Um relógio flutua na minha mão, o tempo do relógio não condiz com o da realidade, eu passo boa parte do meu tempo ajustando esse relógio, me mantendo dentro dessa casca imunda de mortal.
Só tinha cinco horas até encontrar o corpo do semideus que me despertou, mas o senhor do tempo não trabalha com prazos, principalmente se o prazo for decidir se eu vivo, ou se eu morro.
Enquanto espero pacientemente no salão revestido com granito negro, volto o relógio segundo após segundo. Claro que o relógio é apenas uma representação do tempo ao meu redor, nada perto de mim sofre com as ações do tempo, a não ser que eu permita.
Ouço o rangido de uma porta pesada e todas as velas se ascendem, revelando para mim mesmo minhas mãos que estão em carne viva, esse corpo mortal não está aguentando sustentar sozinho, a essência do maior titã que caminhou sobre essas terras.
Quem entra pela sala a passos decididos é meu filho, que permanece do jeito que eu me lembrava, Hades.
– Quem ousa entrar na minha casa sem ser convidado? – Ele pergunta com rigidez, e de certa forma autoritário.
– Creio que vá querer me ajudar. – É tudo o que eu digo.
O silêncio se faz, a única coisa que pode-se escutar são as batidas do ponteiro do meu relógio prateado, Hades anda em minha direção, seus passos são leves e quase inaudíveis.
– Só vou perguntar uma última vez, quem ousa entrar na minha casa sem ser convidado? – Seu rosto está agora a apenas dois metros de distância do meu, ele possui uma foice em punho, e quando termina de falar, o ambiente se ilumina ainda mais com o fogo produzido pela lâmina.
– Achei que mesmo depois de todos esses éons você ainda iria reconhecer seu próprio pai. – Digo ainda olhando para sua foice, fascinado com a luz verde que é projetada.
– Meu pai está morto, eu mesmo vi. - Ele fala incrédulo, mas sua voz permanece inalterada. – Duas vezes derrotado.
Levanto-me da cadeira, meu corpo é um pouco mais baixo que o dele, levanto minha mão e mostro o relógio que seguro em minhas mãos. Uma luz dourada é projetada para além das minhas mãos, consumindo assim todo o salão de entrada. O Que antes era revestido por preto, agora assumia uma aura amarela.
O tempo para ao meu redor, as velas param de tremer, o fogo da foice paralisa, mas acima de tudo, meu filho, Hades, não move um único músculo.
Calmamente eu ando até Hades e soco o seu estômago. Nada acontece, por enquanto.
O tempo volta à normalidade, Hades é empurrado para trás sua mão segura o ponto que eu atingi, a foice é solta no chão, e seu rosto é tomado por total incrédula.
– Mas como? – É tudo o que ele consegue dizer. Da sua boca uma gota de sangue, escorre devagar, como se o tempo estivesse congelando aos poucos.
– É muito simples te explicar, vamos dar uma volta no tempo comigo! – Ando rapidamente até ele, e antes que ele possa se mover, seguro sua cabeça e mais da luz dourada emana das minhas mãos.
– O que está fazendo comigo? - Hades parece bem confuso, mas logo sua mente se abre para mim.
– Ótimo, estamos onde eu queria. – Digo e o solto, nossos corpos não passam de uma materialização de uma realidade que já existiu, somos apenas espectadores. – Sente-se um pouco. – Digo enquanto sento-me em um banco e bato duas vezes no acento vago ao meu lado. – Anda não há como sair daqui sem ver o que quero que veja.
– E onde estamos exatamente? - Ele se senta sem relutar.
– Não é onde, meu caro, mas quando. – Levanto meu polegar para cima e depois aponto para frente, onde uns semideuses repugnantes estão brigando com um ser majestoso. – Aquele ser majestoso ali, sou eu mesmo. Deve lembrar-se de mim como Luke Castellan, um dos poucos semideuses que tinha a cabeça no lugar. Se não lembra, preciso que decore aquele rosto esculpido pelos melhores forjadores.
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The Last Second
Adventure#ProjetoED1 Durante anos as coisas permaneceram iguais entre o mundo dos mortais e dos Deuses, até que Chronos ressurge mais forte do que antes. Bryan e Alice, dois jovens que descobrem ser Semi Deuses embarcam numa emocionante aventura em busca...
