50| Michael Olise

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Tema: recaída

A chuva fina caía sobre Londres naquela noite, deixando o cheiro de asfalto molhado e o som constante de pingos batendo no vidro da cafeteria, eu tinha escolhido aquele lugar justamente porque era discreto, longe de qualquer lembrança dele ou pelo...

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A chuva fina caía sobre Londres naquela noite, deixando o cheiro de asfalto molhado e o som constante de pingos batendo no vidro da cafeteria, eu tinha escolhido aquele lugar justamente porque era discreto, longe de qualquer lembrança dele ou pelo menos era o que eu pensava.

Michael: Sn? - a voz, baixa e hesitante, cortou o ar como se tivesse atravessado direto minhas defesas.

Levantei os olhos, e lá estava ele, Michael, mesmo casaco escuro, mesmo olhar intenso que eu conhecia de cor.

Só que dessa vez, havia algo diferente... um peso, um arrependimento estampado no jeito que ele me encarava.

Sn: Você... aqui? - minha voz saiu mais baixa do que eu queria, quase um sussurro.

Ele deu um meio sorriso, mas os olhos não sorriram.

Michael: Eu podia perguntar a mesma coisa. - se aproximou devagar, como se estivesse com medo de eu fugir.

Eu queria, fugir. Mas meus pés ficaram presos ao chão, como se meu corpo soubesse antes da minha mente que era tarde demais.

Michael pediu um café, mas não sentou de frente, puxou a cadeira ao lado da minha, sempre soube que ele fazia isso para sentir meu cheiro mais de perto.

Eu senti o dele também... o mesmo perfume amadeirado misturado com chuva e lembrança.

Michael: Você sumiu. - ele disse, olhando para a xícara, mas a mão esquerda mexia inquieta no guardanapo. - Nem uma mensagem, nada.

Sn: E o que você queria, Michael? Que eu continuasse fingindo que nada tinha acabado? - minha voz tremeu, mas era mais raiva guardada do que fragilidade.

Ele suspirou fundo, e eu pude ver no maxilar contraído que ele estava segurando algo.

Michael: Eu nunca quis que acabasse. - e, antes que eu pudesse responder, completou - Eu errei e não consigo parar de pensar nisso.

As palavras ficaram presas na minha garganta, por um instante, senti de novo aquele nó no estômago, como todas as noites em que tentei dormir sem a presença dele ao meu lado.

Michael estendeu a mão devagar e tocou a minha, só o toque fez o ar mudar, era como se todo o barulho da cafeteria tivesse sumido, eu sabia que deveria tirar minha mão... mas não consegui.

Michael: Você ainda sente? - ele perguntou, a voz rouca, quase um pedido, eu fico em silêncio.

Ele se aproximou mais, o rosto a centímetros do meu.

Michael: Então me deixa... pelo menos hoje... - a frase ficou suspensa no ar.

Não lembro como saímos dali, só lembro da porta do meu apartamento batendo e a respiração dele atrás de mim.

O silêncio foi quebrado apenas pelo som das nossas roupas sendo deixadas pelo caminho, não havia mais espaço para perguntas. Só para tudo que a gente tentou negar por meses.

Quando os lábios dele encontraram os meus, não foi só beijo, foi um reencontro, foi raiva, foi saudade acumulada, foi confissão sem palavras.

E eu soube que, mesmo sabendo que era errado, eu não ia parar.

O quarto estava silencioso, quebrado apenas pelo som da nossa respiração ainda acelerada, a chuva continuava lá fora, mas agora era como um fundo distante, quase reconfortante.

Eu estava deitada de costas, olhando para o teto, tentando organizar o que tinha acabado de acontecer, Michael estava ao meu lado, virado de lado, os olhos fixos em mim.

O braço dele descansava sobre minha cintura, como se tivesse medo de eu desaparecer.

Sn: Você não devia ter deixado. - minha voz saiu baixa, mas firme.

Ele respirou fundo, passando o polegar de leve pela minha pele.

Michael: Eu sei, mas eu precisava… - fechou os olhos por um instante, como se buscasse coragem - Eu precisava lembrar como é estar com você, sentir você.

O silêncio se instalou de novo, eu não sabia se estava mais irritada ou mais vulnerável, a verdade é que, no fundo, eu também precisava.

Michael se inclinou, encostando a testa na minha.

Michael: Sn… eu ainda te amo. - disse, sem rodeios, como se aquilo fosse um fato inegável, e não um peso.

Meu coração disparou, mas minha mente gritava que não era tão simples assim.

Sn: E o que você quer que eu faça com isso? - perguntei, tentando não deixar minha voz falhar.

Ele sorriu de canto, aquele sorriso pequeno que sempre vinha quando ele estava mais sincero.

Michael: Só… não me expulsa da sua vida de novo, nem que eu tenha que começar do zero.

E, naquele instante, mesmo sabendo que era perigoso, eu deixei ele me abraçar mais forte, como se aquele fosse um lugar seguro que eu não tinha encontrado em mais ninguém.

E, naquele instante, mesmo sabendo que era perigoso, eu deixei ele me abraçar mais forte, como se aquele fosse um lugar seguro que eu não tinha encontrado em mais ninguém

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Eita minha gente meiamos o livro, falta mas 50 eps pra eu finalizar, meu Deus 😦.

A pedido: MaisaLisboa4

Até a próxima🫶🏻

Iᴍᴀɢɪɴᴇ ᴊᴏɢᴀᴅᴏʀᴇs Onde histórias criam vida. Descubra agora