TRINTA E SEIS

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Fiquei em choque. O meu coração acelerou, quase saindo pelo peito, a minha respiração tornou-se mais rápida. Eu não quis acreditar, que estava frente a frente com ele um ano após eu desaparecer. Ji Yong olhava-me fixamente, ele estava lindo como sempre, e um sorriso leve surgiu-lhe no rosto. Eu não queria ceder de forma nenhuma então não tive nenhuma reação.

- Ficamos assim? - ele questionou sereno.

- Assim como? - respondi-lhe rápido e confusa.

Ele olhou-me e em redor e riu-se.

- Assim à porta...

Com essa afirmação dei por mim a olhar em volta e a pensar se realmente o deveria deixar entrar. Eu fuji por causa dele. Pra não estar com ele.E agora ele estava ali à porta de minha casa, com aquele sorriso a pedir-me basicamente pra entrar. Pensei e repensei isto mais que meio milhão de vezes dentro da minha cabeça em questão de segundos.

Cedi.

Deixei-o entrar, dando-lhe passagem. Ele sorriu, caminhando comigo na direção da sala. Fiz-lhe sinal pra que se sentasse e ele assentiu agradecendo.

- Queres café? - perguntei já mais serena.

Ele olhou-me meio que admirado pela oferta. Provavelmente até com o facto de eu o ter deixado entrar, logo à partida.

- Sim, aceito. - ele retorquiu calmamente.

Fui o mais rápido que pude pra cozinha, enquanto preparava o café dava pra me por a pensar nas coisas mais ridículas que a minha mente conseguia ir buscar naquele momento.
Peguei na cafeteira pondo o café na chávena e levei-o até à sala. Pousei na mesa pra que ele tomasse e sentei-me frente a ele.
Ficamos a encarar-nos por uns segundos até ele falar.

- Porque fugis-te? - falou, sem medo algum e o mais direto que pôde.

Olhei-o surpreendida, a pensar profundamente o que lhe haveria de responder, mas...

- Por tua causa. - acabei a ser tão direta quanto ele.

Ele olhou-me baixou o rosto e falou de Novo, mas sem me encarar.

- Eu sei que menti... mas não o fiz por mal. - olhou-me assim que acabou de falar.

- Todos os mentirosos não mentem por mal, assim todos o dizem, mas realmente à mentiras que magoam demasiado. Há mentiras que... - fui interrompida antes de conseguir terminar.

Ji Yong colocou-se de pé e resmungou sério demais.

- Eu não menti! De forma nenhuma.
A verdade está à tua frente Mi, sempre esteve, apenas não quises-te ver. Durante um ano!! Um ano e mesmo assim não viste que estavas errada sobre mim. - ele falava nervoso a gesticular o mais que podia - Eu apanhei o teu contacto no chão,  porque o homem a quem o entregas-te deitou-o fora por estar acompanhado. Achei-te linda, uma mulher fascinante e fiquei curioso sobre ti. Mandei mensagens e apaixonei-me por uma pessoa que eu só havia visto uma única vez! Até ao dia que os meus pais, mais uma vez fizeram um dos seus arranjinhos. E sabes, eu recusei com todas as forças que tinha. Discuti com os meus pais durante dias, por pensar em ti. Mas, acabei a ceder aos meus pais e fui naquele jantar que eu achava ridículo. E encaro contigo.
Todo eu tremi, sabias? - por momentos um leve sorriso apareceu, mas ele continuou sério.- Eu fiquei entusiasmado a todos os níveis por te ter ali perto de mim. Como eu sabia que tu não sabias quem eu era, quis apenas ver como corria, queria ter apenas a oportunidade de te conhecer antes de me conheceres. Foste bruta. Pura e radical. E eu que nem doido apaixonei-me mais um pouco por ti. E assim que chegas a casa envias mensagem a dizer que o jantar foi horrível. Senti-me péssimo por um lado, mas por outro foi uma boa sensação. Pedi aos teus pais pra manterem o meu nome em segredo, que queria fazer-te uma surpresa e eles concordaram. Pela primeira vez nos meus vinte e sete anos eu senti que os meus pais acertaram finalmente na pessoa que me faria feliz. E quando me encaras foges do nada. Falamos após isso e... voltas a fugir. Procurei-te por todo lado sabias?! Um ano... foi um ano Mi... - ele acabou de falar parecendo exausto e sentou-se de rosto baixo.

Era muita coisa para eu assimilar. Apaixonado por mim? E eu fugi. Realmente ele não tinha mentido. Nunca mentiu. E eu fiz com que ele sofresse. Eu magoei os sentimentos dele. E não era justo.
Acabei eu por baixar o rosto e uma lágrima escapou-se. Então... senti uma mão tocar-me limpando aquela lágrima que me fugia.

- Não chores... - sussurrou ao meu ouvido.

 Kwon Ji Yong // Chat1Onde histórias criam vida. Descubra agora