𝓬hapter 29

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Eu pude ver a luz nascer pela janela, e só depois disso consegui dormir

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Eu pude ver a luz nascer pela janela, e só depois disso consegui dormir. A insônia era uma das coisas que eu conseguia controlar quando o estresse vinha. Mas aparentemente tudo decidiu sair do controle ontem. Hoje eu tinha pilates, mas avisei, na madrugada, para a professora que não iria.

Provavelmente eu dormi por umas duas horas essa noite, ou melhor essa manhã, com muito remédio e meditação. Pensei em faltar a escola também. Mas eu tinha uma maldita apresentação pra fazer na aula de história. E mais importante ainda, o anúncio de quem seria o mais novo capitão do time de rugby. 

Então me levantei e fui pro banho. 

Estava secando o meu rosto quando recebi uma mensagem da minha mãe. "Vi que não apareceu no café da manhã hoje, filha. Está tudo bem?" Bloqueei o celular sem uma boa resposta. Eu não queria dizer simplesmente "sim, mãe. Só estava cansada" porque ela não acreditaria. Mas não queria ser completamente sincera dizendo que de uns tempos pra cá meus pais parecem mais uma visita do que os moradores dessa casa, porque ou eles têm uma reunião importante ou uma viagem de negócios de última hora. 

Além disso, querem levar a minha irmã pra Londres. A única pessoa da minha família que está presente. Porque, aparentemente, a Golden não é suficiente para a enorme genialidade de Hanni. Embora nem tenham comentado isso com ela. E eu só sei porque ouvi uma ligação do meu pai com alguém da famosa St Paul's School. 

Eu sinto falta dos meus pais, da minha família completamente junta, assim como 2 anos atrás. Eles se afastaram aos poucos, parecendo cada dia mais viciados no trabalho. E eu nunca reclamei, até porque todas as minhas regalias provém desse esforço. Mas eles não parecem mais os mesmos. Aqueles pais que estavam aqui pelo menos aos finais de semana, sem se importar se perderiam alguns investidores. Na verdade, parecem cada vez mais sedentos por dinheiro, insaciáveis. 

Mas esse não é o momento para esses questionamentos que venho evitando há tanto tempo. Faço a melhor maquiagem que posso para tampar o cansaço no meu rosto e não demoro para entrar no carro.

— Bom dia, senhorita. — disse Matias me olhando pelo retrovisor.

— Bom dia. — eu disse com um sorriso mínimo. 

— Tudo bem? — pergunta e eu franzo a testa em resposta.

Ele nunca me perguntou se eu estava bem, nem quando me via irritada. Nossos diálogos sempre foram apenas bom dia, ou meus pedidos para mudar o destino.

— Está tão evidente assim que dormi pouco? — pergunto assim que ele dá partida.

— Não imaginei que fosse isso. Só parece um pouco diferente de alguns dias pra cá. Me desculpe. — ele suspira parecendo arrependido.

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