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• quantidade de palavras: 3821
• capítulo não betado.

EX'S WINDOWCapítulo vinte e sete: primeira e última pista

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EX'S WINDOW
Capítulo vinte e sete: primeira e última pista.

A sala estava silenciosa demais. O tipo de silêncio que fazia as paredes parecerem mais próximas, como se quisesse engolir os dois homens que ocupavam o espaço pequeno, repleto de arquivos, laudos e pastas empilhadas com uma precisão meticulosa. O ar estava carregado com o cheiro de café antigo e papel úmido. Um ventilador no canto girava preguiçosamente, espalhando mais calor do que alívio.

Jimin estava curvado sobre a mesa, o maxilar travado, os olhos deslizando pelas páginas plastificadas com laudos de autópsia que ele e Minwoo haviam revisado incansavelmente nas últimas horas. Havia rabiscos de marca-texto, observações marginais, e post-its colados em padrões que só quem estivesse no limite da exaustão conseguiria entender.

Minwoo estava em pé até então, mas os ombros dele haviam caído há algum tempo. Quando Jimin fechou a última pasta com força, o som seco do estalo ressoou pelo ambiente e quebrou qualquer esperança de que algo novo estivesse ali.

— Nada — Jimin murmurou. — Tudo igual. Tudo... igual.

Minwoo não respondeu.

Abaixou-se lentamente, como se seus joelhos tivessem mais idade do que sua pele sugeria. Sentou-se no chão de pernas cruzadas, com os braços envolvendo dois dos arquivos mais grossos, como se fossem escudos frágeis contra o mundo. Encostou a cabeça contra a parede fria e fechou os olhos por um segundo longo demais.

Jimin o observou por um instante em silêncio, então suspirou e foi até ele, arrastando-se com preguiça para o chão, até se sentar ao seu lado. Ficaram ali, calados, por vários minutos, respirando no mesmo ritmo lento e frustrado.

— Minwoo… — Jimin começou, a voz baixa, hesitante. — Você lembra do que aconteceu? Quando ele te pegou. O assassino… ele conseguiu fazer alguma coisa com você?

O silêncio que se seguiu pareceu quebrar alguma coisa dentro da sala. O ventilador continuava seu giro mudo. Do lado de fora, um carro passou devagar, mas o som foi engolido pelas paredes.

Minwoo não olhou para ele. Ficou encarando um ponto fixo do armário enferrujado à frente.

— Eu não lembro de nada. — respondeu, por fim, num tom opaco. — Só lembro de estar com a arma apontada pro Hoseok. Nada antes… nada depois.

Jimin engoliu seco.

— Se ele fez alguma coisa comigo… — Minwoo continuou, a voz agora mais trêmula, com um fundo de raiva sutil. — Talvez seja melhor que eu não lembre. Eu... eu tomei a injeção, tá? Anticoncepcional. Por via das dúvidas.

Um fio de amargura escorreu das palavras, mas ele tentou mantê-las estáveis. A vergonha e o medo se entrelaçavam no tom como fios de cobre e aço.

Jimin sentiu o estômago revirar. A garganta ardeu com palavras que ele não tinha, que não existiam. Nenhuma frase ensaiada, nenhuma fórmula de empatia bastava ali.

Ex's Window • sope | ABOHistórias para pegar e não largar. Descubra agora