Miguel

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Papai entrou em meu quarto com uma carta em mãos, cheirava a morango e chocolates, definitivamente meu cheiro predileto.
- Miguel, chegou essa carta para você - recebi ansioso, fui para abrir mas ele me parou -, é do Magno, segundo soube ele vai realizar uma festa em Paris para anunciar o noivo de Mariah.
- Mariah vai casar?
Estava surpreso... Aquela garota cheia de idéias, "nunca vou casar", livre e barulhenta estava para se casar. Incrível como as coisas são.
- Sim, a sua velha amiga de infância, logo logo, vai liderar a matilha dos Sfitt's.
Papai parecia orgulhoso, Mariah era como uma filha.
Fui deixado só e só então abri a carta. A li com atenção: um pedido da minha amiga para ser padrinho junto a minha companheira...
Companheira? Mas que companheira?
Eu não achei minha companheira e sinceramente, para o bem dela, prefiro não achar. Mesmo sabendo que sem uma companheira eu não poderia ser um alfa de linhagem e teria que colocar a matilha em perigo constante já que uma matilha sem luna perde o poder e perder mais do que já perdemos desde Bronx é como suicídio.
Já fomos a maior matilha do planeta, reinamos sobre todas as outras, eramos importantes e descendemos do primeiro lobisomem assim como as três outras casas, mas tudo mudou com Bronx, o mundo dos metamorfos sofreu um baque terrível e a nossa alcatéia foi a mais atingida. Desde então perdemos nosso lugar no Conselho, hoje somos apenas uma velha família cujo nome está na história mas que não tem tanta importância.
Bronx elevou os lobisomens a uma subclasse vista como os vermes da sociedade sobrenatural, tudo por amor e teimosia.
- Miguel, a escola não vai se mover mas também não vai ficar parada.
Encarei meu avô na soleira do meu quarto, tinha um livro em mãos e sempre falava coisas sem sentido embora seja a melhor pessoa e com os melhores conselhos.
- Tô indo vô.
Guardei o papel no bolso e o velho que não é bobo nem nada deu um risadinha como se percebido.
- Estou velho e não cego, agora me diga o que te preocupa tanto.
Antes que eu pudesse ver ele já estava sentado em minha cama. Não tinha como ignorar o ancião da alcatéia, se ele quer algo... consegue, devemos isso ao ancião.
- Era a Mariah, vai casar e quer que eu seja seu padrinho.
- Que maravilha! - como um velho consegue pular tanto? - Aquela cabeça de vento vai casar... - passado sua euforia me encarou com olhos atentos - Mas me diga, jovem, não é isso que te assola, não é mesmo?
Abaixo a cabeça em desespero, sento mais próximo.
- A minha companheira, o bilhete diz que tenho de estar ao lado dela.
- Oh, então por que não já estás com ela ao teu lado?
- O senhor sabe o porque. Sabe que me recuso a ter uma e sabe que não a procuro.
A conversa morreu ali, após se levantar e me deixar sozinho o escutei dizer a meu pai que me deixasse faltar a escola, entendi a mensagem: devo pensar no assunto.
Pensei! Pensei o dia inteiro, não sai do quarto nem para comer e minha decisão não mudou em nenhum momento: vou renegar minha parceira até que a Lua caia sobre a Terra.

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