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A cabana era silenciosa, exceto pelo som do vento passando pelas árvores e o leve tilintar das ferramentas no pequeno laboratório improvisado. Olivia Stark, com seus olhos curiosos e expressão determinada, estava sentada ao lado do pai, observando atentamente cada movimento dele.

Tony girava um holograma entre os dedos, com o maxilar tenso. A projeção exibia um modelo em três dimensões de um “GPS do tempo”. Ele não havia dito que estava trabalhando naquilo não oficialmente. Mas Olivia sabia. Ela sempre sabia.

— Você disse que tinha largado isso — ela falou baixinho, sem julgamentos, apenas com aquele tom de quem conhecia seu pai melhor do que ninguém.

Tony soltou um suspiro e se recostou na cadeira, esfregando os olhos cansados.

— Eu tentei. Juro que tentei. Mas... tem coisas que não dá pra deixar pra trás, Liv.

Olivia se aproximou do projeto flutuante e olhou para ele com atenção.

— Se isso funcionar, dá pra trazer todo mundo de volta, né?

— É, talvez. Ou podemos destruir o espaço-tempo. Sempre uma possibilidade animadora - ele deu um meio sorriso.

— Então por que está fazendo?

Tony ficou em silêncio por um momento, depois se levantou e foi até uma pequena mesa, onde uma foto emoldurada mostrava Peter Parker ao lado de Olivia e ele, sorrindo no antigo laboratório.

Olivia se levantou, foi até o pai e o abraçou pelas costas.

— Estamos aqui agora. Mas tem tanta gente que não está... A gente não pode fingir que o mundo tá certo só porque a gente tá bem. —Ela suspirou —Temos uma família.  Morgan, a Pepper

Tony se virou devagar, encarando a filha.

— Você sabe que, se eu fizer isso, não tem como garantir que tudo vai dar certo. Você pode perder o pai que conhece.

Ela apenas assentiu, com os olhos brilhando de determinação.

— Então vamos fazer dar certo. Juntos.

Tony olhou para ela com um misto de orgulho e medo. Depois assentiu.

— Tá bom, garota gênio. Vamos bagunçar o universo. —Ele andou na direção da mesa de centro com o holograma ali —Eu tive uma pequena inspiração e quero ver se faz sentido. -Ele falou para inteligência artificial enquanto começava a mecher nos mapas holográficos  —Faça uma última simulação, antes Dr encerrar o expediente.

Processando.

Tony estava em pé diante da bancada, com o holograma da equação do espaço-tempo girando no ar. Olivia, sentada num banquinho ao lado, mexia em um tablet, digitando algoritmos de suporte. Seus olhos estavam cansados, mas sua mente fervia de adrenalina.

— Tá vendo isso? — Tony murmurou, apontando para um ponto no holograma. — A curva de Möbius invertida… Ela não colapsa. Ela dobra. Isso… isso é diferente.

— Você isolou a variável quântica com a entrada de precisão em nanossegundos? — Olivia perguntou, tentando conter a excitação.

— Eu isolei e… caraca! — ele digitou um comando rápido. O modelo brilhou mais forte, e a simulação iniciou. O loop temporal se completou perfeitamente — uma ida e volta no tempo sem colapsar a linha principal.

Tony ficou em silêncio por alguns segundos, encarando o resultado. Ele se sentou com tudo na cadeira em um estado de choque.

— Droga… isso funcionou — ele sussurrou, quase em choque. — Isso realmente funcionou.

STARK IN DOUBLE DOSEOnde histórias criam vida. Descubra agora