Capítulo 13- Ana

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Ainda depois do episódio, estamos radiantes, é bem raro estarmos juntos por um dia inteiro. Agora são 13:35h vejo no meu celular.

- Quer ir à casa da minha mãe? -ele pergunta.

- Não sei... -digo.

Continuamos andando em direção ao estacionamento.

- É. -ele diz.

Chegamos ao meu carro.

- Diz aí. - Matheus diz.

- Ai, não sei... -digo.

Matheus continua esperando.

- Tu vai dirigindo? -falo.

Ele faz uma pequena careta.

- Taaa... -diz por fim.

O abraço e o beijo e ele me encosta no carro.

- Não vale. -ele diz. - é chantagem.

- Vale, sim.

Saímos para a casa da dona Sil.

-
A viagem é longa mas não é entediante. É bom não estar dirigindo, pois estou com sono.

- -

Chegamos. Não parece te alguém em casa. Por sorte, ele tem uma chave que a mãe dele fez questão de nos dar. Caso contrário eu ficaria muito irritada por não ter ligado para avisar.

Estaciona o carro e descemos.

Começamos a abrir várias grades e portas, e estamos dentro. Não nos preocupamos com roupas pois na casa da dona Sil tem. É claro.

Subimos para o quarto que ficamos da outra vez, está impecável. Mas agora com mais coisas chiques. Me jogo na cama e o Matheus abre as portas de vidro da varanda. Entra no banheiro e vai vestir roupas de praia. Levanto-me e faço o mesmo. Alguns minutos depois estamos prontos.

- Vai para aonde? -pergunto.

Refiro-me à piscina/praia.

- Tanto faz. Ah, minha mãe disse que fez uma "reforma" na piscina. Vamos ver? -ele pergunta.

- Vamoooo. -falo animada.

E que reforma!
A piscina dá para um pouso de avião, sem exagero. É enorme e até eu que sei nadar hesito.

- Eu vou ver se é fundo ou não. Calma aí. - Matheus diz.

Ele pula e verifica do início ao fim. Eu até me sento na borda pois sei que vai ser demorado.

Finalmente ele diz que posso entrar. Nada até onde eu estou e antes de chegar perto de mim, ele escorrega e começa a pedir ajuda.

- AAAH! Amor!!! Ai meu Deus!!! -exclamo com a mão na cabeça e já de pé, apavorada. Escuto uma risada.

- HAHAHAHAHAHAHAHAHA. Sua besta.

Que raivaa.

- Matheus! Isso não se faz! Seu idiota! -digo brava.

- Vem, entra. -ele diz risonho.

Esqueço os lugares seguros, de tanta raiva e pulo no lugar fundo. Só que o Matheus está de costas e distante.

Começo a me afogar desesperada. Sempre que entro no mar, tento lembrar:

• "Se estiver me afogando, não entrar em pânico."

Porém fico tão apavorada porque o Matheus estava de costas. E fico mais apavorada porque ele vai achar que é brincadeira. Começo a sacudir os braços e fico esticando as pernas para respirar. Mas é muito. Estou começando a engolir água. Abro os olhos e já estou cansada de tentar subir. Não consegui dizer nada.

Vejo alguém vindo, não sei quem.

Tudo preto.

- ANA! - é o Matheus.

Já estou na borda da piscina. Matheus empurra minha barriga com as duas mãos. Com força. Por algum motivo eu quero rir. Água sai da minha boca e começo a tossir. E rir.

- Meu Deus. - Matheus me põe no colo e me abraça.

Começo a gargalhar.

Ele olha para mim. Ele sabe. Em situações de perigo eu só sei rir. Ele sabe que não estou achando graça.

Começo a rir mais alto e ele me aperta mais forte. O riso se transforma em choro e logo estou soluçando.

Matheus também está chorando. Nem acredito.

- Desculpa, foi tudo culpa minha. Ei. Desculpa... -diz.

- Não foi... -digo. Estou exausta.

Estou com sono. Ele me pega no braço. Mas eu nem sei de mais nada.

- Acorda. - Matheus diz.

Ele está comigo no braço me carregando.

- Por quê? -pergunto.

- Tô com medo que tu durma. Não sei... tu bateu a cabeça. Hmm... -ele diz ficando triste.

- Bati? Estou com sono.

- Não dorme. Vou ligar pra minha mãe. Não dorme. -diz.

Fecho os olhos deitada na cama. É muita a vontade de dormir.

- Ana! -exclama.

- tô acordada. -digo baixinho.

- Mãe? Atende! - diz.
- Ela chegou. -Ele sai para a varanda e começa a gritar pela mãe mas eu já não estou entendendo direito. Ele me sacode.

- ANA POR FAVOR NÃO DORME! EU ESTOU DESESPERADO. - grita.
-

Choro baixinho. Não quero dormir, mas tô com sono... não quero que ele chore. Fecho os olhos. Só um pouquinho.

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Acordo-me em um lugar claro demais. É um hospital? Deve ser.

- Amor? -digo.

- Ana! - Matheus vem pra cima de mim. Tô no hospital.

Sorrio.

- Oi... -digo baixinho.

- Tô com sono. -digo triste.

- Eu sei. - Matheus tá triste também.

- Não me deixa dormir! -peço a ele, seguro na sua mão.

Durmo.

-

- Ei, acorda. - Matheus diz.

- Perdemos nosso dia? -choramingo.

Ele sorri.

- Não, meu amor.

Olho pra ele. Preciso saber as horas. É agoniante.

- Tu só cochilou. - ele diz.
- São 15h, te trouxe até o hospital próximo à casa da minha mãe, ela ta lá fora esperando a gente. Tu já teve alta, não foi nada demais. -explica.

- Ah... -digo.

- Quer ir pra casa? -ele pergunta.

- Quero ficar contigo. -digo.

- Vem.

Ele me pega pela mão e saímos andando pelo corredor do hospital.
Noto que estou de calça comprida, até bem vestida.

- Quem me vestiu? - pergunto.

Sorri malicioso.

- Eu né, amor. Foi bem ruim, a propósito. -ri.

- Hahaha, aproveitadorzinho barato. -digo.

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Seguimos para a casa da mãe dele. Eu tinha umas horas de trabalho acumulada, portanto tenho essa semana de folga. Entretanto, Matheus ainda tem trabalho e faculdade.

Pegamos a estrada. Rumo: casa.

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