A viagem foi rápida, apenas uma hora, e já estavam no Rio. O complicado mesmo foi o trânsito do aeroporto até Copacabana, onde ficava a luxuosa cobertura de Elvira. Não havia mudado muita coisa desde a última vez que Eliza estivera ali, era tudo magnífico, a decoração um tanto rústica com sofás em um azul profundo, telas de pintores famosos e até alguns feito pela própria Elvira. Mas o mais encantador de tudo era a esplendorosa vista pro mar.
- Puxa, é sem dúvida uma vista maravilhosa tia Elvira. - Exclamou com os olhos fitos no mar, por um instante o medo deu lugar a uma excitação.
- Não quer dar um mergulho querida? - Sugeriu a tia. - Sei que gosta do campo, mas que também adora o mar.
- Amo a natureza. - Disse dando uma leve piscadela para a tia.
- Você precisa fazer mais amizades querida, estou muito velha pra lhe acompanhar, das outras vezes que você veio quase não saía.
- Não diga isso, a senhora está ótima. - Disse segurando a mão da tia num gesto carinhoso.
- E então, não vai dar um mergulho? - Elvira riu.
- O mar parece estar uma delícia, mas hoje não, vou ter muito tempo. - Elisa parou e lançou um olhar para a tia. - Ou não! - Exclamou fazendo cara de assustada.
- Claro Que sim querida, vai ter muito tempo.
Elisa se acomodou no mesmo quarto que ficará das outras vezes, o quarto era quase do tamanho de sua casa na fazenda, Eliza andou pela casa com a tia para ver algumas mudanças que a tia havia feito e conversou com os empregados. Elvira pediu que a cozinheira caprichasse na comida. ela convidou a secretária Fernanda para almoçar com elas e depois do almoço elas se reuniriam para passar instruções para a sobrinha, ela já queria ir deixando a sobrinha a par de tudo.
Era domingo, não tinha expediente na empresa, o almoço estava ótimo, Elisa e Fernanda se davam muito bem. Quando Elisa vinha para estagiar na empresa, Fernanda quando podia a acompanhava aos lugares. Depois de descansarem do almoço elas se dirigiram ao escritório, Elisa tomava nota de todas as informaçõe que lhe era passada. Quando saíram do escritório já passavam das oito da noite, Elvira mandou que o motorista levasse a jovem em casa.
Elisa mal conseguiu pregar o olho, teve vários sonhos com a empresa, em um deles ela fechava um mau negócio e a empresa ia a falência, e os funcionários a perseguiam gritando, "incompetente, incompetente" Elisa acordou num sobressalto, o coração batia num ritmo acelerado, o suor pingava em seu rosto. "Calma Elisa foi só um pesadelo, vai dar tudo certo" ela dizia pra si mesma. Quando olhou no relógio não passava das seis mas achou melhor levantar-se e tomar uma ducha bem demorada.
Elisa escolheu um Tailleur preto, sapatos salto alto e para quebrar um pouco a sobriedade escolheu uma bolsa cor laranja vibrante. Caprichou na maquiagem e decidiu deixar as lindas madeiras douradas caírem livremente. Elvira já a estava esperando para o desjejum.
- Bom dia querida, dormiu bem? - Elisa preferiu não preocupar a tia, então decidiu dizer que sim.
- A propósito você está muito linda querida e elegante!
- Obrigada tia Elvira, eu tentei. - Elisa deu um largo sorriso.
- E conseguiu. - A velha senhora não conseguia esconder o orgulho que sentia.
- Vou precisar sair pra comprar coisas novas.
- Eu ia sugerir isso querida, vi quando Maria guardou suas roupas que vc tem muita roupa básica.
Elisa estava acostumada com a vida no campo, não faltava em seu guarda roupa, jeans, shorts, malhas e botas. Elvira adorou a idéia de sair pra fazer compras com a sobrinha. Combinaram de visitar algumas lojas assim que saíssem da empresa, Elvira era tão carinhosa e animada, tinha uma vitalidade, no auge dos seus sessenta anos ela estava muito bem fisicamente. Tingia os cabelos de loiro, que na verdade seria a cor natural se não fossem os indesejados fios brancos. Ela estava sempre de Tailleur ou terninho, deixava os vestidos para ocasiões especias.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Doce Sorriso
RomanceElizabeth Dantas era um jovem simples, criada na fazenda. Mas teve seu destino mudado, com a morte do marido e único herdeiro de sua tia, Elvira Campbell. Eliza, como todos a conheciam, deixou sua zona de conforto na fazenda, o aconchego e carinho...
