Cap 8 - It's her

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Acordei com o sol penetrando pela janela de Jennie. Ela ainda dormia que nem um anjo. Não podia deixar de reparar no modo pacifico que ela dormia. A minha vontade era de acordá-la com um beijinhos, mas ela estava tão linda dormindo que nem tive coragem.
Me levantei e fui andando até à casa de banho, quando reparei na ferida que tinha ficado em minha cara. Como eu ia disfarçar isso? Não havia maneira de o fazer, e minha mãe ia notar. Que raio havia eu de dizer? Que fui atacada por um gato? De qualquer forma, não sei se era uma mentira suficientemente credível. Mas tinha de tentar. A verdade para já era algo a evitar a todo o custo.
Troquei de roupa e desbloqueei o celular, para encontrar uma mensagem de meu irmão Jimin:
*Text on*
Mano Jimin (10:32):  Hey Lisa. Preciso de falar com você hoje, urgente… é sobre a mãe. Quando poder me fala qualquer coisa, beijinho.
Lisa (11:15): Como assim? Aconteceu algo de grave Jimin?
Mano Jimin (11:16): Tem calma, mana. Você pode vir ter comigo hoje?
Lisa (11:17): Sim… estou ficando em casa de Jennie… onde quer que eu vá ter?
Mano Jimin (11:18): Vem ter comigo ao coffee shop, na Rua perto do seu trabalho.
Lisa (11:19): Tudo bem. 13:00 lá?
Mano Jimin (11:20): Tudo bem mana.
Lisa (11:21): Jimin, você dormiu em casa hoje?
Mano Jimin (11:22): Não, estou ficando em casa de um amigo… porquê?
Lisa (11:23): Por nada, por nada.. Até logo mano.
Mano Jimin: (11:24): Até logo Lisa xx
*Text off*
Se Jimin tivesse dormido em casa, já saberia do que aconteceu ontem. Meu pai ia falar que me tinha expulsado de casa. As memórias ainda estavam bem presentes na minha cabeça, e eu ainda não fazia a mínima ideia de como lidar com tudo isso. Não queria voltar para casa por nada deste mundo. Só ver meu pai já me dava voltas ao estômago. Entrar em casa me aterrorizava. Nem sei se estou melhor por enquanto sem casa, ou a aturar meu pai bebâdo todos os dias. Enfim, era ela por ela. Tudo isto, e nem sabia como havia de contar a Jimin o que se passou ontem. Mas ele ia notar. Era impossivel não notar esta estúpida marca que me ficou na cara.
Além de que não conseguia parar de pensar no que se passou com a minha mãe, que ele não me queria contar por celular. Pelos vistos seria um dia super calmo outra vez. Só me pergunto quando teria paz e tempo para respirar.
Vou até à sala e encontro Rosé e Jisoo a acordarem.
Jisoo: Bom dia… já mudou de roupa Lisa?
Lisa: É eu… vou ter de ir. Meu irmão precisa de falar comigo… acho que aconteceu algo com minha mãe…
Rosé: Como…como assim?
Lisa: Pois, eu não sei, mas não estou com um bom pressentimento…
Sinto uma presença a se aproximar. Me viro para encontrar Jennie bocejando e esfregando os olhos.
Jennie: Bom dia… passa-se alguma coisa? - Sua voz melodiosa e rouca ecoa pela sala – Porque já está vestida Lisa?
Lisa: É...meu irmão… ele precisa de falar comigo, eu tenho de ir…
Falei pegando em minha mochila.
Jennie: Hey, calma! Nem pense que vai sem tomar o pequeno almoço!
Jennie falou agarrando suavemente em meu braço e por alguma razão me arrepiei.
Lisa: Tudo bem. Acho que ainda tenho tempo.
Jennie: Me ajuda a fazer panquecas?
Lisa: Eu não tenho grande jeito para cozinhar…
Jisoo: Nem eu meninas, fico aqui dando apoio moral!
Rosé: É, eu também…
As duas falam ligando a televisão e se encostando de modo relaxado no sofá.
Jennie: Grandes ajudantes que vocês saíram!
Jennie fala rindo se dirigindo à cozinha e eu sigo seus passos.
Jennie: Muito bem, parte 3 ovos e mete dentro da panela.
Assim o fiz enquanto Jennie batia a farinha misturada com o leite. Os meus pensamentos não saíam de Jimin e do que ele queria falar comigo. Sem querer despejei metade do ovo no chão.
Lisa: Porra!
Falei irritada comigo mesma.
Jennie: Tudo bem, calma Lisa.
Jennie se aproximou de mim pegando nos ovos e metendo-os dentro da panela.
Jennie: Sinto que você não está bem aqui, pois não Lisa?
Seus grandes olhos castanhos me encaram.
Lisa: Pois…
Apenas falei  sem me querer adiantar muito, mas a morena sussurrou no meu ouvido.
Jennie: O que o seu irmão falou, Lisa?
Lisa: Ele só… disse que era algo sobre minha mãe, e era urgente. Não consigo parar de pensar no que seja.
Jennie: Tem calma… Vai ver que não é nada de grave… me liga logo que souber alguma coisa?
Lisa: Sim, Jen.
Ela sorriu continuando batendo as claras do ovo tudo junto e um sorriso saíu de seus lábios. Tomamos o pequeno almoço calmamente até que deu a hora de eu ir embora. Me despedi das meninas e prometi dizer algo logo que tivesse notícias.
O nervosismo aumentava à medida que me aproximava do restaurante que tinha combinado de me encontrar com Jimin. Até que avisto meu irmão sentado na esplanada.
Lisa: Bom dia, Mano.
Falei abraçando-o. Já não o via à alguns dias, e Jimin costumava andar com seus amigos Taeyoung, J-Hope, Suga, Jung Kook, Jin e Rap monster.
Jimin afasta-se rapidamente do meu abraço notando a marca em minha cara.
Jimin: Que…que aconteceu com você?
Não conseguia mentir para meu irmão. Tinha de deitar cá para fora o que tinha acontecido, se não ia sufocar, e não devia faltar muito para isso.
Lisa: Foi…o pai.
Jimin: Como? Como assim? O pai te bateu?
Jimin me encarou assustado. Sua pele ficou ainda mais pálida que o habitual.
Lisa: Sim, nós…tivemos uma discussão.
Jimin: Mas porquê? Ele estava bebâdo de novo?
Lisa: Sim…
Apenas desabafei.
Jimin: Aquele filho da puta… eu vou partir a cara dele!
Lisa: Não, Jimin! Chega, já passou...
Jimin: Como já passou? Está vendo a marca que ele deixou em sua cara?
Jimin falou exaltado chamando algumas atenções do restaurante para nós.
Lisa: Isso não importa agora…
Jimin: Importa Sim! Eu não vou deixar mais aquele sacana te tocar! E hoje vou ter uma conversa com ele…
Lisa: Jimin, ele… me pôs fora de casa. Ele falou que tinha 2 semanas para arrumar minhas coisas e sair. Não há grande coisa que você possa fazer.
Jimin: O quê? Como ele foi capaz? Não, isso não pode ficar assim…
Jimin falou se exaltando batendo com o punho na mesa.
Lisa: Hey, calma…. Jimin, me promete que você não o vai enfrentar! Você sabe que pode ser perigoso!
Jimin: Eu não quero saber Lisa! O que ele fez a você não se volta a repetir!
Meu irmão estava ebulindo em raiva e eu não sabia o que fazer. Sabia que ia ser impossível ele se conter perante o meu pai.
Lisa: Vamos arranjar uma solução… por favor só não enfrenta o pai…
Jimin me encarou contrariado mas acabou por concordar o que me fez acalmar por instantes.
Lisa: E a mãe? Que se passa com ela?
Fui direta ao assunto. Já não aguentava mais tanta ansiedade.
Jimin: Os enfermeiros ligaram para mim… me informaram que o cancro não evoluiu nem regrediu. A mãe vai ter de continuar no hospital fazendo tratamento, pois ainda está muito frágil… não poderá vir para casa nem tão cedo…
Meu coração parou. Será que nada podia correr bem? Era nestas alturas que eu precisava de minha mãe boa e curada. Precisava de seu apoio. Precisava da minha mãe. Mas a sorte não estava do nosso lado…nunca estava. Tentei esquecer mais uma vez o facto dela estar doente, e me encher de forças e enfrentar a situação como um adulto. Tanto eu como Jimin fomos obrigados a crescer quando aconteceu isto com a minha mãe. E por muito que fosse díficil, era importante esboçar um sorriso todos os dias em frente a ela.
Lisa: : Okay…
Falei simplesmente. Havia vezes que nem sabia o que falar perante esta situação. Era uma merda. E me doía por dentro não poder mudar nada.
Lisa: Só não fala para a mãe o que me aconteceu, está bem?
Jimin concordou. Fomos interrompidos pelo som de seu telemóvel.
Jimin: Sim? Tae-hyung? (…) Estou com minha irmã… (…) sim pode vir aqui ter. (…) até já.
Jimin desligou o celular.
Jimin: Era V, ele vem cá ter. E os outros também...
Tae-Young e o resto do grupo de amigos de Jimin eram amigos desde infância, por isso eu os conhecia a todos. Jin, Suga, J-Hope e Jungkook eram todos bons garotos, embora alguns já tivessem tentado se meter comigo. Mas Jimin sempre foi muito protetor em relação a isso, e nunca deixou nenhum abusar de mim.
Os garotos chegaram e me cumprimentaram sentando-se em volta da mesa. Tae-Young sentou-se a meu lado.
Tae-Young: Oi Lisa, tudo bem?
Lisa: Tudo tae-Young. Como está sua perna?
Tae-Young tinha tido uma lesão na perna à uns tempos a jogar futebol, e eu o tinha ajudado a recuperar, fazendo uma ligadura.
Tae-young: está melhor, obrigado.
O garoto respondeu simplesmente sorrindo.
Tae-young: E você, como está?
Lisa: Estou…bem.
Menti. Não valia a pena estar a maça-lo com tudo o que se passa na minha vida.
Tae-young: De certeza? Você sabe que pode sempre contar comigo, tem um amigo aqui.
Tae-Young falou sorrindo. Tenho de admitir que ele era um bom garoto, um excelente amigo ao longo dos anos, e até atraente. Ás vezes me perguntava se ele sentia algo por mim. De todos os garotos sempre foi aquele que criei mais ligação. Mas nunca pensei em Tae-Young além da amizade. Por alguma razão ele nunca despertou em mim um sentimento que fosse para além disso. Apesar de ter sido a pessoa até hoje que mais estive perto de namorar. Mais por brincadeira e incentivo dos outros garotos, mas nunca aconteceu realmente. Ás vezes me perguntava se era capaz de me apaixonar por alguém. De precisar constantemente dessa pessoa, de desejar essa pessoa mais do que tudo, de a ter na mente 24h por dia… esse sentimento que todos falam? Pois… eu acho que o começava sentindo. Por uma garota que conheci à apenas duas semanas, e que tem revolucionado minha vida para melhor. Jennie. Essa garota fascinante que me deu a volta à cabeça, e eu não sabia como lidar com isso.

Must be Love on the brain - JenlisaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora