Pov. Allana
Essa semana está passando rápido demais.
Entre faculdade, apresentações, planilhas, fechamento de relatórios e uma quantidade absurdamente irresponsável de café... mal tive tempo de parar para pensar nas mensagens estranhas de segunda-feira.
O que talvez tenha sido exatamente o motivo de eu não comentar aquilo com ninguém.
Porque, racionalmente? Parecia só alguém inconveniente. Provavelmente alguma pessoa com tempo livre demais e senso de limite de menos.
Mesmo assim...
Quando acordei nessa quarta-feira, a sensação ruim ainda estava lá.
Aquela impressão estranha de que alguma coisa tinha saído minimamente do lugar.
O visor do celular marca 06:50 quando termino de prender o cabelo em frente ao espelho do banheiro.
Do lado de fora, escuto Ayla cantando alguma música aleatória.
Pelo menos ela está completamente recuperada agora.
Saio do quarto terminando de colocar os brincos, desço as escadas e encontro a Carla sentada no sofá com uma xícara de café nas mãos e uma expressão supostamente satisfeita no rosto.
O que nunca é um bom sinal.
Carla: Então...
Nem olho pra ela.
Allana: Bom dia, e não começa.
Carla começa a rir imediatamente.
Carla: Impressionante como você já sabe exatamente sobre o que eu quero falar.
Allana: Porque eu conheço essa sua cara de fofoqueira.
Ela coloca a mão no peito dramaticamente.
Carla: Isso foi extremamente ofensivo.
Ayla aparece correndo no corredor logo em seguida.
Ayla: Tia, achei meu tênis!
Carla aponta imediatamente.
Carla: Tá vendo? Pelo menos uma pessoa dessa casa contas as coisas para mim.
Fecho os olhos imediatamente.
Carla começa a gargalhar.
Ayla olha entre nós duas completamente confusa.
Carla: Pergunta pra sua irmã sobre o chefe dela.
Allana: Carla. Não coloca a criança no meio das suas paranóias.
Ela levanta as mãos inocentemente.
Carla: Tá bom. Parei. A Ayla já tomou café da manhã tá.
Mentira. Ela claramente não parou.
Ignoro completamente antes de conferir o horário outra vez.
07:10h
Allana: Ayla, você precisa escovar os dentes. A gente já tá atrasada.
Ayla corre de volta pro quarto enquanto termino de organizar algumas folhas da faculdade dentro da bolsa.
Meu celular vibra em cima da bancada.
Franzo levemente a testa ao ver o nome na tela.
Enzo.
Atendo tentando parecer normal.
Allana: Bom dia.
A voz dele atravessa a ligação calma. Grave.
Enzo: Bom dia. Você já saiu de casa?
Pego as chaves do apartamento.
Allana: Tô saindo agora. Por quê?
Existe uma pequena pausa antes dele responder.
Enzo: Um motorista vai buscar vocês hoje.
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A secretária
RomansaAllana Martins, acaba de ser demitida de seu emprego como garçonete em um restaurante, e sai a procura de um novo emprego, já que com o falecimento de seus pais ela tem que cuidar de sua irmã mais nova Ayla. Depois de uma semana de procura, ela vê...
