╰┈➤ 𝐄m andamento {JNK+KTH}
Controle era a palavra favorita de Jennie.
Criada entre fama, dinheiro e a habilidade de moldar tudo ao seu favor, ela sempre esteve no topo. A mais popular, admirada, desejada - intocável. Namorada do capitão do time...
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Eu não entendo.
Jennie ficou estranha de repente, justamente quando o plano finalmente começou a dar certo. Era como se ela quisesse que fôssemos desconhecidos fora da escola. Achei que tivéssemos nos tornado amigos. Talvez até mais do que isso.
Ela diz que é o melhor para o plano, mas eu sei que não é só isso. Jennie está tentando me afastar porque percebeu que existe alguma coisa acontecendo. Alguma coisa entre nós.
Eu sei que existem motivos para alguém como ela não querer alguém como eu. Mas, toda vez que penso neles, nenhum parece realmente se encaixar na nossa situação. Nem com a personalidade da própria Jennie.
Também sei que, por enquanto, não vou conseguir mudar isso. Não enquanto não descobrir o que exatamente está nos atrapalhando.
Então continuo. Tentando manter o plano de pé até o fim do ano. Porque isso nunca foi só por mim. Foi pela minha avó.
Pela mulher incrível que me criou e que ainda me dá motivos para seguir em frente. Ela está melhorando muito com o tratamento, e isso já faz tudo valer a pena.
E, pensando nela, percebo outra coisa: eu nunca falei dela para Jennie. Na verdade, nunca falei quase nada sobre a minha vida. Além do fato de que sou pobre. Será que ela ficou chateada por isso? Por sempre se abrir comigo enquanto eu escondia tudo?
Não sei.
Estou em uma cafeteria estudando, esperando o tempo passar. Como precisei dizer à minha avó que consegui um bom emprego - para justificar o dinheiro -, preciso sair todas as tardes e passar cerca de seis horas fora de casa. Parece muito, mas já me acostumei. Na maioria dos dias, vou para lugares diferentes. Academia. Biblioteca. Cafeterias. Às vezes desenho. Outras vezes apenas caminho pela cidade sem rumo. Quando minha avó vai a clínica eu aproveito pra ficar um pouco em casa.
Olho para o relógio no meu pulso que marca seis e doze. Guardo meus materiais na mochila e vou até ao balcão pagar o expresso e a fatia de torta que que pedi. Nunca tinha vindo a essa cafeteria antes. Ela fica longe de onde moro, uns trinta minutos de moto, perto da praia.
E eu não vou à praia há anos.
Já escureceu.
O outono chegou de vez, trazendo vento frio e nuvens pesadas. Pela cara do céu, vai chover logo. Consigo ver a praia vazia a alguns metros dali. Por algum motivo, decido ir até lá. Talvez porque não tenha ninguém. Nenhuma criança correndo. Nenhuma música alta. Nenhuma confusão. Só o mar.
Assim que piso na areia, sinto as primeiras gotas caírem sobre mim. Eu sabia. Abro o guarda-chuva antes que a chuva aumente, mas não demora muito para o barulho das gotas se tornar forte contra o tecido preto.