POV CHRISTOPHER
Assim que o motivo da minha explosão de sentimentos abriu a porta, eu a ataquei, agarrei com toda a saudade, amor e loucura que existia dentro de mim durante todo esse tempo, abracei com tanta força e com tanta dor que eu não aguentei e comecei a chorar.
- Aconteceu algo? - Ela perguntou com certa curiosidade e tentando sair dos meus braços.
- Por favor não me tire essa chance, apenas quero lhe abraçar.
- Christopher...
- Dulce...
Passamos alguns minutos abraçados, até que eu escutei o barulho da nossa filha, ela estava acordada dentro do seu berço.
- Desculpa. - Soltei Dulce e me aproximei da minha doce criança. - Oi, meu amor, papai voltou, eu estou aqui. - sentei ao seu lado e puxei o berço para mais próximo.
- Lavou suas mãos? - Neguei. - Passa um álcool ou lava no banheiro, mas não toca naquela sem higienizar antes.
Fiz conforme ela falou, assim que peguei minha filha no colo não consegui controlar o resto das lágrimas que faltavam sair.
- Dulce, me perdoa por ter sido um fodido com você, eu sofro tanto desde aquele dia, não sei o que é ter um segundo de paz, eu preciso que você me escute.
- Não, Christopher, não estou preparada para isso, não quero ter essa conversa com você, após tantos meses ainda me machuca muito.
- Você precisa me escutar, Dulce.
- Eu precisava ser cuidada, amada e protegida, você conhecia meus medos e insegurança, e você atacou justo eles, Christopher eu sofri muito, pensei em tantas possibilidades e tive tanto medo, mas cada um que estava comigo me ajudou e eu consegui ser forte.
- Dulce...
- Não existe mais nós dois, Christopher, e você decidiu isso sem ao menos me consultar, você me deixou sozinha e com uma das maiores dores que eu poderia sentir, passei minha gestação toda com medo, tive que fugir de perto das pessoas que me amavam por medo do que poderia acontecer, eu, Christopher, a pessoa que não sentia medo de nada.
- Dulce tudo isso me dói e arde na minha alma.
- Mas não mais que a minha, eu fui deixada da pior maneira possível, eu sei que jamais deixei você explicar, mas como você iria explicar tamanha traição?
Fiquei sem saber o que responder, o silêncio reinou, foi passando minutos e não falamos mais nada, Maria Paula dormiu no meu colo durante esse tempo.
- O que você estava fazendo aqui sozinha no momento em que liguei?
- Maria não estava conseguindo dormir, ainda sente muita falta da rotina e dos meninos, então fico aqui com ela.
- Dulce, você sempre fez um ótimo trabalho como mãe, mas por favor não me tira o direito de ser o pai dela.
- Jamais vou fazer isso, mas também não vou correr atrás de você. Pois cada um sabe a sua obrigação.- Ela se aproximou para pegar a Mariazinha no colo.- Quero colocá-la no berço, antes de ir me ajuda a levar para meu quarto? - concordei com a cabeça.
- Dulce, deixa eu me explicar, deixa eu contar tudo que me entala.
- Não quero ouvir.- Ela segurou em minha mão e me puxou para varanda, ela sentou no balanço e eu no sofá de espulma que havia ali.- Mas eu gostaria de conversar com você.
- Estou escutando.
- Christopher, eu nunca tive a oportunidade de me abrir com você, e nem me sinto pronta para isso, eu estou pensando loucamente em voltar para NY, o Daniel me pede muito por isso, mas a minha vida, família e carreira é aqui, lá é a extensão de como meu amor e lealdade é grande, mas é aqui que ele pertence, e tem a Maria, não quero que ela cresça como o Daniel cresceu, quero que ela tenha você, mas caso eu veja que você não quer ser o pai dela, eu iria embora com eles dois, os meninos estão mais do que disposto a me apoiar e assumir esse papel, eles me ajudaram tanto, nunca serei capaz de retribuir.
- Eu estou disposto lutar até por você, Maria.
- Não estou falando de nós, e sim da minha pequena menina, ela é indefesa, não sabe o que é perigo, eu tenho medo do que pode acontecer com ela.
- Não vou permitir que nada aconteça.
- O problema é que tudo que envolve você acaba dando algum problema para mim ou para as pessoas eu amo.- Dulce abaixou a cabeça e eu vi quando as lágrimas começam a cair.- Eu não posso mais ter a pose de mulher que resolve tudo, eu me sentia protegida e acolhida quando estava com os meninos, meus filhos estavam em segurança, eu não podia revidar, Ucker, meu filho ficou desesperado, chorou tanto com que aconteceu, demorou um tempo para acalmá-lo, eu não quero esses tipos de acontecimentos, eu e meus filhos, principalmente Daniel, já passamos por tantos altos e baixos, não posso deixar você se aproximar com esses tipos de coisas acontecendo.
- Isso significa que você vai me afastar?
- Não, mas caso isso aconteça de novo, eu que vou precisar tomar outras medidas.
Continuamos nossa conversa, paramos somente quando escutamos novamente o choro da Maria na sala, ela pediu minha ajuda para subir com o berço, assim que entramos no quarto eu notei que quase nada mudou desde a última vez, mas agora tinha alguns objetos e coisas das Maria, vi um porta-retrato com ela ainda grávida junto com os meninos, ela notou que eu fiquei encarando aquela foto.
- Daniel ama olhar para essa foto antes de dormir.
- Me perdoa mais um vez pelo surto da Verônica. - Olhei para cama e não vi o Dani.- Onde ele está?
- Foi dormir com a Bel, estava muito agitado, assim como a Maria.
- Dulce, quando você tiver melhor para conversar, eu peço que me escute. Eu suplico.
Depois disso ela me acompanhou até a saída, meus sentimentos e pensamentos estavam mais tranquilos, ao invés de voltar para casa que eu morava com a Verônica, eu decidi subir para o apartamento.
××××××××××××××××××××××××××××××
POV Dulce
Os dias pareciam uma eternidade, arrumei por diversas vezes a minha mala conforme os dias iam passando, eu tinha medo do que iria acontecer, os "e se" estavam gritando de uma forma inexplicável na minha mente.
" E se ele levar minha filha?", "E se ele entrar com um pedido de guarda?", "E se eu tivesse feito tudo certo", era vários "E se" que eu chegava a perder o sono, fiquei uns três dias, depois do ocorrido, na casa do Christian, por diversas vezes tinha receio de atender o telefone, pois pensava que poderia ser ele para falar sobre a Maria e que iria levar ela, eu sentia medo do que a Verônica poderia ser capaz por ciúmes.
- Dulce? - Retornei dos meus pensamentos quando minha mãe tocou em meu ombro.
Eu estava tão perdida na minha mente que a vinda dela minha foi algo tão grandioso e necessário para eu me sentir segura, eu estava distante ao ponto de me isolar no quarto com as crianças.
- Você esta bem?- Ela me perguntou franzindo o cenho.
- Sim, estou. - Menti, todos esses dias estou mentindo, eu sei que eles percebem mas estão me dando tempo para pensar.
- Tem uma pessoa querendo falar com você.- Senti o nervosismo tomar conta, pensei que poderia ser Christopher, mas, no momento que vejo Liam entrando, eu não controlo minhas lágrimas, fui ao seu encontro para abraçá-lo.
- Me ajuda, por favor, Liam. - Ele retribuiu o abraço e me segurou forte e firme, senti todo aquele sentimento de angústia sumindo, me senti acolhida e amada.
VOCÊ ESTÁ LENDO
L.D|2°Tem|
Fiksi Penggemar"Recomeçar" Essa proposta da qual eu aceitei era o meu grande Recomeço, Belinda ia crescer na carreira, eu iria conhecer pessoas novas, recomeçar uma nova vida, iria reencontrar pessoas da qual eu amava e conviver novamente com elas, iria proteger o...
