Capítulo Sete

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Vivian não conseguiu dormir direito pensando em Arsénio, acordou cansada e foi ao banheiro, olhou-se no espelho e viu um semblante abatido e as olheiras acentuadas. Pensou em dormir novamente, mas o horário a chamava para o trabalho. Tocaram a campainha de seu apartamento e descalças, assustou-se e procurou pelos chinelos, mas a insistência da campainha atraiu-a.

— Arsênio? — Ela se assustou ao vê-lo. — Vou fazer um café para nós, entre. — Puxou-o pelo braço.

— Eu atrapalhei? Não avisei, mas posso ir. — Arsénio não demonstrou estar confortável, atitude da qual fez Vivian suspeitar.

— O que você está tramando? — questionou Vivian.

— Nada, Vi. — Arsénio tentou beijá-la, entretanto Vivian recusou e o encararia até que ele dissesse a verdade.

Arsénio não se intimidaria, Vivian insistiu para saber o verdadeiro motivo. Ele recuou e sentou-se no sofá cabisbaixo.

— Desculpas por ter sido rude com você no dia em que eu desmaiei. Vivian ajoelhou-se perto dele e segurou seu rosto entre suas mãos.

— Isso não tem importância. — Eles se abraçaram. A vontade de Arsénio era chorar e brigar com Vivian,

porém não conseguia. Não estava disposto a esquecer do que se tornaria verdade. Arriscaria perder Vivian para salvar vidas desconhecidas.

— Eu amo você, Arsénio — declarou-se Vivian, tentando reconfortá-lo e ampará-lo. Arsénio não disfarçou a dor, e Vivian não conseguiu disfarçar a insegurança.

— Quer beber alguma coisa? — perguntou Vivian.

— Não — respondeu Arsénio, levantado-se do sofá.

— Tomou café? — Vivian abria o armário e pegava duas xícaras. — Farei café para nós.

— Faça o que quiser, Vivian — disse Arsénio secamente.

O celular de Vivian apitou e ela foi ler a mensagem e repentinamente mudou de ideia.

— Bem, vou tomar banho. Preciso sair mais cedo de casa.

— Por quê? — questionou Arsénio, suspeitando.

— Eu quero fazer café e você não quer, e eu preciso pegar o resultado de um exame.

— Agora? O resultado não pode ser retirado pelo site do laboratório?

— Tem razão. Mas vou buscar pessoalmente. Tem outra consulta médica para ir.

Arsénio se levantou e se despediu de Vivian, dizendo que também teria um compromisso antes de ir ao instituto, e Vivian não teve interesse de saber.

Arsénio enviou uma mensagem para Lourença:

"Ela está se arrumando para se encontrar com Levi, tenho certeza" — enviou Arsénio.

Lourença recebeu a mensagem e adiantou-se para chegar mais cedo em frente ao prédio da clínica suspeita de praticar eutanásia. Dentro do carro, aguardou Vivian chegar acompanhada de Levi; os dois entraram e, em pouco tempo, Arsénio também chegou. Lourença o reconheceu e enviou uma mensagem a ele:

"Eles já chegaram. "

Arsénio recebeu a mensagem e desceu do carro, parou diante da fachada e olhou para trás. Lourença saiu de seu carro e aproximou-se.

— Não tem seguranças. Isso é um bom sinal — disse Arsénio.

Lourença pegou o cartão de acesso e passou pela catraca, em seguida, passou novamente o cartão para o sistema reconhecer a saída, desta forma, Arsénio pôde entrar usando o mesmo cartão. Os dois entraram no elevador.

Finalmente, os dois chegaram no quarto andar, onde estaria Levi e Vivian. Lourença saiu do elevador e aguardou por Arsénio, que não se mexia. Lourença segurava o elevador e insistia para que Arsénio saísse logo.

De repente, uma voz advinda da câmera de segurança começou a falar:

— Arsénio? Seja bem-vindo — A voz era de Levi. Lourença se assustou.

— Levi? — Lourença reconheceu a voz.

— Estamos no primeiro andar.

Na sala de monitoramento, Levi e Vivian estavam sentados em frente a um enorme painel com acesso a todas as câmeras de segurança.

— O que ele está fazendo aqui? — Vivian estava transtornada.

— É você que deve me responder essa pergunta. — Levi encarou Vivian. — Vocês ficarão parados?

Arsénio permaneceu estático, seu rosto estava esbranquiçado. Mais uma vez, Lourença entrou em desespero ao vê-lo desmaiar novamente.

Vivian e Levi correram para chamar o mesmo elevador em que Lourença, sentada no chão, e Arsénio, apoiado em seu ombro, estavam. Nenhum botão foi acionado, portanto os dois foram levados para o primeiro andar, onde se depararam com Levi e Vivian.

— Ele está bem? — Vivian perguntou.

— Eu estou bem — disse Arsénio, olhando Vivian, decepcionado. — Eu descobri tudo! Vocês são mentirosos, asquerosos! Como podem? Vivian! — Arsénio avançou em cima de Levi com punho cerrado

para agredi-lo, mas Vivian e Lourença conseguiram impedi-lo

— Acalme-se, Arsénio! — gritou Vivian.

— Vocês cometem assassinato!

— Cale-se! Esse cara deve estar louco, o que aconteceu com você?! — Levi se defendia.

— Vivian, por quê? — Arsénio não continhas as lágrimas de decepção. Vivian não conseguia encará-lo e aquele silêncio já era a resposta de todas as dúvidas dele.— Eu não quis acreditar até vê-la aqui — continuou Arsénio, abatido.

— Não me julgue, Arsénio — contestou Vivian. — Por favor, vamos conversar em meu apartamento. Tente se acalmar para me ouvir.

— Será a nossa última conversa, Vivian — terminou Arsénio, entrando novamente no elevador em companhia de Lourença.

Vivian não conseguia sair do lugar, estava abismada com toda aquela situação e, indecisa, ela só conseguia ver o desprezo de Arsénio enquanto as portas do elevador se fechavam.

— Vivian, não me traga problemas. Ou você resolve isso, ou eu resolverei! — ameaçou Levi.

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