"Eu Quero-te." Era o que eu trazia em mente para serem as primeiras palavras que eu viria a dizer a Danniel quando ele me viesse buscar para essa festa. Mas acham que eu conseguiria? Claro que não. A minha coragem é nula. É fucking inexistente. Eram nove da noite certas quando eu me deí como pronto para sair. Levava umas calças de ganga altamente básicas. Uma camisa branca com uma camisola de malha bordô por cima e um blusão igualmente de ganga, não era nada de novo, nem de muito chique. Era apenas a minha roupa normal. A única cena que me entusiasmava acerca daquilo era ter umas horas extra fora do normal para continuar a observar Danniel á distância. Ou então estar perto dele é fingir que não se passa nada á anos. Não sei qual destas opções me iria fazer sentir pior. Ficar longe mata-me. E ficar perto sem puder dizer que é meu faz-me igualmente morrer.
Ao contrário do que eu esperava ele chegou num carro com metade do liceu nele. Todo o Romantismo foi sepultado ali naquele momento. A minha oportunidade de dizer "Eu Quero-te" Teria de ser adiada ou apenas esquecida.
Foi constrangedor. Pensei duas vezes antes de entrar naquele carro, todos sabem que eu não sou um rapaz propriamente sociável e podemos dizer que odiava tudo o que consomi-se o mesmo ar que eu. Imaginar-me sentado num carro com metade de uma equipa de um clube de desporto qualquer seria o meu pior pesadelo. Mas eu entrei. Por Danniel, eu pus em questão todas as minhas teorias de vida e regras de socialização. Mas era hoje. Eu tinha tudo o que precisava, não tinha dinheiro, é também não precisava de Drogas. Só precisava de ele e de mim para isto correr bem.
Não sei que "ataque de confiança" me deu nesse dia, mas tudo o que me passava pela cabeça era contar-lhe o que sentia. Mas eu sei que não iria conseguir. Para todos os efeitos. Escrevi num papel "Eu Quero-te" e assinei, e se o Plano correr mal eu dou-lhe-o, era o meu plano B.
Chegamos.
Fui para um canto.
Sentei-me.
Toda a gente dançava, Bebia, Fumava tudo menos tabaco. E Drogas era o que não faltavam. Eu só olhava para o relógio, Lembrava-me que não estava em casa. Preguntava-me o que estava ali a fazer. Nada sem ser perder tempo, cada segundo mais perto da morte. Com tudo já eram duas da manhã e um ser Feminino aproximou-se. Sentou-se do meu lado, comecei a Soar, nunca tinha dito uma conversa com alguém que estivesse sentado tão perto. Parecia que os meus ossos iam partir-se ali.
Apresentou-se. O seu nome era Karma. Poderia fazer uma piada sobre o seu nome, mas limitei-me a Dizer "I'm Drew." Ofereceu-me um cigarro. Aceitei. Deu-me Lume. Até que chegou a pergunta que eu andei a evitar desde que cheguei "O que fazer aqui?..." Tinha vontade de lhe contar, ela transmitia confiança, Algo que só Danniel me transmitia.
Abri a boca para tentar articular, mas não consegui, até que me limitei a apontar para Danniel (Que neste momento estava a dançar com um suposto Rick. Sim, estava com ciúmes, mas ele não era meu então não disse nada...) Karma entendeu o que eu quis dizer só com um simples apontar de dedo. E disse "Então viemos ao mesmo..." e apontou para uma rapariga sentada numa cadeira com mais duas ou três raparigas. Trocamos números de telemóvel...
Karma era alta, magra, cabelo curto e franja mais preto que a noite. Pele clara, olhos verdes. Fazia-me lembrar o meu falecido amigo, mas versão feminina. A Sua "amada" era baixa, Loira, pele igualmente clara e olhos azuis.
Foi bom saber que não era o unico que vinha só em busca de um pouco de amor. Ou sei lá o que aquilo era.
Karma disse silenciosamente "Boa sorte...", suspirei e disse "Igualmente...".
Ela levantou-se e desapareceu entre os seres que dançavam cansado os seus corpos para puderem ter algum tipo de pagamento sexual ao fim da madrugada. Eram 4 da manhã, eu já não estava em mim, acho que era do sono, ou do álcool. Peguei no meu "Comprimido da felicidade", coloquei-o por baixo da minha língua e rezei para que o efeito fosse rápido. Senti os meus olhos a secarem, os meus céus colidirem. Levantei-me num "flash" que ativou todos os meus sentidos e pontos vitais, lembro-me de derramar a minha bebida no chão. Não me importei.
Corri, ou melhor, apressei o passo até perto de Danniel, não sei de onde surgiu tanta força mas, meio que por impulso puxei Danniel pelo braço, tocar-lhe foi a melhor sensação, era como ter toda a minha vida e o meu mundo nas minhas mãos. Entreguei-lhe o papel... ele não agarrou em tão pequeno papel de imediato, perguntou-me do que se trataria, eu disse-lhe ao ouvido "Tudo o que te deveria ter dito antes de me afogar em palavras..." Ele segurou no papel e, com rapidez, lê-o...
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Not Me. (Não Terminado)
Teen FictionAndrew. 17 anos. Não sou feliz, mas também não sou triste. Apenas não sou normal. E esta é a minha história.
