Ep 11

390 34 11
                                        

A fila da pipoca não estava longa, mas o cheiro amanteigado já deixava Kit impaciente. Ele segurava o celular numa mão e o balde de pipoca na outra, mordendo distraidamente uma beirada do papelão enquanto esperavam.

— Essa pipoca tá muito boa — murmurou, já comendo um punhado, falando com a boca meio cheia.

S/n arqueou a sobrancelha e deu uma risadinha. — Ei! Guarda um pouco pra comer no filme, guloso.

Ele fingiu um ar de inocência, mas a boca já se curvava num sorriso. — Tá bom, tá bom... mas é difícil.

— A propósito... o que vamos assistir? — perguntou ela, pegando alguns grãos de pipoca.

— Avatar 2.

O rosto dela se iluminou de imediato. — Você tá brincando! Eu estava esperando esse filme há... sei lá, uma eternidade.

— Mesma coisa aqui. — Ele riu. — Finalmente vamos poder ver juntos.

O "juntos" escapou sem ele perceber, mas ele deixou passar, como se não tivesse importância. Seguiram até a sala, e, no caminho, continuaram trocando piadas rápidas e comentários sobre filmes que marcaram a adolescência dos dois.

Escolheram lugares bem no meio, onde a tela parecia maior e o som envolvia de todos os lados. Assim que as luzes se apagaram, um silêncio cúmplice se instalou. Por quase três horas, eles viajaram para aquele mundo azul e selvagem, compartilhando olhares rápidos nas cenas mais impressionantes e se esbarrando levemente quando pegavam pipoca ao mesmo tempo.

Quando o filme terminou, e a tela voltou a clarear, S/n ainda parecia dentro da história.

— Eu amei! — disse ela, quase num suspiro, enquanto saíam da sala.

— Eu também. — Kit enfiou as mãos nos bolsos, tentando não sorrir demais só por vê-la tão empolgada.

— Aquela parte em que eles vencem o povo inimigo... nossa, eu fiquei arrepiada. — Ela gesticulava, os olhos brilhando, sem perceber que ele a observava com atenção.

Ele não estava apenas ouvindo. Ele estava memorizando, o brilho no olhar dela, a forma como mexia no cabelo enquanto falava, até a leve marca de riso no canto dos lábios.

— O que foi? — ela perguntou, rindo ao notar o olhar dele. — Tá me encarando por quê?

Ele hesitou, mas a sinceridade venceu. — É que... você tá linda. Seus olhos, seu cabelo... tudo.

Ela desviou o olhar, meio sem graça. — Não exagera. Eu não sou tão bonita assim.

— É sim. — A voz dele foi firme, mas baixa. — Pra mim, você é a garota mais bonita do mundo.

Ele se aproximou, com calma, como se desse a ela tempo para recuar. E ela recuou.

— Desculpa, Kit... Eu não posso. Eu não te vejo mais do que como um amigo.

A frase bateu nele como um vento frio. Ele demorou um segundo para responder, escondendo a decepção atrás de um sorriso leve. — Tudo bem... Foi culpa minha, eu não devia ter feito isso.

— Não foi culpa sua, tá? Você não sabia. Mas... podemos continuar amigos e fingir que nada aconteceu.

— Podemos. — Ele forçou um sorriso.

— Então... vamos? — disse ela, tentando quebrar o clima pesado.

No carro, o silêncio tomou conta. Não era hostil, mas cada palavra parecia pesar antes de ser dita.

Quando chegaram à frente da casa dela, S/n soltou o cinto e falou suavemente — Chegamos.

— Me desculpa por hoje.

— Esquece. Tá tudo bem.

— Boa noite, S/n. — O sorriso dele era quase imperceptível.

— Boa noite, Kit — Ela fechou a porta com cuidado, e ele ficou alguns segundos olhando para a entrada da casa antes de dar partida, sentindo que, de alguma forma, algo tinha mudado entre eles.

Minha esquentadinha - Aidan GallagherOnde histórias criam vida. Descubra agora