Capítulo 1- Alice

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Alice cresceu sendo muito amada pela sua família adotiva- que ela não sabia que era adotiva.

Teve uma infância saudável e tranquila. Sofreu um pouco quando teve que se mudar para o Japão- novamente- por causa do emprego de seu pai.
Seu pai trabalhava em uma empresa Internacional de multimídia e sua mãe era empresária e agente de bandas.
Bandas da qual Alice nunca virá e nem teve o interesse.

Começou a ter problemas na escola. Sofria bullyng por causa da sua aparência, afinal, quem acharia normal uma gatora de olhos amarelos e cabelo loiro platinado natural? Não era normal e menos ainda no Japão, onde a população tem uma característica de olhos castanhos e cabelos escuros com uma pele branca.
A garota até que não se importava. As vezes ficar sozinha era bom, mas odiava trabalhos em grupo, pois ela sempre acabava fazendo tudo sozinha e era ameaçada se contasse aos professores.
Ela nunca imaginou que sua vida tão nostálgica era apenas uma mentira e que aquela aparência que ela tanto amaldiçoava era um poder temido pelos humanos normais.

Até um dia. Mais um dia que ela chamaria de monótona. Estava na última aula- que por acaso era de educação física- correndo em volta da quadra. Ela era a mais rápida e sempre a última a sair da corrida, ninguém aguentava correr mais que ela.
É óbvio que essa habilidade veio dela ser uma experiência.

Após o professor de educação física liberar todos para irem pra casa ou se juntarem aos seus clubes de atividades extracurriculares, Alice pegou sua roupa e foi para o vestiário.

Ela nunca entrara em um clube. Sabia que não seria aceita independente do que sabia fazer, por isso após as aulas ela simplesmente tratava de ir o mais rápido, para não ser pega pelos seus colegas que a agrediam.

Infelizmente naquele dia ela não foi tão rápida e duas garotas- do clube de boxe - encontraram-se com ela antes da saída.
Como o Colégio deixava esse tipo de coisa acontecer? Simples... eles não sabiam e nem viam, já que as agressões não aconteciam no colégio. Acontece que sempre que Alice apanhava, suas agressoras a levavam para algum local escondido, como algum beco da cidade de Tokyo.

Naquele dia, como de costume Alice apenas seguiu aquelas garotas de cabeça abaixada olhando para seu tênis preto que sempre usava para ir ao colégio.
Sempre imaginava mil e umas fulgas, mas sempre que olhava pra frente não conseguia fazer outra coisa além de seguir aquelas garotas podres da sociedade.

Sempre as chamavam de "podres", por que garotas como aquelas só tinham raiva de Alice, por ela não se importar com a opinião do outros. Mal elas sabiam que ela não se importava por que já estava acostumada a ser vista como a estranha. Garotas como aquelas sempre levavam o gosto dos outros em consideração, ao invés da opinião própria.

Naquele dia Alice não queria apanhar. Queria só chegar em casa e não ter que sair correndo para o quarto, Tomar um banho e vestir alguma roupa limpa que escondesse os ematomas. A sorte dela era que os ematomas sumiam bem rápido, assim seus pais que passavam bastante tempo ocupados não precisavam se preocupar com ela.

Ela não demonstrava nenhum sinal de que sofria bullyng. Era sempre alegre e carinhosa com todos da família, Boa nos esportes e muito inteligente. Tirava as melhores notas e era uma das primeiras no Rank do colégio.

Enquanto caminhava- as vezes esbarrando em algumas pessoas apressadas para ir ao seu trabalho, ou algum outro lugar- Ela pensava nos seus pais e na sua irmã menor de 10 anos. Ela sempre lembrara de quando tinha 6 anos e sua mãe havia ficado grávida, lembrava de quando, de um jeito desajeitado pegou sua irmãzinha pequena no colo... a pequenina sorria deixando aquelas banguelas à mostra. Ela amava sua irmã e queria poupa-lá de ter que ver ela chorando mais uma vez em seu quarto.

Experiência "País das Maravilhas"Histórias para pegar e não largar. Descubra agora