O quarto do suicídio. Foi assim que eles chamaram o quarto 733 - como se eu já não tivesse o bastante com o que me preocupar no meu primeiro dia como caloura.
Nós fomos colocadas no quarto 734, que não era um dos agradáveis novos quartos do corredor sul. Não, nós ficamos na ala mais antiga do 7º andar. Mas eu não fiquei tão chateada assim, pelo menos eles concederam o meu pedido de ficar com minha melhor amiga.
Lydia e eu passamos a maior parte da manhã fazendo a mudança. Quando nossa orientadora passou pelo quarto eu estava colando alguns posters na parede e Lydia estava lendo.
"Olá, meninas! Eu sou a Beth!" a loira entrou cantarolando em nosso quarto. "Eu serei a orientadora de vocês este ano."
"Oi", eu a cumprimentei
"Uau, vocês duas trabalham rápido!" ela disse ao ver nossas camas e roupas já arrumadas.
Beth pegou um dos desenhos do Cthulhu que Lydia fez durante as férias de verão. Ela virou o desenho de lado, estudando-o.
"É o kraken de Piratas do Caribe?"
Lydia a encarou por cima de seu livro de forma nada simpática.
"Enfim..." a orientadora continuou, "Eu sei que este corredor não é tão novo quando o da ala sul mas, confiem em mim, tem muita história aqui. Esta construção tem quase 60 anos!"
"Sim, dá pra ver" eu disse olhando em volta. "Os quartos são bem pequenos".
"Bem, as pessoas eram menores nos anos 50." Beth deu de ombros.
"Realmente" Lydia disse secamente.
"Uhum" Beth apertou os lábios e apenas continuou ali parada, enquanto a sala se enchia de um silêncio constrangedor.
"Então," eu disse, "o quarto ao lado do nosso - 733, certo? Ele parece bem maior que esse. Ele já está ocupado ou será que poderíamos-"
"Oh, você não quer aquele quarto." Beth me interrompeu. "Ocorreram dois suicídios ali. Uma se enforcou e a outra pulou da janela, se bem me lembro. Eles não permitem que ninguém pegue aquele quarto. De qualquer forma, eu só queria lembrá-las de que este é um andar só de garotas e garotos não são permitidos aqui depois das 23."
Antes que pudéssemos respondê-la Beth bateu as mãos e com um rápido "Foi um prazer conhecê-las" saiu de nosso quarto.
Lydia colocou seu livro na cama e olhou para a porta. "Eu a odeio."
"Você ouviu a bomba que ela soltou?"
"Eu irei chamá-la de Beth Burra."
"Lydia, sério. Suicídios?"
"Ah, Becca, relaxa. Todo campus tem alguns suicídios."
"Sim, mas no mesmo quarto?"
Lydia suspirou. "Sério, quem liga? Não é o NOSSO quarto."
"Sim, eu acho que sim." Virei-me para estudar a pequena janela. "Você consegue imaginar escalar para fora dessa janela e pular? Você ainda estaria viva por pelo menos 5 segundos antes de atingir o chão."
"Que droga, Becca, você pode não falar sobre isso?" Lydia olhou para a janela e estremeceu. "Você sabe que eu morro de medo de altura e apenas tocar no assunto já me deixa arrepiada."
"A gente bem que podia mudar para o quarto do suicídio," provoquei, "ele tem uma janela em cada parede."
"Vai se ferrar."
"Okay, okay. Mas sério, cara. Seria preciso muito empenho para espremer-se para fora desta janela minúscula."
"Sim... Bem, lembre-se, aparentemente as pessoas eram menores antigamente." Lydia murmurou enquanto afastava sua cama ainda mais da janela.
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Histórias de Terror
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