fifty-nine

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12/09/2015

"Lou, tem algumas caixas vazias ainda, vai querer usar elas pra colocar mais alguma coisa ou deixa o que está solto no carro mesmo? Acho que não tem problema", o de cabelos cacheados — agora bem mais longos do que antes — entrou no quarto e jogou essa questão para Louis, que terminava de encaixar algumas coisas que tinham um certo perigo em quebrar.

Os dois estavam no pequeno apartamento de Louis, arrumando as últimas coisas que precisavam para a mudança. Em um ano, eles decidiram muitas coisas, mas essa última decisão era a mais drástica de todas, aquela decisão estaria fazendo parte da vida dos dois para sempre e eles sabiam disso, por esse mesmo motivo que concordaram de prontidão.

"Hm, se a caixa for pequena, tem alguns consoles de vídeo-game aqui, então a gente pode colocar para não quebrar durante a mudança, mas se for grande demais pode dobrar ela e colocar no carro, a gente leva assim mesmo", o mais velho coçou a barba rala, olhando para os quatro consoles que estavam depositados sobre sua cama.

"Acho que tem uma pequena também, já trago ela pra você", Louis assentiu, recebendo um selinho do namorado antes do mesmo sair para pegar a caixa.

Louis ainda lembrava-se de como tudo passou rapidamente; o pedido de namoro estava fazendo exatamente um ano naquele dia e Harry podia ter se esquecido — não propositalmente, afinal, aquele havia sido um dia tão especial para o garoto que ele considerava um pecado esquecer —, mas o mais velho dos dois sorria sorrateiramente ao lembrar-se da surpresa que estava sendo preparada por seus amigos.

Como Harry, no baile de um ano atrás, Louis havia planejado até os mínimos detalhes e explicado para Liam, Sophia, Niall e Zayn, e os quatro estavam dando duro para tudo sair da forma que o amigo queria. Na verdade, eles mais do que qualquer um queriam que tudo saísse maravilhosamente bem, porque nunca viram Harry tão feliz com alguém como estavam vendo. Louis fazia-o bem e Harry era a cura do mais velho, era claro.

Ainda lembrava-se das palavras do cacheado quando contou-lhe sobre seus pesadelos.

(...)

"Lou...", Harry chamou o namorado o que achara ser pela terceira vez, agora obtendo resultado. "O que foi, babe? Você está estranho, me parece nervoso."

Louis nunca saberia explicar como Harry sabia escolher as palavras e o tom de voz correto para usar. O menino sempre conseguia acalmar-lhe, apenas com o sútil som de sua voz rouca e profunda.

"São esses sonhos", o garoto suspirou, sabendo que, uma vez que tinha comentado sobre isso, não teria mais escapatória a não ser explicar ao mais novo do que os sonhos se tratavam.

Talvez eles tivessem se tornado ainda pior ao que o rosto de Harry começara a aparecer neles, como se Louis fosse tão tóxico ao garoto mais novo e a si mesmo que um dia poderia matá-lo. O cacheado aparecia nitidamente, com o rosto queimado em algumas partes, lágrimas escorrendo sorrateiramente e, sempre, um sorriso singelo no rosto. O resto do cenário eram borrões alaranjados, provando estarem em um lugar pequeno que pegava fogo naquele momento.

Louis conseguia sentir o calor do fogo próximo aos seus braços e pernas, mas um frio enorme sempre percorria por suas mãos ao que ele acordava, como se ele estivesse vivendo o sonho, mesmo quando acordado. Era como se os toques do fogo em sua pele não causasse queimaduras, apenas uma coceira irritante, mas o gelado — que parecia ser de uma faca — nunca passava. Era um momento que se fixava em sua mente e o fazia sonhar acordado.

Olhos plenamente abertos, boca seca, mãos trêmulas e um desligue momentâneo atacava o mais velho. Todas as noites e, algumas vezes, também de dia.

Deep Web (Larry Stylinson AU)Onde histórias criam vida. Descubra agora