Capítulo 7 - Os ingredientes

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Leônidas passou boa parte da manhã em silêncio, rabiscando símbolos arcanos em um pergaminho antigo. A chama da lareira tremulava conforme ele murmurava palavras em uma língua esquecida. Quando terminou, ergueu o olhar para o grupo reunido na sala.

- Muito bem... - disse, respirando fundo. - Aqui está o que eu preciso para realizar o feitiço.

Ele desenrolou o pergaminho sobre a mesa.

- Primeiro: uma flor. Não uma flor comum, mas uma flor do Jardim de Bastian. Fica próximo a uma aldeia daqui.
- O problema é que o jardim é protegido por seres mágicos. Eles não gostam de visitantes.

Petrus cruzou os braços.

- Então não vai ser uma caminhada tranquila.

Leônidas continuou:

- Segundo: sangue de dragão. Isso não será um problema... eu mesmo irei teleportar vocês até o local.
- Terceiro: uma pena de grifo. Vocês podem consegui-la naquela mesma montanha onde acampamos. Levem peixes, carne e qualquer coisa que grifos costumem caçar. Use isso como isca.

Ele recolheu o pergaminho.

- Os outros ingredientes eu já possuo. Com esses três, o feitiço estará completo.

Thunder assentiu lentamente.

- Vai ser difícil... mas vamos conseguir.

- Pode levar alguns dias - completou Petrus. - Mas não vamos falhar.

Leônidas então virou-se para Tetsu.

- Você irá com eles.
- Será bom para treinar... e para se preparar para o que está por vir.

Os olhos de Tetsu brilharam.

- Fico muito feliz em ouvir isso. Eu realmente queria ir.

Thunder suspirou, claramente contrariado.

- Não sou muito a favor...
- Mas tudo bem.

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Uma Conversa Necessária

Pouco depois, Leônidas chamou Tetsu com um gesto discreto.

- Venha comigo.

Eles caminharam para fora da casa. O ar da floresta era fresco, e a luz do sol atravessava as copas das árvores como lâminas douradas. Por alguns instantes, nenhum dos dois falou nada.

Então Leônidas quebrou o silêncio.

- Você acha que vai conseguir se controlar quando suas memórias voltarem?

Tetsu parou de andar.

- Eu... já pensei nisso.
Respirou fundo.
- E a verdade é que eu não sei.

Leônidas observava cada palavra.

- Você pode enlouquecer.
- Pode deixar de ser quem é agora.

- Eu sei - respondeu Tetsu, com a voz firme, apesar do medo. - Não sei se vou deixar de ser Tetsu... se vou me tornar outra pessoa... ou outra coisa.
- Mas eu prometo uma coisa: vou fazer o meu melhor para não perder o controle.

Leônidas assentiu lentamente.

- Isso já é mais do que muitos conseguiriam prometer.

Ele então parou e encarou o garoto.

- Tenho mais uma pergunta.
- Você quer se tornar mais forte?

Tetsu respondeu sem hesitar:

- Quero. Muito.

Leônidas abriu um leve sorriso.

- Então... eu tenho um presente para você.

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A Espada de Miriel

O ar ao redor de Leônidas começou a vibrar. Runas douradas surgiram no espaço vazio à sua frente, girando lentamente, até que uma espada começou a se materializar.

Era uma lâmina de tamanho médio, elegante e letal. O metal parecia refletir a luz de forma diferente, quase celestial. Próximo à guarda, havia o desenho delicado de uma asa entalhada.

Leônidas segurou a espada com naturalidade e, com um único movimento, desferiu um golpe horizontal.

A árvore à frente deles foi partida ao meio, como se fosse feita de papel.

- Você sabe que espada é essa? - perguntou ele.

Tetsu engoliu em seco.

- Não... não sei.

- Esta é a espada de um arcanjo.
- Do arcanjo Miriel.

O nome ecoou na mente de Tetsu.

- Miriel... - murmurou. - Eu... já ouvi esse nome...

Leônidas estendeu a espada.

- Pegue.

Tetsu hesitou por um instante, mas estendeu a mão.

- Está bem... me dê.

Assim que seus dedos tocaram o punho da espada, o mundo pareceu se despedaçar.

Tetsu arregalou os olhos e começou a gritar.

- Você?!
- Você estava morta!!

Uma onda de energia explodiu ao redor dele. Leônidas tentou segurá-lo, mas foi forçado a recuar ao quase ser atingido por um golpe descontrolado da lâmina.

- Droga...!

Sem perder tempo, Leônidas ergueu o cajado.

- Névoa Sonífera.

Uma névoa prateada se espalhou pelo ar. No instante em que Tetsu a inalou, seu corpo perdeu as forças e ele caiu inconsciente.

Leônidas suspirou, visivelmente preocupado. Guardou a espada nas costas e estalou os dedos.

Duas marionetes mágicas surgiram e cuidadosamente ergueram o corpo de Tetsu.

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A Decisão

De volta à casa, Leônidas encontrou Thunder.

- Vocês terão que ir sem o Tetsu.

- O quê? - perguntou Thunder.

- Ele entrou em um sono profundo.
- Teve outra visão.

Tony franziu a testa.

- Outra?

- A primeira foi com um demônio - continuou Leônidas. -
- Esta... pelo que tudo indica... foi com um arcanjo.

- Um arcanjo? - Tony arregalou os olhos.

Leônidas tocou a espada em suas costas.

- O antigo portador desta lâmina.
- Assim que Tetsu encostou nela, algo despertou.

- Agora eu entendo... - murmurou Tony.

Erick respirou fundo.

- Então é melhor irmos logo. Quanto mais cedo voltarmos, melhor.

Thunder assentiu.

- Certo. Vamos nos mover.

Leônidas olhou para cada um deles.

- Boa sorte.
- E tenham cuidado.

Enquanto o grupo partia para reunir os ingredientes do feitiço, Leônidas levou Tetsu até a cama e o cobriu com cuidado.

O garoto dormia profundamente...
Mas em sua mente, asas queimavam, espadas cantavam e um passado esquecido começava a despertar.

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