O saguão do prédio tinha aquele cheiro de café misturado a papel recém-impresso. O chão refletia as luzes frias do teto, e o som do salto apressado de S/N ressoava a cada passo.
O recepcionista ergueu os olhos do computador e abriu um sorriso educado.
— Bom dia. Primeira vez por aqui?
— É... primeiro dia — respondeu, tentando ajeitar o cabelo com a mão livre. — S/N Copper.
Ele digitou algo rápido, consultou uma lista, e entregou um crachá temporário.
— Elevador ao fundo, 14º andar. Seu supervisor já está te aguardando.
S/N agradeceu e caminhou até o elevador. Apertou o botão, respirando fundo para acalmar o próprio corpo. Ainda estava com a imagem daquele homem na cabeça, a expressão tranquila, quase provocadora. Por que ele tinha que aparecer logo hoje?
O "ding" metálico quebrou o pensamento. As portas se abriram... e, por um instante, ela sentiu que o universo inteiro estava zombando dela.
Ele estava lá. Bem diante dela.
O mesmo terno escuro. O mesmo cabelo bagunçado. As mãos enfiadas nos bolsos. E um olhar que, dessa vez, não parecia surpreso, parecia curioso.
— Você... — ela começou, mas interrompeu a si mesma. Entrou no elevador, mantendo a postura reta, como se ignorá-lo fosse a melhor resposta.
Ele se moveu levemente para o lado, abrindo espaço. O perfume dele era discreto, amadeirado, misturado ao cheiro frio da manhã.
— Bom dia — disse ele, num tom neutro, como se a discussão de minutos atrás não tivesse existido.
— Bom dia — respondeu seca.
O elevador subia devagar, marcando cada andar como se fosse de propósito. Um silêncio desconfortável tomou o espaço, mas S/N sentia, sem precisar olhar, que ele ainda a estudava de canto de olho.
— Não sabia que trabalhava aqui — comentou ele.
— Nem eu sabia que você trabalhava aqui — rebateu, mantendo os olhos no painel.
Um canto do lábio dele se curvou em um sorriso breve.
— Acho que vamos nos ver mais vezes, então.
Antes que ela respondesse, o elevador parou. As portas se abriram no 14º andar. S/N saiu primeiro, determinada a se concentrar no trabalho e esquecer que ele existia.
Mas, ao caminhar pelo corredor, notou um detalhe, passos calmos atrás dela, mantendo o mesmo ritmo.
E, antes de virar para sua sala, ouviu a voz dele mais uma vez, próxima, quase no mesmo tom que usaria para falar um segredo:
— Boa sorte no seu primeiro dia, esquentadinha.
Ela não respondeu.
Mas a forma como ele pronunciou aquele apelido tosco ficou invadindo sua cabeça, quase permitindo dominar seus pensamentos, junto com a estranha sensação de que aquele homem ia, de algum jeito, atrapalhar, ou mudar tudo o que ela tinha planejado.
...
Claire terminou de apresentar cada setor, apontando as mesas e explicando a função de cada equipe. O ambiente era limpo, silencioso, mas havia uma tensão sutil no ar, talvez fosse apenas a forma como todos pareciam muito concentrados, ou talvez fosse porque S/N ainda sentia aquele olhar de Aidan queimando sobre ela.
— Seu chefe direto é Matthew Bryce. — Claire parou diante de uma porta de vidro fosco. — Ele está no meio de uma reunião, mas... vá entrando, ele gosta de falar pessoalmente com novos contratados.
S/N respirou fundo e bateu.
A porta se abriu, revelando um homem de meia-idade, postura rígida e expressão fechada. Ele gesticulava para alguns papéis sobre a mesa, mas ao vê-la, dispensou o que estava fazendo com um breve aceno.
— Entre. Copper, certo? — A voz era firme, mas não hostil.
— Sim, senhor.
Ele indicou uma cadeira à frente. — Bom, seja bem-vinda. Começará hoje. Sua mesa é a oito, perto da janela. Mas vou ser direto, aqui não toleramos atrasos, distrações ou... gracinhas.
— Não vai se arrepender — respondeu, tentando disfarçar o nervosismo com um sorriso contido.
Ele apenas assentiu, já voltando aos documentos.
Ao sair, S/N respirou aliviada. Tinha conseguido o emprego. Agora, só precisava mantê-lo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Minha esquentadinha - Aidan Gallagher
RomanceOi, pessoal! 🐸 Criei uma história baseada em uma ideia que tive e queria compartilhar com vocês. Se gostarem, podem votar, isso ajuda muito os criadores a continuarem escrevendo. Quero deixar claro que a história não é hot, pois não quero sexualiza...
