Capítulo 112

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Meta :17
Violetta✨🎹

O corredor do hospital está demasiado branco, demasiado limpo para o que sinto por dentro.
Saio do quarto da Lu com o coração apertado, mas com a certeza de uma coisa: ela não está confusa. Está decidida.
E isso assusta toda a gente.

Vejo o Frederico encostado à parede, de braços cruzados, o olhar perdido num ponto qualquer. Quando me vê, endireita-se.

- Ela quer falar contigo — digo apenas.

Ele assente e entra no quarto.
Eu fico ali, a alguns metros de distância. Não quero ouvir... mas ouço.

Ludmila🌟💫

- Lu... — a voz dele sai mais baixa do que o normal. - Estás melhor?

- Não é disso que precisamos de falar — respondo , direta, sem rodeios.

Há um silêncio curto. Pesado.

- Eu vou abortar, Fede.

Ele fica imóvel.

- O quê...? — engole em seco. — Não podes dizer isso assim.

- Posso, porque é a verdade. — a minha  voz  não treme.- A decisão está tomada.

- Mas... nós nem falámos a sério sobre isto. Há opções, Lu. Nós somos dois. Isto não é só teu.

- É o meu corpo.  E é a minha vida que vai mudar para sempre.

- Eu posso estar contigo. Nós podemos aprender juntos.

Solto um riso amargo.

- Tu queres aprender. Eu não quero ser mãe. Não agora. Talvez nunca. E isso não faz de mim um monstro.

- Faz-me sentir excluído — ele responde, a voz finalmente a quebrar. — Como se eu não importasse.

- Importas. —  olho-o nos olhos. — Mas não acima de mim.

Ele passa a mão pelo cabelo, nervoso.

- Eu sempre quis uma família, Ludmila.

- E eu sempre quis escolher quem sou. —digo-lhe - Se me amas, não me peças para ser alguém que não sou.

O silêncio volta a cair.

- E se eu não conseguir aceitar isso? — pergunta ele, quase num sussurro.

- Então eu vou compreender. Mas não vou mudar de ideias para te prender.

Estava á espera que ele debatesse

mas não

Ele sai do quarto sem dizer mais nada.

Violetta✨🎹

O Frederico passa por mim sem me olhar.
Os olhos dele estão vermelhos, mas vazios.
E eu percebo: há dores que não gritam.

Entro no quarto da Lu devagar. Ela está sentada na cama, a olhar para as mãos.

- Ele sabe — digo.

- Eu sei.

Sento-me ao lado dela.

- A decisão está mesmo tomada?

Ela assente.

- Não é medo, Vilu. É consciência. Eu sei o que consigo dar... e o que não consigo.

Seguro-lhe a mão.

- Eu respeito-te. — digo com firmeza. — E vou defender-te até ao fim. Porque só tu sabes o que sentes. E porque o corpo é teu. Sempre foi.

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⏰ Última atualização: Dec 26, 2025 ⏰

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Leonetta(uma Nova Vida)Onde histórias criam vida. Descubra agora