Quando Hoseok chegou em casa, já passava das seis horas da tarde. O relógio da sala confirmava que ele havia passado pouco mais de uma hora no trânsito, ele lembrava-se claramente de ter saído pouco depois das cinco. Ainda que o tempo não tivesse sido tão longo, a exaustão acumulada o fazia sentir como se o dia tivesse se arrastado. O ritmo das coisas ainda estava se ajustando, quase como se todos ao redor estivessem reaprendendo a respirar depois do fim do extenso caso protagonizado por Minwoo.
Havia se passado um mês e meio desde que a investigação havia chegado ao fim, marcada pelo suicídio do ômega dentro da própria sala de interrogatório. Descobriu-se posteriormente que Minwoo havia usado um concentrado de cianureto para dar fim à própria vida, algo que ele mantivera escondido até o último instante. Desde então, nada de novo surgiu. Nenhuma pista adicional, nenhum cúmplice oculto, nenhum segredo enterrado. Era como se todas aquelas mortes — sangrentas, brutais e carregadas de uma lógica torta — estivessem confinadas no espaço de três meses, iniciando e encerrando-se junto com o assassino.
Wonyoung, depois de resgatada, finalmente estava em segurança. Não precisava mais de proteção constante, e embora ainda carregasse marcas físicas e emocionais, ela havia voltado para perto da família. Seojun, por outro lado, decidiu que não reviveria seu passado doloroso. Preferiu se agarrar à identidade nova que havia construído, longe da mentira que sua família havia contado por anos. Sabia que não valia a pena voltar, muito menos se aproximar de pessoas que nunca o protegeram. Para ele, aquela vida anterior não passava de um peso morto.
Enquanto Hoseok deixava os pensamentos passarem, o som do telefone interrompeu o silêncio da casa. Ele estava no quarto, esfregando a toalha nos cabelos ainda molhados após um banho quente. A água tinha servido como um alívio, dissolvendo parte do cansaço acumulado não apenas pelo caso atual, mas também pelas memórias que insistiam em rondá-lo. Felizmente, o que enfrentava agora era diferente: apenas uma nova gangue tentando fincar território com drogas recém-chegadas às ruas. Era trabalhoso, perigoso como todo crime organizado, mas não era comparável ao terror psicológico de lidar com um serial killer.
O alfa atendeu a chamada antes mesmo de verificar quem estava do outro lado, ele já sabia.
— Oi, meu amor, eu já ia ligar. Acabei de sair do banho. — Hoseok disse, a voz grave suavizada pela intimidade.
Do outro lado, a resposta veio baixa, quase tímida, mas carregada daquele tom que sempre lhe arrancava um sorriso.
— Eu fiz bolo de cacau. E tenho sorvete de baunilha… — Yoongi murmurou, e Hoseok riu sem conseguir evitar. Estava sendo subornado, como tantas vezes antes, com doces e promessas de aconchego, tudo para convencê-lo a assistir a algum filme enorme que Yoongi tinha escolhido.
Era um truque repetido, mas Hoseok gostava daquilo. Na verdade, adorava. Trazia lembranças dos velhos tempos, quando as coisas eram mais simples, quando o peso do mundo parecia menor.
— Que tal ver Star Wars? — completou o ômega.
— Tudo que você quiser. — Hoseok respondeu com convicção, já prevendo a noite tranquila que teria. — Eu vou me vestir e separar o uniforme para amanhã, depois vou direto para você.
— Estou esperando.
A ligação terminou, e por um instante Hoseok ficou encarando o telefone, com um sorriso leve no rosto. Aquilo se tornou rotina, e ainda assim conseguia trazer uma sensação de conforto inigualável. Deixou o aparelho de lado, terminou de pentear os cabelos e escolheu roupas simples: uma blusa branca larga, que caía solta sobre os ombros largos, e um short preto de tecido leve, também folgado. Não vestiu nada por baixo, e o motivo era simples: não precisaria.
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Ex's Window • sope | ABO
Fanfictionconcluída | 🔴 Após um término repentino e que o deixou abalado por meses, Yoongi finalmente está pronto para superar Hoseok, no entanto, um casamento e uma janela em comum reune o ex-casal, fazendo-os viver um mês inteiro digno de filme da sessão d...
