Capítulo I - A descoberta

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REVISADO

Estava terminando o colegial e esperando o resultado do vestibular, havia prestado para a faculdade São Francisco em São Paulo. Meu maior desejo era o de fazer faculdade de Direito e depois me tornar juíza.

Meus pais sabiam, que caso entrasse na faculdade, teria que me mudar o que seria a realização de dois sonhos em um único momento: fazer a faculdade de direito e sair de Motuca!.

Era quinta-feira, eu estava com 17 anos, ansiosa para pegar o resultado que sairia logo pela manhã de sexta-feira. Não consegui dormir, por conta da ansiedade, e me lembro como se fosse hoje, que seria um dia péssimo para mim.

Acordei diversas vezes, durante a noite, e em uma dessas vezes escutei minha mãe conversando com meu pai. - Augusto olha para mim, estou toda molhada novamente! Mais uma noite em que transpiro a ponto de molhar o pijama, tenho febre e estou com frio. Há dias que não tenho apetite... não consigo melhorar Augusto! Estou começando a ficar preocupada e hoje é um dia tão importante para nossa pequena Lily, o que vamos fazer?

Mamãe sempre foi uma mulher forte, nunca a vi doente, até gripe era difícil de ter, porém, essa semana toda, percebi que não estava se alimentando direito, mas toda vez que a questionava me dizia que era ansiedade pelo resultado do vestibular. Algo dentro de mim sabia que ela não estava bem e essa madrugada isso estava se confirmando e nesse momento tudo começou a mudar e virem nossos maiores problemas...

- Querida amanhã vamos ao médico. Não podemos mais esperar, até para caso a Lily mude, precisamos saber o que está havendo antes que ela nos deixe, Susan.

A voz do papai parecia preocupada, encostei na porta sem ser notada para ouvir e entender melhor o que falavam. Meu coração batia acelerado, porque quando ele disse em mudança, percebi, o quanto poderia afetá-los caso realmente minha mãe estivesse doente.

- Não podemos Augusto!, Amanhã é o grande dia da nossa filha, não posso estragar o dia dela, não quero e não tenho esse direito. Não há de ser nada querido, eu vou ficar bem.

- Mas Susan... há dias você acorda a noite queimando de febre e com o pijama encharcado de suor. Você não come mais, não dorme direito, não é questão de estragar os sonhos dela ou de não ter direito, é sua saúde meu bem. Lily não nos perdoaria se deixássemos isso passar em branco como se fosse um simples resfriado, porque nós sabemos que não é, não podemos mais esperar para entender o que anda acontecendo esse tempo todo, está decido amanhã assim que acordarmos iremos ao médico!

Escutei minha mãe chorar e meu pai parecia tão preocupado quanto eu, nesse momento, tive que intervir na conversa e fazê-los ver que estava ouvindo tudo. Chega de esconder as coisas de mim, tenho direito de saber, não sou mais criança!

- Mãe, pai, tudo bem por aqui?

- Sim querida, apenas acordei indisposta, deve ser ansiedade meu amor! Saber que minha filha está crescendo e prestes a realizar seu sonho mexeria com qualquer mãe não é!

Mamãe me disse com o olhar distante e preocupada por eu ter notado o que tentava me esconder, decidiu mudar o foco da conversa, mas não iria ia cair nessa!

- Não pude deixar de ouvir mãe..., amanhã vocês vão ao posto de saúde da cidade e eu vou pegar o resultado do vestibular, quando chegarmos em casa, vocês me contam o que o médico disse e eu conto o resultado. Sua saúde em primeiro lugar mamãe, e também, é só um vestibular posso passar ou não. Ainda não é minha ida a faculdade e muito menos minha formatura.

- Mas querida eu queria estar lá... - Logo interrompi, os olhos da minha mãe marejavam e se chorasse iria acabar cedendo.

- Não mãe, já está resolvido!! E se for ansiedade o médico precisa te medicar antes que vire algo sério. Boa noite e se cuida!

Quase um Conto de Fadas - DEGUSTAÇÃOOnde histórias criam vida. Descubra agora