Capítulo 4

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Ponto de Vista de Katniss

Estiquei meus braços para cima, sentindo minhas costas reclamarem.

Odiava alongamento, mas eu sabia que seria bem pior caso eu não o fizesse.

Apoiei meu pé direito sobre o encosto do banco de madeira do parque, esticando meu braço e apoiando minha mão direita na ponta do tênis.

A música tocava alto em meus ouvidos, graças ao meu celular, que decidira funcionar hoje.

Dois anos no Texas havia me mudado muito.

Apesar de voltar para Midland com um grande receio de ter a porta batida em minha cara, eu juntei minhas coisas, e dois dias depois do meu último acidente, fui de encontro a minha família.

A única coisa surpreendente, é que meu irmão me recebeu de braços abertos em sua casa, diferente dos meus pais, que não souberam como reagir ao me verem batendo na porta com tantas malas aos meus pés.

Gale e sua esposa Madge, me cederam um bom quarto, enquanto aos poucos eu tentava recuperar a confiança de meus pais. Eu tinha em mente que eu não era completamente a culpada de nosso relacionamento ser ruim, mas mesmo assim eu preferia me humilhar a ponto de pedir perdão até pelo o que eu não havia feito.

No final das contas, em poucos meses minhas visitas na casa de meus pais passaram a ser frequente.

Finnick e Annie me visitaram quatro vezes durante esse tempo. Na última vez, que havia sido a 3 meses atrás, eles anunciaram seu noivado, o que pra mim não era surpresa.

Annie havia cedido aos encantos de meu amigo rapidamente, deixando de lado a história de "peguete" e virando a "namorada grudenta".

Claro que era só uma forma de dizer. Às vezes que os vi juntos me fazia apenas invejar o relacionamento dos dois, afinal de contas eu estava estacionada em minha vida amorosa.

Talvez ela tenha morrido há dois anos atrás, quando saí do quarto 193.

Claramente o que havia acontecido naquele hospital não tinha sido uma aventura amorosa, mas era a última coisa que eu havia passado e que chegava mais perto disso.

Balancei a cabeça em negativa, tentando espantar os pensamentos indevidos, enquanto já movia meu corpo com rapidez pela pequena pista de corrida do parque.

Infelizmente minha cabeça me pregava peças vez ou outra, e trazia em minha memória o doutor que tanto perturbara meu sono.

Eu não tinha notícias de Peeta, e estava claro para meus amigos que eu não queria saber dele, afinal o nome não era citado por ninguém quando estávamos juntos ou em ligação.

Peeta havia realmente mudado minha perspectiva de vida, e me trouxera de volta do buraco sem fundo que eu havia me enfiado desde que completei meus 18 anos.

Por causa de nossas conversas eu havia voltado a me relacionar com meus pais, completei minha faculdade depois de pedir transferência do curso, havia deixado a bebida de lado, e decidira cuidar de mim mesma, afinal, se eu não o fizesse, eu sabia que não teria quem pudesse fazer por mim.

Porém eu via de outra forma, e finalmente me sentia alguém no mundo.

Até mesmo as corridas matinais haviam sido resultado de nossas conversas. A parte ruim é que eu sempre acabava me lembrando que ele continuaria me devendo uma corrida, onde eu mostraria ser melhor do que ele.

Meu irmão vinha me dando apoio para abrir minha própria empresa, já que ele tinha um bom dinheiro guardado e quisera investir em mim.

Segundo Gale e sua faculdade de Administração, Engenharia Civil era uma boa área, mas que devíamos explorar fora do Texas.

The Patient 193Onde histórias criam vida. Descubra agora