forte para ele, em ser a filha que Tony sempre imaginou.
Ele olhou para ela, seu rosto agora mais envelhecido, mais cansado do que nunca. E, pela primeira vez, ele não parecia ter as palavras certas. Não havia mais ironias ou piadas. Não havia mais o gênio, o bilionário, o playboy. Era só um homem perdido no universo, com sua filha, tentando entender como seguir quando tudo o que ele amava havia sido destruído.
Tony se aproximou de Olivia, colocando uma mão em seu ombro.
— Eu sei... — Ele disse, com a voz embargada. — Eu também não sei o que fazer. Mas vou tentar, Liv. Eu sempre tentei, e vou continuar tentando. Não importa o que aconteça.
Mas para Olivia, isso não era o suficiente. Ela queria mais. Queria os risos dos amigos, o calor das palavras que os heróis sempre tinham. Queria que Peter estivesse lá para dizer que tudo ficaria bem, que o sacrifício de todos teria algum significado. Mas isso já não importava. Eles se foram. E, por mais que ela amasse Tony, a dor da solidão se fazia mais forte do que a presença dele.
— Eu... — Ela engoliu em seco, a garganta apertada, sem saber como expressar o que sentia. — Eu não sei como continuar, Pai. Eu vim para te salvar, eu voltei para te salvar. E nem isso eu consegui.
Tony a abraçou, e naquele momento, Olivia finalmente permitiu que as lágrimas caíssem. Ela se entregou ao choro, não mais tentando se controlar. Ela não queria ser forte. Ela só queria sentir.
Ele a segurou, apertando-a contra seu peito, as palavras de consolo em seus lábios, mas nenhuma delas parecia suficiente. Eles estavam juntos na dor, mas ambos sabiam que, mesmo juntos, estavam quebrados.
E o silêncio, novamente, tomou conta. Mas agora, ele não parecia tão vazio. Apenas... pesado, como um fardo que eles teriam que carregar até onde fosse possível.
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STARK IN DOUBLE DOSE
Fiksi Penggemar-Meu nome é Sophie, Sophie Foxy. -É um nome marcante, provavelmente irei me lembrar, Senhorita Foxy. [...] E ele lembrou, pelo resto de sua vida, como mãe de sua filha. A futura heróina. Do mundo. Olivia Foxy Stark 🥇#spiderman 🥈#tonystark 🥉#marv...
