TUDO POR NÓS| Sarah é filha de Daniel LaRusso e Robby filho de Johnny Lawrence, será que isso pode dar certo?
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Os olhos de Sarah passeavam pelo tatame enquanto as preocupações inundavam sua mente como nunca. Ali estava Robby, pronto para lutar contra Axel, e isso era preocupante.
— Vai ficar tudo bem — Sussurrou para si mesma, não deixando de roer a unha até deixá-la em carne viva.
— Se continuar assim, vai ficar sem os dedos — Johnny brincou, cutucando a costela dela com a ponta do dedo indicador. — Não se preocupe, ele vai se sair bem.
Ele vai se sair bem.
Era o que Sarah esperava e rezava para que acontecesse.
— Para nossa primeira luta, ou melhor dizendo, revanche — Ghunter começou. — Axel Kovačević contra Robby Keene.
Sarah olhou para o namorado, que parecia tenso, tenso demais para retribuir o olhar dela, o que a deixou ainda mais preocupada. Robby não deveria estar tenso; isso poderia atrapalhar a luta e o foco dele.
Sarah suspirou antes de andar até ele, erguendo uma das mãos e levando-a à nuca dele, puxando-o para um selar de lábios.
— Você vai conseguir, acaba com esse cara — Murmurou Sarah contra os lábios de Robby.
— Eu te amo — A voz calma e cheia de emoção de Robby chegou aos ouvidos de Sarah, esquentando o coração da LaRusso.
Robby segurou ambos os lados do rosto dela, inclinando a cabeça dela para baixo, e deixou um beijo na testa da namorada, que abriu um pequeno sorriso.
— Eu te amo.
Em poucos instantes, Robby já estava de frente para Axel no tatame. A enorme diferença de tamanho e força era visível de longe, mas isso não dizia nada.
Em um piscar de olhos, Axel tentou acertar dois chutes em Robby, que habilmente se esquivou, correndo para trás do oponente, que pareceu surpreso com a agilidade de Keene.
Sarah abriu um pequeno sorriso ao ver que Robby estava usando o que aprendeu quando treinaram juntos. Ele conseguia bloquear todos os ataques de Axel com facilidade visível, fazendo com que Sarah pulasse de felicidade. Quando Kovačević estava pronto para acertar um soco em Robby, este foi mais rápido, acertando um chute no peito do oponente.
— Ponto.
O placar marcou um para Robby e zero para Axel, deixando Keene mais confiante.
— Isso! — Sarah comemorou, batendo a palma da mão contra a de Johnny, enquanto a plateia gritava o nome de Keene.
O ódio nos olhos de Axel não passou despercebido, ainda mais quando ele pareceu usar uma nova tática de ataque. Sarah cruzou os dedos, esperando que Robby soubesse qual estratégia usar.
Os pedidos de Sarah foram atendidos quando Axel tentou usar as duas mãos para acertar Keene, mas Robby segurou ambas e pegou impulso, acertando um chute de dois pés no peito de Kovačević.
O mesmo golpe que ele já tinha visto Sarah usar.
— Ponto!
O movimento foi tão rápido que Sarah não conseguiu acompanhar. Quando percebeu, Axel havia acertado um soco em cheio no nariz de Keene.
— Ponto!
Axel estava pronto para atacar quando Robby se esquivou, mas o chute pegou em cheio na coxa de Keene, fazendo-o grunhir de dor e mancar para criar espaço entre ele e Axel.
Em instantes, Axel partiu para cima de Robby com uma sequência de ataques. Robby demorou, mas conseguiu bloquear todos. Em uma onda de raiva repentina que surgiu dentro dele, Robby empurrou Axel e entrou em posição de ataque. Por alguns instantes, parecia que o antigo Robby do Cobra Kai havia retornado ao seu momento de glória.
Um silêncio tomou conta da arena.
Axel correu na direção de Robby, que pegou impulso, acertando o calcanhar em cheio na têmpora de Axel, que — parecendo em câmera lenta — caiu contra o chão com um baque surdo.
O juiz se aproximou, não obtendo resposta de Kovačević.
— Nocaute!
A plateia ficou em silêncio por alguns instantes antes de gritar em comemoração, levantando-se para bater palmas. Sarah invadiu o tatame, abraçando Robby, que sorriu cansado; para ele, a luta foi longa até demais.
— Vencedor!
O juiz ergueu o braço de Robby, que se soltou dele e foi até Sarah, mancando.
Sarah sorriu, desviando o olhar para Wolf e Silver, que os observavam com um olhar que ela jurava penetrar sua alma.
(...)
— Achei que não fosse vir — A voz já conhecida por Sarah soou atrás dela.
— Eu não te odeio, por mais que eu devesse — Respondeu Sarah, virando-se para olhar Kreese. — E então? O que quer?
Kreese ajeitou a bolsa no ombro e se aproximou de Sarah no deque.
— Eu vou acabar com tudo isso. Vou acabar com o monstro que eu criei. O monstro que tanto te fez mal — Disse Kreese, olhando para Sarah, que ficou ainda mais confusa. — Vou acabar com Terry Silver.
— Algo me diz que eu não deveria saber disso — Comentou Sarah.
Kreese suspirou antes de pegar uma das mãos dela entre as suas, apertando levemente enquanto a olhava nos olhos.
— Eu não posso mudar o passado, mas queria que houvesse um jeito de compensar a dor que, indiretamente, eu te causei — Disse Kreese, olhando a garota nos olhos. — E eu achei esse jeito.
Sarah pôde ver as lágrimas começarem a brotar nos olhos de Kreese, uma visão que ela nunca tinha visto e nunca achou que veria.
— Você e o Johnny foram os filhos que eu nunca tive, as únicas pessoas que eu amei com todas as minhas forças e pelas quais eu daria minha vida — Kreese apertou os olhos, sentindo as lágrimas escorrerem. — Vocês dois são o meu legado, e a minha herança é de vocês.
Sarah sentiu os próprios olhos marejarem enquanto Kreese se afastava para pegar algo na bolsa: o kimono que Sarah usou pela primeira vez ao lutar pelo Cobra Kai.
— Eu tirei o sangue da Luna, demorou, mas consegui — Kreese sorriu.
Sarah apertou o tecido entre os dedos com força e então olhou para ele.
— Você combina com esse dojo mais do que ninguém, e é por isso que ele é seu — Kreese finalmente disse, como se um alívio saísse de seus ombros. — Crie uma lembrança boa para esse dojo. Lute pela última vez com o nome do karatê cravado no seu peito. Mostre a todos quem você é.
(...)
— O Sekai Taikai sempre foi imprevisível, mas este ano foi diferente de tudo. De última hora, tivemos uma alteração de senseis, e o Cobra Kai está sob nova direção do sensei Lawrence — Anunciou Ghunter.
Uma visão que Silver nunca mais achou que veria: Sarah vestindo novamente o kimono preto com bordado amarelo e, ao seu lado, Johnny, que parecia orgulhoso até demais.
— Eles podem fazer isso? — Wolf perguntou, indignado.