Capítulo 1: Novidades

159 28 351
                                        

-Malena! Filha! Vem aqui!

A mulher desce as escadas preguiçosamente, enquanto sua mãe ansiosa batuca os dedos no corrimão e aperta o tecido do vestido na cintura.

-Fala mãe...

Como se tivesse a melhor fofoca na mente, a mulher já madura se endireita e brinca com as palavras em tom de chantagem.

-Tenho novidades, mas só vou contar se me tratar direito.

Qual é a novidade mamãe? Sabia que eu te amo? É por isso que você vai me contar...(Digo com uma voz doce e me agarro nela, então ela cai na gargalhada)

Falsa. Eu só vou contar porque EU te amo.

Conta, conta, conta! (Eu estava sendo muito infantil, mas tudo bem, com tanto que eu descubra..)

O seu primo, Nicolaus está voltando para o Brasil! (Ela da pulinhos e solta alguns gritinhos)

Achei que ele estava amando Londres, ou melhor, achei que aquele traíra estava feliz em me deixar aqui quando eu mais precisei. (Digo espremendo os olhos e com chateação na voz, eu e Nick sempre fomos próximos, ele era meu único amigo, ele decidiu ir embora para Londres e só me contou no dia sem me dar chance de se despedir, mantivemos contato, mas com o tempo fomos se afastamos, depois de 7 anos eu vou revê-lo, como será que vai ser?)

Ah, filha... Não vem com essa de garotinha magoada, você nunca deixou de amar o turrão do seu primo. Sem falar que ele está passando por um momento difícil.

Que momento?

Bom... A 6 meses ele iniciou um namoro com uma garota e ela... Traiu ele.

Hahahahaha, eu não estou escutando bem mãe, definitivamente não, ele é o maior galinha. E também... Por que vocês saberiam disso e eu não?

Talvez porque vocês não são mais amigos e você age como uma escrota com ele. (Responde ela toda séria, pera ele levou chifre mesmo?) hahaha, quem ri por último ri melhor, não é filha? Olha sua cara.

Aff, mãe. Quando ele chega?

As 17:00 h.

Fala para a tia Rose que não precisa ir buscar ele, eu mesma vou. Quero ser a primeira pessoa a vê-lo. (Recebo o olhar de quem vai dizer não e me defendo).

É meu direito! Vocês sempre me deixam desinformada sobre meu primo! (Falo dramaticamente)

Ok. Vai querer me carro emprestado, Malena?

Não, vou com o meu, assim poderemos sair pra tomar sorvete e rever a cidade.

A Rose vai ficar feliz. (Minha mãe lança-me um sorriso doce e angelical)
Vamos fazer um jantar de boas vindas aqui em casa, estejam aqui até 20:00 h. (Seu tom de repreensão me faz rir e transformar o clima para algo ainda mais leve) Os seus primos por parte de pai também estarão aqui, juntamente com Josep e Ana.

(Sinto meu coração palpitar em falso? Ana?!Mãe! Não posso sair comer pizza com o Nick?

Não.

Então mantenha ela bem longe de mim. (O clima fica pesado e, mesmo com a garganta fechada, faço uma piada para amenizar) Ou eu "Corto-lhe as cabeças"! (Ela solta um riso descontraído se apoiando no corrimão)

Que horas são?

15:00 h.

Bom, considerando que se eu quero chegar no aeroporto até 17:00 h eu tenho que sair 16:20 h, vou me arrumar. (Digo e subo as escadas correndo)

(Quando chego no topo, solto um enorme suspiro e continuo andando, contando meus passos como uma criança em direção ao banheiro, paro em frente da enorme porta branca envernizada e lembranças dele invadem minha mente, consigo ouvir nossos gritos esganissados enquanto corríamos para lá e para cá. Consigo enxergar nossos sorrisos banguelas, mas então eu me vejo caindo e batendo a cabeça no corrimão da escada, minhas mãos colidindo na quina da mesma evitando que eu caia, faço uma careta ao me lembrar da dor, ouço um Nick desesperado ao meu lado, ele põe suas pequenas mãos infantis na minha testa onde doía o corte, meus pais estavam lá fora e não ouviram, ficamos com medo de uma bronca e ele cuidou de mim, sorrio ao lembrar dele me abraçando e falando que tudo ia fica bem, ele me levantou e me empurrou suavemente para o banheiro, abro a porta do meu banheiro e as lembranças continuam me tomando, dou um passo entrando no nele, em minha lembrança, Nick me fez sentar no vaso sanitário enquanto pegava o kit primeiros socorros da Barbie fazendo uma careta para, logo em seguida, se pronunciar "você gosta disto?" Eu dei de ombros e ele abriu se aproximando de mim, pegou o algodão e molhou na torneira, limpou meu corte aguentando todo o chororo e colou com uma fita alguns pedaços do algodão para estacar, então eu pergunto "isso vai ajudar meu machucado?" o menino deu de ombros sorrindo sapeca, num ato inesperado seus lábios depositam um beijo em cima do algodão e eu o olho sem entender "mamãe sempre diz que beijos curam tudo, então..." Ela dá de ombros sem jeito e eu pulo do vaso o abraçando, depois de um tempo assim, se soltamos e caímos numa gostosa gargalhada)

Condenados Onde histórias criam vida. Descubra agora