Capítulo 111

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Meta : 15 

Violetta✨🎹


A casa está cheia, mas o silêncio pesa mais do que se estivéssemos sozinhos. O som das chávenas a pousarem no balcão e o cheiro a chá misturado com bolo da Olga não disfarçam a tensão que paira no ar.

Todos estão aqui ,os meus amigos, os professores, o meu pai, a Angie, até o Gregorio e o Beto. Nunca pensei ver tanta gente na mesma sala outra vez... e ainda assim, sinto um vazio estranho.

Encostada ao sofá, olho à volta. Todos falam baixinho, como se tivéssemos medo de acordar uma ferida que ainda está demasiado aberta.

- Eu ainda não consigo acreditar nisto... - diz a Angie, com as mãos cruzadas. -A Ludmila... grávida. E depois o acidente... foi tudo tão de repente.

- Ela sempre foi impulsiva - responde o Gregorio, num tom surpreendentemente calmo. - Mas esconder uma coisa destas... é grave.

O Pablo suspira. - Não é só impulsividade, Gregorio. Às vezes é medo. Medo do que vem a seguir.

- Medo? - o Beto pergunta, mexendo nervosamente na caneca. - Eu diria pânico! A Ludmila grávida... nunca pensei ouvir essas palavras na mesma frase!

- Beto não estás a ajudar - o Pablo chama-o á atenção

A Naty, sentada ao meu lado, aperta as mãos no colo. 

- Eu nem sabia... — diz baixinho. - E somos quase como irmãs.

Sinto um aperto no peito. Ela não é a única. Ninguém sabia.

- Ela devia estar assustada - acrescenta a Francesca. - A Ludmila não é má, só não sabe lidar com o que sente.

Respiro fundo e levanto-me. 

- Eu conheço a Ludmila. E sei que ela não faria isto por capricho. Se escondeu a gravidez é porque não se sentia pronta... talvez nem para ouvir ninguém. - A minha voz treme. - E eu discuti com ela. Disse-lhe coisas horríveis... se ela tivesse ficado pior por minha causa...

A Angie aproxima-se e põe uma mão no meu ombro. - Não penses assim, Vilu. A Ludmila vai ficar bem. E o bebé também. Isso é o que importa agora.

A Olga limpa os olhos com o pano de cozinha. — A minha  menina sempre foi um furacão... mas tem um bom coração. Vai perceber que isto é uma bênção.

Olho para o meu pai, que está encostado à parede, de braços cruzados. Ele parece cansado, mas a voz dele soa firme.

- O importante agora é apoiá-la. E ao Frederico também. - Olha-me com aquele olhar de pai que vê para lá das palavras. - E tu, filha... não podes carregar tudo às costas.

O Ramalho, sempre com aquele jeito simples, assente. - É verdade, Violetta. Nem tudo é culpa tua, sabes?

Olho para ele e sorrio um pouco, mesmo sem vontade. - Eu sei... — minto, baixinho.

A sala fica em silêncio por alguns segundos. O Pablo ergue a chávena e diz, com um tom sereno que me conforta:

- A Ludmila sempre foi uma força da natureza. Se há alguém que consegue sair disto, é ela.

Olho à volta, e por um segundo, sinto o que já não sentia há muito tempo - o estúdio, todos nós juntos, preocupados uns com os outros.
E percebo que, mesmo quando tudo parece desabar, ainda existe algo que nos une.

Léon🎸

A casa da Violetta estava cheia, mas o silêncio era quase ensurdecedor. Estávamos todos espalhados pela sala , eu, o Fede, o Maxi, o Diego, o Andrés e o Broadway. As raparigas tinham ido levar comida à cozinha com a Angie, e nós ficámos ali, meio perdidos.

Leonetta(uma Nova Vida)Onde histórias criam vida. Descubra agora