Capítulo 18- Olhos amarelos

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Ela voltou para casa. Fez o almoço, Kaoru a elogiou a deixando um pouco embaraçada e como já havia melhorado não viu motivos para não ir trabalhar. Kaoru insistiu para a garota ficar mais um tempo em casa, mas ela insistiu em sair.

Chegou no trabalho, cumprimentou gentilmente a todos e após vestir seu uniforme começou seu turno. O tempo demorava a passar e ela pensava sobre o ocorrido de manhã o tempo todo. Também se lembrou de quando atendeu Takeshi naquela loja onde trabalha, lembrou da AM que ele matou e da noite em que ele tentou captura-la ou mata-la...quem sabe?

Agora fazia sentido para Alice, ele ter matado a AM. Não era frieza, era o dever dele sendo um caçador OZ. Ela entendia que se tratava de dever e não escolha, além disso ele havia a salvado.

E agora a estava caçando, sem saber quem era de verdade!

"Se ele soubesse que ela era uma AM, não a teria defendido? As deixariam lutar até uma morrer e depois mataria a outra?" - pensava nisso, se distraindo continuamente. Sua chefe reclamou da distração da garota umas 4 vezes em um só dia.

- Está bem mesmo? - perguntou a chefe desconfiada.

- Ah? Ah, estou bem sim. Só um pouco pensativa demais.

- Então deixe de pensar e vá atender a mesa 5.

Assentiu e caminhou até a mesa, onde estava sentado uma única pessoa. Que o destino - ou não - fez ser justo ele, Takeshi. A pessoa que ameaçava a vida dela.

- O que quer pedir?

Ele a encarou. Ela não sabia, mas Takeshi estava encantado com a garota e ele gostava muito daqueles olhos amarelos pertencentes a mesma.

- Na verdade nada - ficou sério - Vim para pedir que não conte nada sobre o que aconteceu.

- O que aconteceu? - se fez de desentendida, sorrindo para ele.

- Agradeço por compreender e talvez um dia eu te conte o que realmente aconteceu.

" Eu já sei o que aconteceu" - pensou em falar, mas teria que falar sobre a noite que ele a atacou. E ele descobriria que ela era "Alice".

- Agora que estou aqui, irei pedir algo.

Ela sorriu.

- O que quer?

Anotou o pedido e depois o entregou.

- O que é isso no seu braço? - Ele reparou no curativo em cima do machucado de Alice.

" Você que me cortou! Deveria saber!"

- Não foi nada. Apenas me cortei - falou naturalmente de forma que o fez acreditar.
Claro que ele não acreditou de verdade, mas não achou que era algo que ela gostaria de falar e por isso mentiu.

- Tudo bem. Te vejo amanhã?

Ela fez um leve gesto insinuando que sim e ele se foi.

Às 19:00 da noite, ela saiu e foi caminhando até um ponto de ônibus próximo. Sentou-se no ponto e o esperou vir.
A noite sempre ficava calmo, naquele horário e naquela região. A rua era iluminada apenas por alguns postes de luz e pela lua, que estava minguante naquela noite. Não se era possível ver muitas estrelas no céu, poluído da cidade, apenas alguns pontos brilhantes, que poderiam ser estrelas assim como poderiam ser satélites.
Um dos postes começou a piscar e falhar. Ela não tinha medo do escuro, mas aquilo já era assustador. Ouve alguém se aproximar e se sentar ao seu lado.

- Como vai "Alice"? - ouviu a voz daquela garotinha que vivia aparecendo e desaparecendo.

- O que quer? Por que sempre desaparece? Quem é você? - perguntou de uma vez antes que ela sumisse novamente.

- Hoje você irá saber quem eu sou.

Ficaram em silêncio. A pequena de cabelos castanhos se levantou e foi andando lentamente. Novamente Alice estava a segui-la.

- Aonde vamos?

- Você verá.

Seguiu-a calada. Pensava em várias explicações para aquela menina, pensava em aonde ela estaria a levando, pensava em quem seriam seus pais, se já a conhecia, onde morava. Acabou pensando demais, não prestou atenção no caminho e só voltou a perceber o que acontecia ao seu redor quando chegou a uma velha casa. Uma casa de madeira, um portão baixo de ferro, um jardim a muito tempo não cuidado e com a grama alta e verde, vários vasos de flores jogados, alguns quebrados, outros inteiros, porém espalhados ao redor da casa.

Passaram pelo jardim e adentraram a casa, passando pela porta de madeira já corroída por cupins. Alguns ratos se esconderam em seus buracos na parede e as aranhas continuavam imóveis em suas teias, esperando vir sua presa.

- É seguro estar aqui? - perguntou relutante.

- Se não fosse, por que eu a traria aqui? - fez outra pergunta com uma voz fria.

- Eu não sei - Já estava irritada - Você é uma menina desconhecida, que sempre aparece em situações inadequadas e de risco. Então por que me traria em um lugar desses? Você que tem de me responder!

- Se tiver paciência. Se quer descobrir então siga-me.

A menina parou em frente a uma parede na sala de estar e puxou dali uma porta. A porta se abriu, acendendo uma luz e revelando uma escada. Elas desceram e Alice viu um tipo de laboratório improvisado com um quarto.
Haviam fotos de duas pessoas espalhadas por lá. Era um homem com cabelos pretos, alto e pele branca, e uma mulher de uns 25 anos, cabelos castanhos e pele parda como os da garotinha.
Pegou um dos porta retratos para analisar melhor. A mulher tinha olhos amarelos como os de Alice.

- Ela é sua mãe - falou a menina, fazendo Alice derrubar o porta retrato e fazer uma expressão de surpresa.

- Eu sou sua mãe. Sou apenas um fantasma, alguém que sobrou da "Experiência País das Maravilhas" a primeira "Alice". A que veio antes de você e que te gerou, que se casou com este homem - apontou para a foto no chão - e fez dele seu pai, meu marido. Ele para te proteger, te entregou para a família que te criou.

- Você? Você é minha mãe?

- Infelizmente eu morri Alice. Apenas estou aqui agora para ajuda-la a conseguir acabar com essa guerra civil.

A garota albina não conteve as lágrimas.

- Eu queria te ver antes de morrer. Por isso estou aqui agora. Você está tão grande, se tornou uma boa garota. Tão dedicada, como seu pai. É uma pena não termos muito tempo.

- P-por que não?

- Por que agora eu preciso que você salve a todos. Vou te explicar o que é a "Experiência País das Maravilhas"

Pela primeira vez Alice reparou nos olhos da menina. Eles eram amarelos.

Assim como os dela.




















Hola! Olá!

Que bom que me acompanharam até aqui! Fico muito feliz!

A partir daqui vai acontecer muitas coisas. Como se já não tivesse acontecido muito! Né, não?!

Votem e comentem! Beijos e obrigado por lerem!

Até o próximo capítulo!

Experiência "País das Maravilhas"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora