Sorte que Hugo me segurou. Mas o que ele fazia aqui àquela hora da noite? Já passava das 22h e ele havia ido embora depois do nosso pequeno bate boca.
— Me larga agora! Quer dizer, me levanta por favor! — Hugo me levanta e eu me recomponho do susto. Ele está um misto de preocupado e aliviado.
— Você é doida de sair a essa hora? Onde está a sua amiga e o Caio? E por que não chamou um táxi? E ainda por cima anda na rua com celular na mão. Poderia ser outra pessoa sabia garota?! — ele fala tudo de uma vez e fico sem palavras. — Que foi? O gato comeu sua língua? Anda fala! Estou esperando! - e cruza os braços na frente do corpo e fecha a cara. Nem sei o porquê, mas me darei ao trabalho de responder a cada questionamento.
— Quem você pensa que é para falar comigo assim? Eu não estava tão distraída assim eu estava tentando arrumar um táxi, e não está tão tarde assim. Minha nossa, são 22h. Caraca! — ele me olha como quem diz, viu eu tenho razão com aquela sobrancelha perfeitamente arqueada.
— Vem vou te levar para casa! — Ele declara, como se eu fosse uma criança — Eu mato o Caio por deixar você para trás, e ainda fica me dando sermão de que eu tenho que ser mais cavaleiro com as mulheres, conversa! — eu olho pra ele ainda sem saber o que dizer e ele me arrasta para o carro e pega as minhas coisas.
Ainda estou sem saber o que dizer, não consigo articular as palavras. Parece que meu raciocínio desapareceu com a presença de Hugo, nunca fui desse jeito, pelo contrário sempre sei o que dizer quando dizer, mas com ele nada sai. E quando percebo já estamos dentro do carro em movimento.
— Me imaginando sem roupa ainda — ele sorri e me olha. — Assim eu vou me sentir obrigado a satisfazer seus desejos.
Com isso eu saio do meu estado de inércia total e começo a falar.
— Eu sou bem grandinha para ter babá, e o que você estava fazendo me espionando? Não quero sua carona e não devo satisfações da minha vida e sei me virar muito bem sozinha. Eu não te conheço e nem você a mim, então não me trate como se fôssemos velhos amigos, ouviu bem?! —
ele aproveita que o trânsito parou e me olha bem nos olhos e acho que parei de respirar, porque é tão intenso que parece que minha alma vai sair do corpo.
— Olha só garota, estou te fazendo um favor e deus sabe o que aconteceria se os dois pivetes que estavam indo na sua direção iriam fazer com você, então você deveria me agradecer e não me ofender. – começo a piscar sem parar, porque naquela região depois de uma certa hora realmente tem alguns garotos de rua que circulam por ali. – Digita no GPS o seu endereço, por favor! — Assim faço sem dizer mais uma vírgula e tenho de reconhecer que a cidade anda bem violenta.
Ele volta a sua atenção para a pista e vamos em total e o mais absoluto silêncio. E quando me dou conta estamos na frente do meu prédio e decido agradecer.
— Obrigada! Você tem razão em partes! – logo ele ameaça a fazer uma expressão de quem estava certo, mas logo o corto. — Eu disse em partes, não vi realmente os dois meninos e eu queria economizar, porque a corrida sairia uma fortuna.
— Eu voltei porque queria me desculpar, arrisquei, na verdade nem achei que fosse encontrar você por lá.
— Eu estava adianto alguns doces para amanhã, na verdade os recheios. Tenho um dia corrido e quanto mais adiantado o serviço, melhor será - ele continua me olhando daquela forma que me paralisa e não sei o que fazer e num impulso saio falando feito metralhadora.
— Em agradecimento, deixa eu te oferecer uma água, café, ou um lanche, afinal a volta será longa. É o mínimo! Insisto – de onde tirei isso? Agora já foi e fico aguardando.
Então ele simplesmente sai do carro, dando a volta e abre a porta para eu descer e faz um gesto para que eu vá na frente dele e então me acompanha até meu apartamento que fica no segundo andar.
A medida que vamos chegando próximo a minha porta fico mais e mais ansiosa e tensa, não sei explicar a sensação. Então tento achar as minhas chaves quando ele pega as minhas coisas e me deixa apenas com a bolsa nas mãos e acabo achando minhas chaves e entramos em silêncio que agora está me matando, quando ele diz:
— É bem legal aqui! Aconchegante, não é muito espaçoso, mas gostei. — e meu sangue nessa hora ferve e eu começo a fala com irritação com ele.
— Eu não pedi sua opinião sobre meu apartamento. Eu sei que ele é peque...
Não termino de falar porque Hugo me beija e eu me vejo retribuindo o beijo e tudo que imaginei sobre sua boca é mil vezes melhor sem comparação com qualquer beijo que eu tenha dado na vida e só quando estou perdendo o ar ele para de me beijar, puxando meu lábio inferior e dando beijos curtos em seguida.
— Pronto! Agora sim acho que você ficou mais calma, mas tenho que admitir que foi melhor do que eu esperava. — oi?! Como assim?!
— Oi?! — ele se aproxima e eu dou um passo atrás e caio sentada no sofá.
— Eu queria fazer isso desde a sua descrição sobre mim na sua loja. E quero te beijar de novo. — E quando menos espero ele ataca a minha boca novamente.
Não sei quanto tempo fiquei beijando o Hugo, mas nada se compara ao seu gosto. E então eu precisei parar se não a coisa iria tomar outro rumo. Não sou puritana, nada contra quem transa com um desconhecido. Mas eu até 3 minutos atrás estava com raiva dele. Como posso transar com ele e no meu apartamento? Mudo de assunto para clarear a mente.
— Luci, disse que você se convidou para o Caio te levar a inauguração. Por quê?
— Eu sempre ouvi o Caio falar muito bem de você e a família dele também, fora que eles te admiram bastante por toda a sua trajetória de vida e mesmo assim não se deixa abalar pelas circunstâncias. Até que vi uma foto sua com Luci na rede social do Caio que você o havia marcado.
"E seu sorriso era de uma felicidade contagiante. Insisti várias e várias vezes para te conhecer e propus um encontro às cegas, mas ele me disse que a Luci quase enlouqueceu e eles brigaram. Até que vi o convite e insisti para ir. Mas nada saiu como eu esperava e de quebra você brigou com sua amiga. Eu sei porque o Caio me falou por mensagem depois, perguntando onde eu tinha me metido" — fiquei tentando entender tudo o que ele dizia.
Mas ele foi mais rápido e me beijou de novo e o beijo foi ficando mais intenso e um calor absurdo foi tomando conta de mim ...
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Entre Sonhos & Doces
RomanceTodos podemos ter segundas chances na vida! Será que Ester Laura e Hugo Fontana estão preparados para essa nova chance da vida? Após uma ter sua vida estabilizada ela é obrigada a voltar para o seu país e ele se renovar após uma separação difícil...
