Capítulo VII - As Frustações

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REVISADO

Desde da internação da minha mãe, que já se passaram um mês, a minha vida está uma completa loucura! Não tenho tempo para mais nada, minha vida se resume: a cuidar do meu pai, da casa, ir ver minha mãe, me estressar com o médico gato que está cuidando da minha mãe e com Otávio, também, que sumiu... simplesmente! Nunca mais me procurou depois da nossa transa, como ele classificou... Tentei muito falar com ele, mas, não retornou as ligações e nem respondeu as recados... essas duas últimas são longas histórias que irei contar em detalhes.

As prioridades no momento são duas, primeira: a melhora da minha mãe que é tudo que mais quero, mas está tão difícil... Pelo menos ela não tem piorado, mas melhorado também não, tão difícil isso! E a minha outra prioridade é arrumar um emprego, apesar do emprego do meu pai pagar o convênio e as despesas médicas de minha mãe, ele não está dando conta de todas as despesas, e além do mais, quando ela sair do hospital terá que continuar tomando remédios e isso não será barato.

Creio que me ocupar nessa hora é uma boa! Não aguento mais ficar em casa com meus pensamentos, porém, todos os lugares que vou recebo um não! As pessoas querem para trabalhar, em seus estabelecimentos, alguém que tenha experiência, mas se ninguém me der uma oportunidade como terei experiencia?! Pensei em pedir uma ajuda ao Otávio, uma vez que o pai dele é praticamente o dono da cidade. Isso poderia ser um pretexto para ele falar comigo, acho que nesse ponto ele não se negaria... ele deve estar me evitando por saber que minha mãe está internada. Vou ter que procurá-lo ainda hoje.

Estava literalmente exausta e triste depois de ouvir muitos nãos de quase todos os lugares que poderia arrumar emprego nessa cidade. Ir para uma cidade vizinha, estava fora de cogitação, afinal, tinha minha mãe para cuidar, precisava estar presente no hospital e de prontidão sempre que necessário, e ainda sem carro, cada dia que passa tenho mais certeza que quero ir embora dessa daqui.

Ultimamente minhas visitas eram em horários que não encontraria o Dr. Léo gato, porque, o que tinha de lindo tinha de irritante! Meu Deus, não tinha nem mais forças para ser grossa com ele...

Estava no quarto com mamãe tentando disfarçar todo meu sofrimento e tristezas quando quem entra? Ele!

- Olá mocinha, quanto tempo não te vejo aqui visitando sua mãe!

Porque diabos esse carinha adorava me chamar de mocinha, Senhor, que coisa irritante, ele me trata como se eu fosse uma adolescente mimada!

- Olá Doutor, por acaso você e toda sua soberba estão insinuando que eu não tenho ligado a mínima para minha mãe? - Falei extremamente irritada!! Como ousa dizer isso quando venho aqui todos os dias e tenho me esforçado tanto?!

- Nossa!! calma mocinha quanto nervosismo! Eu não estava insinuando nada, apenas fazendo uma observação...

Ele continuava com essa mania irritante de me chamar de mocinha. Nossa senhora dos médicos gatos ou esse cara cala a boca ou farei um escândalo nesse hospital para que troquem de medico para minha mãe!!!

- Mocinha... eu NÃO SOU MOCINHA – quando percebi minha voz tinha saído como um grito...

- Lily querida! Não fale assim com o Doutor Léo, não foi assim que eu e seu pai te educamos!

Pronto!Ponto para você Doutor! Tudo dando errado e mais essa agora... minha mãe está desapontada, apesar de ter falado com a voz calma de sempre, mas me dando aquele olhar de quem "vou te matar"!

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh

Sai do quarto e bati a porta, corri para os bancos do lado de fora do hospital. Precisava respirar, precisava sair dali... Meu Deus!! Eu queria sumir... quanta coisa acontecendo e vem esse doutor para me deixar mais irritada ainda!!! Porque ele simplesmente não cala a boca e age somente como médico da minha mãe que é, só isso, que ele é mesmo!?

Estava de cabeça baixa, tentando recuperar a calma, de repente, sinto no meu ombro uma mão... estranha sensação de conforto. Meu coração acelerou e por um instante tive a impressão de que era Otávio... Virei com o sorriso mais encantador do mundo já pronta para abraçá-lo e beijá-lo... Meu Deus, como precisava dele nesse momento.

- Otávio? – não, era o insuportável do Doutor... explodi! Não aguentei e sai falando tudo que devia e não devia.

– Escuta aqui Dr. Léo, não sou mocinha, odeio quando você me chama assim, quem você pensa que é para me tratar como uma criança mimada?? Eu larguei tudo, larguei meu sonho de fazer a faculdade de Direito, em que passei em quarto lugar na São Francisco, para cuidar da minha mãe! Abri mão dos meus sonhos de sair dessa cidade horrorosa... estou aqui cuidando, todos os dias, da minha mãe. Você não tem me visto... porque tenho evitado te ver, porque mesmo você sendo o cara mais lindo que já vi, você me irrita, estou exausta! - Eu disse o cara mais lindo que já vi? ops , ah! Dane-se também!

- Meu pai não pode pagar todas as contas e os remédios que minha mãe terá que tomar após sair do hospital. Estou que nem louca procurando emprego e ninguém, ninguém, nessa maldita cidade, me dá uma oportunidade, então, não preciso de mais alguém me julgando...

Comecei a chorar, a chorar de verdade, a colocar para fora tudo que estava dentro de mim e o que esse idiota fez: em vez de sair depois de tudo que eu disse, ele me abraçou e me deu aquele abraço que precisava do Otávio, que tinha sumido! Precisava tanto disso que retribui o abraço.... Meu Deus além de gato, ele é cheiroso demais!!! E tem os braços mais gostosos que senti na vida!! Porque ele não podia ser assim sempre, tão compreensivo?

Ele não falou absolutamente nada, apenas me abraçou e quando me dei conta que estava gostando desse abraço, me senti mal, me senti traindo o Otávio. Patético, né? Ai parei de retribuir aquele delicioso abraço e ele me soltou.

- Vai dar tudo certo – ele pegou no meu queixo me fez olhar nos seus olhos e disse – Mocinha! - com um sorriso lindo e uma piscadinha de quem queria me irritar.

Depois... É depois fez o que?! Simplesmente saiu. E eu sem entender absolutamente nada!!

Sai do hospital atrás de Otávio, precisava vê-lo, precisava chorar para ele e sentir o seu conforto, afinal, era ele o cara que eu amava, o cara para quem me entreguei! Fui até a cidade para encontrá-lo, por sorte fui na lanchonete mais badalada da cidade e lá estava ele com seu grupo de amigos. Nossa... muitas meninas estavam juntas também, porque nunca me levou para conhecer seus amigos? Será que ele tinha vergonha de mim??

Dei uma ajeitada no cabelo e entrei, quando estava me aproximando veio uma menina morena e lhe deu um beijo, mas um beijo de cinema... um beijo que nunca me deu... Meu coração parou, acho que até me esqueci por um instante o que era respirar... Agi sem pensar...não, a idiota aqui não pulou no pescoço dela e nem foi lá falar com ele! Simplesmente corri derrubando a garçonete que estava com uma bandeja na mão fazendo um barulho horroroso que fez com todos, inclusive ele e a vadia, me vissem! Quando olhei dentro dos seus olhos e vi a sua cara de surpresa, passou um filme na cabeça, como se esse fosse o último dia da minha vida, porque há quem diga que, quando vamos morrer passa um filme da nossa vida na mente, em fim, a última imagem que tinha dele era me tomando como sua, me fazendo mulher... e esta imagem estava se esfarelando com a imagem daquele beijo, de sua mão acariciando a cintura de outra.

No mesmo instante largou a menina e veio correndo atrás de mim.

Quase um Conto de Fadas - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora