CAPÍTULO 1

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— Aaaaaah! Eu não consigo tia Esla! É muito difícil fazer o pupicage.


— Claro que você consegue, meu bem! Veja seus coleguinhas, estão todos fazendo, mas vocês precisa tentar Belinha. – a pequena de grandes olhos castanhos escuros e o cabelo black power mais lindo do mundo, olha para seus colegas e resolve tentar. Depois abre o sorriso mais lindo do mundo com suas janelinhas, por ter conseguido e isso me enche de felicidade.


Sempre que posso alegrar a vida dessas crianças que só querem ser amadas, mas que na verdade estão me fazendo um bem danado.


Cresci num orfanato misto nunca soube quem eram meus pais e quando fiz 18 anos fui obrigada a me retirar. Não tenho nenhum trauma, ao contrário de muitos que cresceram em um orfanato, gosto de pensar que tenho muita sorte e que o Universo sempre conspira a meu favor.


No entanto, como toda criança cresci com aquela pergunta: "Por que eles não me quiseram?", depois de um tempo parei de fazer essa pergunta, para ter essa resposta precisaria encontrá- los e eu não tinha a menor ideia por onde começar a procurar aqueles que me fizeram e rejeitaram.


Ester Laura dos Santos é o nome que consta na minha certidão de nascimento e até hoje não sei por que tenho esse nome duplo, que ainda por cima não têm nenhum sentido sonoro, se é que você me entende? E por causa disso recebi um apelido mais bizarro ainda: "Esla" e pegou às vezes me esqueço do meu nome.


Resolvi empurrar para bem fundo da minha cabeça e coração esses questionamentos e comecei a ir atrás dos meus sonhos e objetivos, já que não tinha ninguém com quem contar, hoje me considero feliz, curso Gastronomia junto com Luci, que na verdade se chama Luciana, minha melhor amiga e sócia.


Montamos um pequeno negócio de doces que começamos a vender na faculdade para fazer um extra, já que meu salário de ajudante de cozinha era pouco e o de Luci como balconista de lanchonete também. E deu tão certo que resolvemos investir. E agora estou aqui na loja às voltas com obras e uma inauguração em cinco dias, estou muito nervosa e a Luci me deixando louca com o seu nervosismo elevado a estratosfera.


Esla! O que você tanto pensa? — Ela quis saber.


— Em toda a nossa história, no orfanato e o quanto eu queria ter meus pais para dividir as minhas conquistas. – Respondo e minha amiga me dá um abraço apertado e me seguro para não chorar. — Daqui a cinco dias fazem dez anos que saí do orfanato, mas parece que foi ontem, como pode? — Pergunto mais para mim do que para ela.


— Talvez seja pelo fato de você voltar lá todo mês para dar aulas de culinária para as crianças. Tem pessoas que nunca mais procuram o orfanato onde cresceram e você faz justamente o contrário.


— Sou grata, simples assim! Meu caminho poderia ter sido completamente diferente, hoje eu poderia ser uma moradora de rua, garota de programa. Ainda bem que fiz todos aqueles cursos profissionalizantes. Vem vamos continuar as obras, faltam cinco dias. — Falo mais para mudar de assunto. Não quero tristeza.


Apesar de Luci me conhecer desde os 15 anos, estudamos juntas em escola pública. Amo seus pais como meus, sempre que podiam me levavam para passear e como Luci é filha única nos consideramos irmãs de alma, até porque ela é loira de olhos bem azuis, que às vezes ficam cinza e até verdes, eu sou o seu oposto negra, com um belo cabelo black power, olhos e cabelos pretos, sou um pouco baixa nem magra e nem gorda já a minha amiga é alta e magrela, ela odeia quando a chamo assim, mas não vemos esses detalhes e sim o coração uma da outra.


Quando saí do orfanato fique durante um ano em sua casa, maior parte por insistência dela e de seus pais, porém aquilo me incomodava demais, naquela época eu não tinha opção. Até hoje 'todos os domingos eu almoço com os "Costa", se eu não vou a senhora Eva e o senhor Alfredo reclamam tanto que às vezes me arrependo de não ir. Com esses pensamentos terminamos a parte do estoque que faltava montar e as prateleiras, amanhã vamos para a cozinha. Não vejo a hora de ficar pronto! Mais um sonho a ser realizado.


Nunca me vi trabalhando com outra coisa é bem como li em um livro certa vez: Escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida. Confúcio.


E é a mais pura verdade, quando estou aqui o tempo passar num piscar de olhos e quando vejo está tarde para ir embora para casa.


Entre Sonhos & DocesOnde histórias criam vida. Descubra agora