Capítulo II

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Remexo-me desconfortável deitado na superfície desconhecida em que me encontro mas não consigo abrir os meus olhos. Sinto os suores frios apoderarem-se de mim e uma mão toca na minha cara pondo uma toalha fria encostada à minha testa. O toque acalma-me, apago de novo.

...

Já não sinto tanto calor, tento mexer o meu corpo mas pareço não ter controlo sobre os meus movimentos e só consigo sentir alguns espasmos nas minhas mãos e pernas.

Inspiro fundo algumas vezes e calmamente pisco os olhos para que deixe de ver tudo enevoado. Consigo mexer devagar os meus pés e mãos até que finalmente consigo olhar e pensar com clareza. Ou talvez só um pouco.

Olho à minha volta e encontro-me num quarto, que apesar de escuro posso observar ter outras camas como a que estou deitado, mas não é um hospital, é um quarto normal. Não reconheço onde estou e muito menos me lembro como vim aqui parar. E de repente percebo. Fui raptado. 

Abro muito os olhos quando a realidade me atinge como uma bomba e percebo que estando sozinho naquele cómodo, esta é a minha oportunidade para fugir. Levanto-me o mais rápido que os meus músculos e o meu cérebro conseguem e sinto tonturas horríveis apoderarem-se de mim, mas não é altura para esperar. Olho para as roupas que tenho vestidas e percebo que não são minhas, mas neste momento esse é o menor dos meus problemas.

Apresso-me a sair e para minha surpresa a porta do quarto está destrancada,talvez se tenham esquecido ou então não estavam à espera que eu acordasse. Quando saio do quarto tento fazer o menor barulho possível e consigo perceber que o sítio onde estou, que parece ser uma simples casa, está silencioso ouvindo-se apenas uma televisão baixa.

O chão range a cada passo que eu dou falhando miseravelmente na tentativa de passar despercebido quando um rapaz moreno olha para mim desconfiado enquanto passava pelo corredor. Tremo da cabeça aos pés ao ver a forma como o seu corpo estava exercitado, apesar de sermos da mesma altura e parecer que temos a mesma idade, se ele me empurrasse com um dedo estou certo de que cairia. 

Ele aproxima-se de mim em passos largos e com uma cara de poucos amigos. À medida que ele avança eu recuo até que não consigo mais e bato com as costas na parede. Engulo em seco esperando por qualquer coisa pouco agradável.

- Já falaste com ela?- ele fala com a sua voz grossa olhando-me com superioridade fazendo-me sentir uma formiga indefesa ao pé de um uma pessoa pronta a pisar-me com a sua bota.

- Ouve, eu não quero problemas eu já disse ao teu patrão que não tenho dinheiro e é verdade, por favor deixa-me ir embora. - falo firmemente não demonstrando o meu medo a todo o custo.

- Olha eu acho que deves ter batido com a cabeça nalgum lado talvez o melhor seja te sentares na sala. O Noah faz-te um chá. - fala com um sorriso cínico na cara. 

- Por favor deixa-me ir embora. Eu não tenho dinheiro. - aquela conversa de loucos estava a deixar-me confuso. Quem é o Noah? E 'ela' ?

Ele rola os olhos suspirando fortemente como se estivesse muito aborrecido e esfrega a cana do nariz com impaciência. 

- Ok vai-te embora, eu não quero saber. - encolhe os ombros e vira-me as costas entrando no quarto de onde eu acabei de sair.

Só isto? Mas que merda é que se passa aqui?

Começo a andar na direção de onde ele veio e passo pelo que parece ser uma sala onde um rapaz dorme profundamente no sofá. Avisto a porta de entrada e rapidamente, sentindo o meu corpo ainda a tremer devido à dependência, abro a porta com cuidado para não o acordar. Saio e a única coisa que vejo é verde. 

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