Capitulo 16

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- Um jardim zoológico? - ela perguntou confusa.

- Sim, mas não é um jardim zoológico qualquer. Anda. - peguei na mão dela, ancioso, e comecei a arrastá-la para dentro do pequeno mas com uma grande história jardim enquanto ela ria-se sem perceber o porquê de ele ser tão importante para mim.

O jardim estava deserto àquela altura do dia e para minha alegria os guardas também não estavam lá, presumi que foram almoçar, e por isso podíamos ficar ali sozinhos sem ningúem a incomodar-nos.

 Caminhavamos lentamente por entre as pequenas parcelas divididas por grandes arbustros e grades, onde estavam alguns animais curiosos a olhar para nós. Não era um jardim zoológico muito popular na cidade e quase ninguém o conhecia. Também não tinha grande variedade de animais, mas era por isso que ele era tão especial.

- Uau isto é mesmo bonito.

Chegamos ao ponto mais fundo do jardim. Um pequeno banco estava no meio das árvores e uma fonte com água criava um música que acalmava os ouvidos.

- Este foi o último lugar onde eu estive com o meu pai antes de ele.. de ele morrer - falei com um sorriso no lábios, lembrando-me do meu pai.

- Lamento Harry... - o sorriso dela desapareceu - Agora percebo. Tinhas que idade?

- Tinha 8 anos se bem me lembro. Ele era um grande homem e morreu de uma forma heróica. Não lamentes, tenho a certeza que ele aproveitou bem a sua vida e nada o prendia aqui.

- Tu prendias.

- Tenho a certeza que se ele ainda estivesse vivo teria vergonha de ter um filho assim. - olhei para o horizonte pensativo.

A Aleena chegou-se até mim e colocou a sua mão no meu ombro.

- Nunca digas, nem penses nisso. Pais e filhos podem ter qualquer motivo para odiarem-se mas esse motivo nunca será mais forte que o amor que os une. Ele nunca teria vergonha de ti.

- Tens razão, mas tenho a certeza que também não estaria muito contente. O bom, é que eu estou a conseguir mudar aos poucos. E tenho de te agradecer por isso. - virei-me e olhei para ela.

- A mim? 

- Sim, quando estou contigo tento sempre ser uma pessoa melhor.

- Oh Harry... - ela sorriu e abraçou-me. O vento congelava-me a pele mas o frio era a última coisa na qual eu pensava naquele momento. O perfume da Aleena, que eu sentia nos cabelos dela parecia querer aguentar-me mais um tempo ali  mas ao fim de alguns segundos separamo-nos e sorrimos um para o outro.

- Este lugar também tem uma lenda, sabias? - perguntei e a Aleena levantou as sobrancelhas.

- Não me digas. - ela sorriu num tom sarcástico.

- É verdade! - abanei as mãos e aproxeimei-a até ela. - Há muitos anos atrás a Deusa Ártemis fez um voto de virgindade eterna e prometeu nunca se envolver com ninguém nem ter filhos. No entanto, a Deusa queria muito ter um criança mas como não podia, os animais eram os seus filhos. Apesar de ela ser considerada a Deusa da caça. Era das mais puras Deusas e era protetora de todos os seres vivos não humanos. Diz a lenda, que ela criou um pequeno jardim o qual visitava todos os dias à noite, sentava-se junto da sua fonte e olhava para a água imaginando e sonhando com o seu filho que nunca íria ter. 

A Aleena ouvia-me atentamente mas pude notar que ela não estava lá muito a acreditar naquilo.

- E dizem que é este o jardim. Quase nunca vem cá ninguem de dia, mas à noite as pessoas que conhecem a existência deste lugar, muitas vezes vêm cá e escrevem o seu nome na fonte. Normalmente são pessoas que querem ter filhos ou uma proteção para a sua criança.

A Aleena aproximou-se da fonte e viu que era mesmo verdade. Na pedra cinzenta estavamos marcados muitos nomes, riscados com uma pedra ou então escritos mesmo com uma caneta.

- É mesmo! - ela olhou deslumbrada para a fonte - E achas que ajuda?

- Não sei. - respondei - Mas o meu pai escreveu o seu nome, pedindo como que uma proteção para mim e para a minha irmã. Deve ser o único nome masculino aqui - ri-me - Este lugar era só nosso, a minha mãe não sabia da sua existência.

- Estou a ver - ela sorriu - Harry, achas que eu posso escrever o meu também?

- Claro. - sorri entusiasmado com a ideia e fui pegar uma pequena pedra bicuda do chau.

Entreguei-a à Aleena e ela começou a riscar a pedra da fonte. Foi o um pouco díficil mas ao fim de alguns minutos o nome Aleena  estava marcado na pedra e a Aleena parecia mesmo entusiasmada.

- Já esta. Ainda bem que me trouxeste até aqui, acho que este lugar agora também é um dos meus preferidos.

Sorri e dei-lhe um beijo. Depois de alguns minutos e dar voltas pelo pequeno jardim e admirar a linda paisagem, decidimos que era melhor irmos para casa, já que estava a ficar muito escuro e eu lembrei a Aleena que a minha mãe tinha-a convidado para jantar. Ela ficou contente com a ideia mas um pouco assustada. Eu não gostava nada daquilo. Nunca tinha trazido uma namorada para conhecer a minha mãe e o meu padrasto, ainda por cima uma namorada grávida! 

Deixei-a em casa e ela prometeu vir dentro de algumas horas. Voltei para a casa e tentei planear algo para cancelar aquilo tudo, mas eu sabia que a minha mãe ía arranjar outra forma para ver com os próprios olhos a Aleena, a quem ela chamava '' A tua outra... ''' .

Cheguei a casa e a minha mãe foi logo perguntar-me se a Aleena vinha e eu disse que sim, antipaticamente.

- Ainda bem. Vamos lá ver se essa rapariga vale alguma coisa.

- Não fales assim dela. - cuspi arrogantemente.

- E tu não falar assim comigo, rapaz ! Espero bem que ela não seja uma arrogante e mal educada como tu.

Respirei fundo e revirei os olhos, subindo as escadas para o meu quarto. A minha mãe simplesmente não valia a pena e eu não estava pronto para discussões.

40 GRAUS - Harry Styles FanFicOnde histórias criam vida. Descubra agora