Rebelde é uma história de adolescentes que abrem os olhos para a realidade do mundo em um ambiente elitista, onde o poder e os bens materiais são supervalorizados. Eles vão lutar pelo direito de amar, romper as barreiras sociais e pelos ideais nos q...
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Capítulo 7
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A BIBLIOTECA DO COLÉGIO ESTAVAMERGULHADA NUM SILÊNCIO ACOLHEDOR,QUEBRADO APENAS PELOLEVE FARFALHAR DAS PÁGINAS SENDOVIRADAS OU PELO SOM ABAFADO DOSPASSOS NO CARPETE.
Matteo entrou com o semblante fechado, os ombros tensos, o olhar evitando qualquer contato. Ele não queria conversa. Não queria plateia. Não queria ir ao desfile de Sol, música alta, aplausos falsos, nem sorrisos forçados. Muito menos queria ver Mia. Justamente por isso estava ali — refugiado entre prateleiras e palavras antigas, tentando escapar da própria dor.
Ele escolheu um livro qualquer, sem prestar atenção ao título, apenas para manter as mãos ocupadas. Sentou-se numa das mesas do canto, a mais afastada possível, e abriu o exemplar diante de si como quem ergue um escudo. Mas era inútil. A cabeça de Matteo girava em torno do que ele não queria mais sentir.
Do outro lado daquela tristeza silenciosa, Mia vagava pelos corredores como se também procurasse onde esconder o próprio coração. A proibição do pai ainda ressoava nos seus ouvidos como uma sentença injusta, seca, irredutível. E Mia, sem forças para lutar, havia se calado. Agora, carregava o gosto amargo da covardia e a dor de ver nos olhos de Matteo não apenas o fim, mas o desprezo. Ele a evitava.
Na biblioteca, o ar parecia mais denso. Matteo fingia ler, mas seus olhos permaneciam fixos na mesma linha. O nome dela voltava à sua mente com a mesma frequência com que tentava esquecê-la. Mia. Mia. Mia. E o coração, tolo e traiçoeiro, ainda batia por ela, mesmo quando o orgulho gritava para esquecê-la.
E, sem aviso, sem que ele pudesse se preparar... ela entrou.
Mia abriu a porta da biblioteca com cautela, talvez buscando a mesma solidão. Mas seus olhos encontraram Matteo antes que ela pudesse pensar em recuar. Ele estava ali, sentado, alheio ao mundo, mas intensamente presente dentro dela. E naquele instante, o tempo parou.
Ela não falou. Ele também não. O silêncio que havia entre os dois era denso, carregado, como se cada centímetro do espaço entre eles estivesse impregnado do que foi dito, do que ficou preso na garganta, do que nunca teve chance de ser explicado. Mia não sabia se devia sair. Matteo não sabia se devia levantar. E por alguns segundos eternos, ficaram apenas se olhando — dois estranhos com corações conhecidos.