Capítulo 5

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- Não pode ser coincidência. - resmunguei tirando os fones. - Você mora há mais de uma hora daqui.

- E daí? É meu dia de folga. Posso correr onde eu quiser. - Peeta respondeu alongando sua perna esquerda no mesmo banco que eu havia acabado de usar.

- Quem te disse que eu estaria aqui? - perguntei semicerrando os olhos, e desligando completamente minha música.

- Finnick. - respondeu. - O que custa uma corrida comigo? - indagou alongando a outra perna.

Mordi o lábio inferior observando-o se alongar.

- Gosta do que vê? - perguntou debochado.

- Você deveria calar a boca. - rebati sentindo minhas bochechas esquentarem.

- Desculpa. - Peeta disse parando exatamente ao meu lado. - Até onde costuma correr? - perguntou.

- Apenas corro. - respondi, já saindo a sua frente, enquanto ajeitava meus fones em meu pescoço, para que não caíssem.

Logo pude ouvir que Peeta me acompanhava, me decidi não dizer nada.

Fazia uma semana que ele havia aparecido em minha porta, e desde então Peeta surgia toda noite com um sorriso torto em seus lábios finos, e um olhar pidão que quase, eu disse quase, me amolecia. Era difícil pensar com coerência quando eu o via. Peeta me deixava desestabilizada, e não era apenas sua cara de cachorrinho abandonado. Eu acabava me distraindo por alguns segundos observando seus belos olhos azuis, seus cabelos castanhos desarrumados, e até mesmo sua barba por fazer, que apesar de ter me arranhado um pouco quando nos beijamos, eu amava. Foi chegando a essa conclusão, que passei a bater à porta em sua cara, sem ao menos cumprimenta-lo.

Porém Peeta havia achado uma forma de me abordar, sem que eu o ignorasse. Quando eu estivesse fora do meu quarto de hotel. Eu não teria uma porta para me proteger do poder que ele tinha sobre mim, e talvez ele soubesse disso.

Corremos em silêncio por quase uma hora, até que Peeta decidiu voltar a falar.

- Você sabia que os quase seis meses que ficamos sem nos ver da outra vez, na verdade deram 193 dias? - questionou. - E que essa quase uma semana que te deixei pensar deu 193 horas? - falou enquanto ainda corria ao meu lado.

O olhei de cenho franzido.

- Primeiro. Você não me deixou pensar. Você me importunou a semana toda. - reclamei, vendo um sorriso surgir em seus lábios. - E segundo... Isso é sério? - perguntei diminuindo minha velocidade.

- Na verdade, sim. - Peeta parou, curvando seu corpo pra frente, ofegando. - Eu fiz as contas. - ele apoiou as mãos nos joelhos. - É a coisa mais estranha que eu já vi.

Parei ainda com os olhos nele, enquanto ele tentava se recuperar.

- Esse número tem me perseguido, desde que te conheci no quarto 193. - Peeta disse, tornando sua postura ereta para me olhar. - Até mesmo minha vaga no estacionamento do hospital foi alterada pra esse número.

Pisquei algumas vezes, um pouco atordoada com sua constatação, afinal, o número também me perseguia constantemente.

- Não era você que acreditava em destino? - Peeta perguntou, passando a mão direita em seus cabelos.

- Não acredito mais. - menti, enquanto ele erguia a camisa para secar seu rosto, deixando à mostra seu abdômen.

Desviei o olhar, cruzando os braços.

- Não minta que é feio, Katniss. - ele riu. - E pode olhar. Por mais que você esteja me enrolando, isso aqui é seu.

Fechei os olhos, respirando fundo, como se aquilo fosse me acalmar.

The Patient 193Histórias para pegar e não largar. Descubra agora