╰┈➤ 𝐄m andamento {JNK+KTH}
Controle era a palavra favorita de Jennie.
Criada entre fama, dinheiro e a habilidade de moldar tudo ao seu favor, ela sempre esteve no topo. A mais popular, admirada, desejada - intocável. Namorada do capitão do time...
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Eles não pareciam mais meus pais. Pareciam chefes, ou seja lá o que fossem. Mas não estavam falando como meus pais. Estavam falando como empresários, e somente isso.
- Vocês não podem fazer isso comigo. - afirmei, ainda meio atônita.
- Seus atos têm consequências, Jennie. Você não é qualquer pessoa. Você é a herdeira do grupo RuKy. - meu pai disse, autoritário.
- Vocês não entendem. Eu ia falar, mas estava sendo muito difícil para mim! - meu tom de voz aumentou.
Meu coração batia rápido, e a raiva dentro de mim só crescia.
- Você precisa aprender a colocar as suas responsabilidades acima das suas emoções, filha. - minha mãe disse, fria.
Os dois pareciam completamente confortáveis com aquela conversa. Como se estivéssemos discutindo o almoço de hoje. Como se só eu estivesse descontrolada. Como se eu fosse a errada da história.
Baixei o olhar, tentando não chorar. Pelo menos não na frente deles.
- Eu não sou um robô. - Fiz uma pausa para estabilizar a voz. - A Hanni não é um robô. Não somos peças de um tabuleiro. - continuei, ainda olhando para o chão.
- Não, não são. Mas são nossas filhas. Nossas herdeiras. E precisam continuar o nosso legado. Esse é o preço a se pagar por ser rica e admirada. - meu pai respondeu tranquilamente.
Uma de suas mãos descansava sobre a mesa, enquanto a outra permanecia apoiada no encosto da cadeira. Como se nada estivesse acontecendo. Como se tivesse ensaiado aquele momento diversas vezes.
Meu corpo inteiro tremia, e minha respiração acelerava a cada segundo.
Minha mãe segurou minha mão e olhou dentro dos meus olhos.
- Com o tempo você vai entender que isso é o melhor para você.
Puxei minha mão de volta e corri para o meu quarto.
Ele estava exatamente como todos os dias. Perfeitamente organizado e limpo. O mesmo cheiro de lavanda pairava no ar. Como tudo o que eles estavam fazendo. Mantendo a minha vida organizada sob o controle deles.
Num impulso de raiva, comecei a jogar tudo o que havia sobre a penteadeira no chão. Perfumes caros, joias, maquiagens. Tudo me lembrava o poder que eles exerciam sobre mim. Sobre toda a minha vida.
As lágrimas já encharcavam minha roupa.
Um grito saiu arranhando a minha garganta. Mas nem isso aliviou o meu desespero.
Minhas costas bateram contra a porta, e meu corpo deslizou lentamente até que eu estivesse sentada no chão.
Enterrei o rosto entre os joelhos.
Meu choro ficava cada vez mais dolorido, interrompido por soluços que eu já não conseguia controlar.