Capítulo 3

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– Você devia sair um pouco. – Annie sugeriu. – Ficar entre seu apartamento e o hospital não está te fazendo bem.

Fazia mais de seis meses que eu estava tentando me isolar de tudo e todos.

Conhecer Katniss Everdeen havia sido algo intenso demais pra mim, e o fato de ter fugido dela novamente, quando ela precisou retornar ao hospital há cinco meses, me fez ver que seria mais difícil, do que pensei, esquecê-la.

– Eu não quero fazer nada, Annie. Me deixa estudar. – resmunguei, tentando ler o novo artigo sobre Mobilização Neural.

– Eu detesto parecer chata. – ela falou, abaixando a tampa do meu notebook. – Mas ou você sai comigo pra beber alguma coisa, ou eu te deixarei tão irritado, que você precisará me bater. E ai eu chamarei a polícia pra você.

– Por que você é assim, Annie Cresta? – murmurei, cruzando os braços em frente ao peito. – E por que eu te deixei entrar em casa? – fechei os olhos, jogando a cabeça pra trás.

– Porque no fundo você é um idiota solitário. Vamos beber alguma coisa agora, ou eu não respondo por mim. – ameaçou.

Suspirei pesadamente antes de levantar da cadeira e ir em direção ao meu quarto.

Me troquei rapidamente, sem realmente prestar atenção no que vestia.

Ajeitei meus cabelos com gel sem realmente arruma-los.

Analisei pelo espelho, minha barba por fazer.

Quem se importava com aquilo?

Dei de ombros e joguei meu perfume desajeitadamente em meu pescoço e roupa.

– Vamos logo, antes que eu desista. – disse ao voltar até a sala.

– Muito bem, Peeta. Até parece um ser humano. – Annie sorrio e girou a chave de seu carro no dedo. – Pegue sua carteira, bonitão. Eu convido, mas não pago. – disse caminhando até a porta.

Rolei os olhos, pegando minha carteira sobre a mesa, e alcançando meu casaco cinza no encosto do sofá.

O caminho foi silencioso, pelo menos de minha parte, já que Annie, fora do hospital era uma desvairada, que cantava loucamente com a música que tocava em seu carro.

Ela estacionou em frente a um bar, que não parecia tão convidativo, porém eu não retrucaria.

Eu sabia que com Annie não havia discussão.

Entramos e caminhamos até o balcão, enquanto nem prestava atenção nas pessoas que esbarravam em mim.

Long Beach, em plena sexta feira a noite, era disso pra pior.

– Duas vodkas, por favor. – Annie disse ao barman, sentando-se em um dos banquinhos próximos ao balcão.

A acompanhei, sentando-me ao seu lado.

– Finalmente chegaram. – Finnick Odair apareceu abraçando Annie por trás e beijando a curva de seu pescoço.

– Oi, abusado. – ela disse fechando os olhos e sorrindo. – Eu te disse que seria difícil convence-lo a sair. – Annie afirmou abrindo os olhos, e me encarou. – Não me faça essa cara. – acho que ela se referia as minhas sobrancelhas franzidas e olhar acusatório. – Ele é meu peguete, querido.

– Que palavra mais feia de se usar, Cresta. – a voz suave me fez fechar os olhos e torcer para que eu estivesse invisível. – Boa noite, doutor. – Katniss disse com um tom sério. – Interessante nos encontrarmos em um bar, e não em um hospital.

The Patient 193Histórias para pegar e não largar. Descubra agora