O escritório já estava quase vazio quando Aidan fechou o notebook. As últimas luzes refletiam nos vidros altos do prédio, tingindo a cidade de laranja e cinza. Ele ajeitou a gravata com um suspiro, cansado. Precisava de ar, de algo que quebrasse a rotina.
No térreo, encontrou Finn encostado na moto, mexendo no celular.
- Tá esperando alguém? - Aidan perguntou, aproximando-se.
- Você, na verdade. - Finn guardou o celular no bolso e deu um meio sorriso. - Achei que podia te dar uma carona até em casa.
Aidan ergueu a sobrancelha, divertido.
- Uma carona? Você sabe que eu não vou subir nessa moto.
- Relaxa, eu não ia te colocar numa fria dessas. - Finn riu. - Mas a oferta de uma cerveja vale ainda?
Eles caminharam juntos até um barzinho discreto, de esquina, longe do ambiente formal da empresa. Aidan não costumava sair com colegas com tanta frequência, por conta do seu trabalho, mas com Finn era diferente. Talvez pela sinceridade que ele transmitia, e a forma que ele o deixava relaxado.
Era início da noite, e poucas mesas estavam ocupadas. Aidan e Finn tinham escolhido a última, perto da janela, onde a luz da rua entrava fraca, misturada ao reflexo do néon piscando da fachada.
Finn jogou o capacete ao lado, apoiando os braços sobre a mesa.
- Cara, você quase virou um fantasma. Tá trabalhando demais.
Aidan riu de canto, mexendo no copo com o gelo já derretido.
- Não posso negar. Mas você também não aparece. Sempre na correria das entregas.
...
Depois do primeiro gole, Aidan se recostou na cadeira. Apoiou o queixo na mão e, num impulso raro, perguntou
- E você... tá vendo alguém?
Finn arregalou os olhos, surpreso, como se tivesse ouvido errado.
- Eu? Desde quando você pergunta dessas coisas?
- Desde hoje - Aidan rebateu, divertido, mas logo baixou o olhar. - É que... nunca falei disso com ninguém.
Finn ficou alguns segundos pensativo, mordendo o canto do lábio, até soltar uma risada breve.
- Tá. Eu vou contar, mas se você me zoar, eu juro que vou embora.
- Prometo que não - Aidan ergueu as mãos em rendição.
Finn coçou a nuca, meio envergonhado.
- Bom... tem uma pessoa.
O olhar de Aidan se firmou nele, interessado.
- É mesmo?
Finn respirou fundo, como quem precisava se convencer de que não era besteira.
- É sobre a Millie. A enfermeira lá do hospital.
O nome fez Aidan erguer a sobrancelha, curioso.
- Millie?
- Sim. - Finn deu de ombros, tentando parecer indiferente, mas falhando miseravelmente. - Eu sempre arrumo uma desculpa pra passar lá. Entrego pedido, esqueço outro, volto de novo... só pra no fim, ter apenas um minuto ao lado dela.
Um sorriso involuntário surgiu no rosto de Aidan.
- E ela, como reage?
Finn soltou um riso sem humor.
- É isso que eu não entendo. Ela é... incrível. Carinhosa, atenciosa, uma das poucas pessoas que realmente escuta quando eu falo. Eu me sinto... leve perto dela, sabe? Mas, quando parece que algo vai além... ela se retrai. Sempre dá um passo pra trás.
Aidan franziu o cenho.
- Você acha que ela não gosta de você?
- Não é isso. - Finn balançou a cabeça. - Eu acho que ela tem medo. E, sinceramente, talvez ela tenha razão. Olha pra mim, Aidan. Eu sou só um motoboy. Não tenho nada demais pra oferecer. Ela merece alguém muito melhor, alguém que possa dar o mundo pra ela.
Aidan ficou alguns instantes em silêncio, observando o amigo. Era curioso como Finn falava com tanta clareza sobre algo que ele mesmo sempre evitara. Relacionamentos nunca foram parte da vida de Aidan. Ele tinha a atenção de muitas mulheres, mas nunca quis dar espaço para nada além da amizade. Hannah era o maior exemplo disso, insistente, mas sem nunca despertar nele qualquer coisa a mais.
O silêncio se instalou por alguns segundos, quebrado apenas pela música baixa do bar. Aidan respirou fundo, e pela primeira vez deixou escapar algo que raramente dizia.
- Você tá errado, Finn.
O motoboy levantou o olhar, surpreso.
- Errado?
- Sim. - Aidan afirmou com convicção. - Finn, não é assim que funciona. Não é sobre o que você tem ou o que você pode oferecer materialmente. É sobre como você a faz se sentir. O que importa é o que você faz quando gosta de alguém de verdade. Se você tá disposto a dar o melhor de si, já é muito mais do que muitos fariam.
Finn franziu o cenho, quase incrédulo.
- E desde quando você entende tanto de conselhos amorosos?
Aidan deu um meio sorriso.
- O fato de eu nunca tenha falado, não significa que eu não pense.
- Talvez eu nunca tenha me permitido viver algo assim... mas eu observo. E aprendi que amor não é uma equação de méritos. Você não precisa ser mais do que é. Às vezes, só precisa estar disposto.
Finn ficou em silêncio, absorvendo as palavras. Nunca imaginou que Aidan, com todo o ar sério e reservado, pudesse falar desse jeito.
Finn ficou encarando-o como se não reconhecesse o amigo por um momento, até rir e sacudir a cabeça.
- Você me surpreende, cara. Achei que fosse todo travado nesse assunto. Até cheguei a pensar que você ia rir da minha cara, dizer que é besteira.
- E eu sou travado - Aidan admitiu, rindo baixo. - Mas não sou tão insensível assim. - Aidan disse, arqueando as sobrancelhas. - Apesar das aparências.
Finn suspirou, relaxando na cadeira.
- Você acha que eu devo insistir?
- Eu acho que você deve ser sincero com ela. Mostra que você não tá ali só porque é conveniente, mas porque realmente gosta dela. O resto... deixa acontecer.
Houve um silêncio depois disso. Mas não era vazio. Era um silêncio cheio de pensamentos, como se os dois estivessem refletindo mais do que gostariam de admitir. Aidan sentiu que, de alguma forma, aquela conversa também abria espaço dentro dele. Um espaço que, até então, tinha insistido em manter fechado.
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Minha esquentadinha - Aidan Gallagher
RomanceOi, pessoal! 🐸 Criei uma história baseada em uma ideia que tive e queria compartilhar com vocês. Se gostarem, podem votar, isso ajuda muito os criadores a continuarem escrevendo. Quero deixar claro que a história não é hot, pois não quero sexualiza...
