- HARRY! FILHO, AINDA BEM QUE VOLTASTE! - gritou a minha mãe e correu para abraçar-me.
Voltei para casa depois de meia hora sentado na estrada simplesmente a pensar.... a pensar nas palavras que tinha ouvido hoje. A Aleena não estava certa, o que ela disse não é verdade, ela nunca me estragaria a vida ou algo de género, porque se eu aceitei estar com ela é porque eu quero e nada nem ninguém irá mudar a minha opinião.
- Vou dormir. - respondi secamente mas a minha mãe não me largava.
- Por favor, desculpa. Filho, eu só o fiz para teu bem... essa rapariga não é para ti.
- Mas tu não tens de dicidir nada! - gritei - Pela primeira vez apresentei-te uma namorada minha, alguém muito importante para mim e tiveste de estragar tudo! Mãe, como é que não tens vergonha?!
- Não fales assim comigo...
- E tu não tinhas o direito de falar assim com ela! Tu nem a conheces! Não podes julgar as pessoas só pelo que pensas que elas são!
- Mas eu só quero proteger-te!
- Mas eu não te pedi para fazê-lo! Eu sei cuidar de mim!
Mandei-lhe um olhar zangado e virei-lhe as costas, subindo as escadas para o meu quarto.
- Mas o filho não é teu... - disse ela enquanto eu caminhava.
- Tu sempre me ensinaste a lutar por aqueles que amamos. Faz parte da minha educação, dáda por ti, deixar de lutar só porque um pequeno obstáculo apareceu no meu caminho? E esse obstáculo, ainda por cima, não é tão mau como pode te parecer.
- Quando ela te deixar e for a correr para outro, tu ainda vais me dar razão.
Fiz um sorriso sínico e deixei o corredor. Por mais que estivesse chateado eu não conseguia sentir ódio pela minha mãe. Por momentos pensei em como seria quando a filha da Aleena nascesse, completasse 20 anos e seria tão mal educada para ela, ao ponto de a matar por dentro. Pensei naquilo e decidi calar-me. Por um lado compreendia a minha mãe, mas ela não me compreendia a mim.
Entrei no meu quarto e fui depressa pegar no telemóvel para ligar à Aleena. Liguei uma vez, outra, e outra, mas ninguém atendia. Eu sentia-me pior do que nunca. Eu era horrivel. Ela estava grávida e teve de passar por tanto estes dias. Como fui capaz? Porque raio eu só penso sempre em mim?!
Deitei-me na cama e olhei para o teto. Eu tinha de fazer qualquer coisa. Eu não podía perde-la.
Fechei os olhos e adormeci.
P.O.V ALEENA:
Entrei em casa e fechei a porta brutamente. A minha mãe veio a correr na minha direção a perguntar o que tinha acontecido. Disse-lhe que tinha-me zangado com uma amiga e entrei na sala com esperança que ninguém ía chatear-me mais, mas estava completamente enganada. Estava lá ele.
- Mãe, porque o deixas-te entrar?! - gritei e a minha mãe apareceu apavorada da outra sala.
- Filha, desculpa, mas ele insistiu muito... - ela murmurou e lágrimas começavam a querer cair da sua face. Aproximei-me dela e disse que estava tudo bem, pedindo desculpa por ter gritado com ela.
- O que queres? - perguntei e sentei-me no sofá para descansar um pouco os meus pés.
- Porque não atendes o telemóvel?! E que história é essa de não autorizares eu visitar-te no hospital?!
- Os médicos disseram que eu precisava de descansar.
- Mas o palhaço do Harry passava lá todos os dias! - gritou ele e pegou brutamente no meu queixo, fazendo aproximar a minha cara da sua.
- Larga-me. - disse-lhe agressivamente mas ele não obedeceu - Tu não tens nada haver com os meus assuntos.
- Estou farto de te ver com ele! Vai ser ele a pagar as necessidades disso aí?! - ele apontou para a minha barriga.
Dei-lhe um estalo tão forte que até no segundo andar deve ter dado para ouvir.Ele olhava-me furioso e eu pensava que a qualquer altura ele ía bater-me mas do nada apareceu o motorista da minha mãe e agarrando-o pela gola da camisola, atirou-o contra a estante de livros. A minha mãe apareceu na sala preocupada e enquanto gritava ao George para se acalmar, começou a chorar.
Estava tudo contra mim. Eu é que estava grávida mas as pessoas à minha volta é que pareciam ter enlouquecido. A minha mãe não parava de chorar. O George preparava-se para dar um murro naquele otário, que por sua vez gritava como louco e ameçava-me. Eles queriam a minha morte só pode.
Não aguentava aquilo. As minhas pernas ficavam cada vez mais fracas e à medida que ouvia os gritos e o choro da minha mãe, comecei a sentir dores fortes na barriga e a visão embaraçada. '' Eu vou matar esse Harry! Preparate-te cabra! '' ouvi antes de desmaiar.
*
Era a última semana de aulas antes das férias de Natal. A minha barriga estava um pouco mais grande e notava-se completamente. Já não podia esconder nada, toda a gente ía acabar por saber. Na semana que estive no hospital por mais uma ameaça de aborto espontâneo, o Harry veio sempre visitar-me. Não o obriguei a ir-se embora mas também não lhe dei muita atenção nos primeiros dias, no entanto, o amor que sentia por ele era mais forte e passado alguns dias tudo voltou ao mesmo e ficamos de novo bem. Telefonei à mãe dele para pedir desculpas por coisas que lhe tinha dito mas ela não me atendeu o telemóvel. Decidi falar com ela quando estivesse mais calma pois os médicos proibiram-me mesmo de ficar nervosa. Eles disseram que se acontecesse mais alguma coisa eles iam enternar-me por 3 meses.
Estava parada à frente do portão da escola. Eu tinha medo de entrar mas ao sentir alguém entrelaçar os seus dedos nos meus, fez-me ficar mais calma. Olhei para ao lado e vi o Harry. Ele olhava para a frente e sorria.
- Não te preocupes, eu estou aqui. - disse ele sem me olhar e eu sorri. Olhei também para a frente e entramos dentro da escola.
Todos olhavam para nós. Para a minha barriga que notava-se a kilómetros de distância, para as nossas mãos, para o sorriso do Harry e o meu. Sentia-me constrangida mas não queria saber da opinião dos outros para nada. Eu estava com ele e isso era o mais importante.
Entramos dentro da sala de aula e logo que sentei-me o meu telemóvel tocou. Era uma mensagem.
'' Estou a ir para aí e não vou sozinho. O teu namoradinho vai apanhar e podes esquecer que ele existe''.
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40 GRAUS - Harry Styles FanFic
FanfictionEla era tã estranha, misteriosa, delicada. Ela era diferentes de todas. Eu olhava para ela e tinha medo de magoa-la. Ela olhava para mim e tinha receio de falar-me. Nenhum de nós desconfiava que algo surgiría para nos separar. Algo pior que o mais t...
