𝓬hapter 28

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Se passaram três dias desde o grande dia. O pedido. O beijo. A fama. Tudo de uma vez só. Na verdade, era isso que eu queria, só parece estar sendo uma pressão que eu tinha me desacostumado a lidar.

Agora os olhares, mesmo disfarçados, estão sobre nós a todo momento. Quando entramos de mãos dadas pelo portão. Ao conversarmos entre as aulas. Toda vez que trocamos lanches e carícias no intervalo. E até quando nos despedimos com um pequeno selar na bochecha.

É estranho que eu sinta um incômodo um tanto sufocante com isso? Sim, muito.

Até porque eu sempre tive tudo isso, e amava, quando namorava Yoongi.

Qual é a diferença, afinal? O que faz eu me incomodar com toda essa atenção que eu tanto almejei? Porque não parece mais tão certo?

— Jennie? — ouço a voz rouca no fundo da minha cabeça. — Gatinha?

O apelido carinhoso e o toque no meu rosto me faz piscar e voltar a atenção a Taehyung.

— Tava viajando? — ele sorri me fazendo ter a mesma reação e demorar um segundo a mais para responder.

— Pior que sim. — digo simples, e antes de poder dizer mais alguma coisa o sinal toca indicando o fim do intervalo. — Ah não, física não! — reclamo enquanto entrelaço nossos braços seguindo para o corredor.

Tudo deveria estar perfeito. Treinamos e planejamos cada detalhe para esse "namoro" dar certo. Nos esforçamos para fazer esse teatro ser crível para o público.

E é exatamente isso que acontece, era só seguir o plano. Mas tudo de repente ficou diferente entre nós.

Não posso negar que estou evitando Taehyung fora da escola. Não a ponto das pessoas perceberem — seria muito burro da minha parte. Mas as coisas pareciam estar saindo do controle, e eu tive que fazer o que era necessário.

Ele mal vai a minha casa mais, e quando vai não fica mais que 5 minutos. Nossas mensagens são apenas as necessárias. E as chamadas de vídeo nunca mais aconteceram. Não foi um acordo mútuo, mas acho que ele me entende. É pelo plano.

A cada toque nosso é como se um choque me atingisse e um olhar é suficiente pra eu querer esconder meu rosto porque sinto que ele vai queimar. Eu não faço ideia do que tem acontecido comigo, ou com a gente, e nem quando começou. E o pior: eu não sei como parar.

...

Antes mesmo de pisar no corredor avisto Elena parada com o tablet nos braços e uma expressão tensa no rosto.

— Senhorita, pode vir comigo? — pergunta com a voz serena. Mas eu posso ver que ela roça a unha levemente pela capa do tablet. Involuntariamente um arrepio sobe pela minha espinha.

— Claro. — sigo atrás dela em direção ao escritório da assistente.

Ela se senta apoiando o tablet pela capinha e entrando em algumas redes sociais. Me encosto no batente da porta sem pretensão de ficar ali muito tempo, ignorando a cadeira posicionada ao seu lado. O dia já foi cansativo o suficiente.

Ela me olha parecendo hesitante por cima dos óculos.

— Suponho que não consiga esconder o seu atual relacionamento por muito mais tempo da imprensa, e ocasionalmente, de seus pais. — ela falava um pouco mais formal que o normal. Rígida.

Eu franzo o cenho ao ouvir sua afirmação. Era pra pelo menos isso estar sob controle.

Elena abre a galeria mostrando alguns prints de posts de páginas de fofoca com fotos e notícias sobre mim e Taehyung, que preocupantemente, não eram da escola.

— Eles não param de postar. E... as vezes eu não consigo tirar a tempo de ter visualizações. — ela fala de uma forma rápida e hesitante demais. Então continua arrastando as fotos com o indicador e para em uma publicação específica.

Estreito meus olhos para ver o que estava escrito na legenda. "A herdeira do grupo RuKy foi vista de mãos dadas com outro jovem, até agora não identificado, que não é Min Yoongi, o herdeiro do grupo Grey, que até o Angel Ball ainda era apresentado como seu namorado. Inclusive boatos sobre um possível casamento estavam circulando. Será esse um novo namorado, herdeiro de um grupo maior?"

Merda. Não sei o que me deixa mais irritada em tudo isso. O fato das coisas estarem saindo do controle, ou a forma como comparam Taehyung a Yoongi. Como se ele fosse obrigado a ser de uma família rica, um herdeiro. Como se tudo nele não bastasse para eu ama-lo.

Ama-lo.

A palavra soa em um ponto dolorido da minha mente. Não é o que eu sinto. Não é? Amar me deixa vulnerável. E eu nunca posso estar vulnerável.

Porque assim que estiver, vou dar espaço para que as coisas aconteçam em um curso natural. Não o meu curso. Ou pior, pode dar espaço para ameaças de Yoongi e de qualquer um.

É só o que as pessoas precisam pensar sobre nós. Isso é o plano.

Tem que ser o plano.

Passo as mãos pelo cabelo sentindo minha respiração acelerar. Busco respostas para cada pergunta que minha mente faz, e soluções para todos os problemas que surgiram. Taehyung. Mídia. Família. Mas nada. Absolutamente nada esclarece meus pensamentos. Respiro fundo. Pensa Jennie, pensa. Você sempre sabe o que fazer.

— Inclusive. — ela faz uma pausa até eu voltar minha atenção para ela. — alguns paparazzis mandaram e-mails com fotos que mostram claramente você e o senhor Taehyung como um casal. E estão pedindo um valor alto para não venderem essas fotos. — ela desliga o tablet se virando pra mim.

Fecho os olhos e o silêncio reina por alguns segundos.

— Não importa quanto, transfira agora mesmo. Você tem os dados do meu banco. — retomo a postura e me viro de costas andando para meu quarto.

— Sim, senhorita. — ouço a voz soar longe.

Fecho a porta atrás de mim com uma força inesperada. O quarto completamente limpo e organizado, com um cheiro leve de lavanda pairando no ar. Um enorme contraste com o estado da minha mente, que agora é um completo caos.

Só tenho que dormir. Apenas isso.

Começo a tirar meu sapato e meu acessórios com pressa. Não vejo a hora de pular na cama e apagar. Jogo meu cordão e brincos em cima da penteadeira. Porque eu coloquei tantos acessórios? Começo a tirar meus anéis mas congelo por uns segundos ao ver a aliança.

Exatamente como eu sempre quis. Não aquela mais cara da loja, dourada e grossa que Yoongi tinha me dado. E isso me irrita de certa forma. Porque as vezes parece tão real?

Retiro-a assim como os outros adornos e jogo na mesa de cabeceira ao lado da cama.

Calma, Jennie. Você ainda está no controle. Precisa estar.

Deixo meu corpo cair na cama e fecho os olhos esperando o sono chegar.

E ele não chega.

Esfrego a minha têmpora na tentativa de relaxar.

Talvez eu só tenha que tomar um banho.

Levanto e quase corro até o chuveiro retirando minhas roupas no caminho.

Abro o registro sem paciência pra esperar a banheira encher e deixo a água morna passear pelo meu corpo. Fecho meus olhos tentando trazer o sono. E parece mesmo que ele está chegando, mas uma maldita sensação me deixa alerta de volta. Encaro a parede e apoio as mãos nela.

Não é como se eu soubesse exatamente o que é.

Mas sei de uma coisa: essa noite vai ser longa.

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