Antes de irem fazer Tetsu tomar a porção, eles decidiram enterrar o corpo de Leônidas. Buscaram a porção e, em seguida, retornaram para realizar o sepultamento em frente à árvore selada. O ambiente estava silencioso, pesado, como se o próprio mundo respeitasse aquele momento. Thunder deu alguns passos à frente, respirou fundo e fez um pequeno discurso.
Thunder — Você nunca deixará de estar nas minhas memórias. Você foi a melhor pessoa que eu já conheci… um grande mago e um ótimo pai. Mesmo depois da morte da mamãe, e quando o resto da nossa família nos abandonou, você nunca desistiu de mim. Você cuidou de mim, me treinou e me fez ser quem eu sou hoje. Eu agradeço por tudo, pai.
Thunder se abaixou e pegou o brinco medidor de poder. Segurou-o por alguns segundos, como se ainda sentisse a presença de Leônidas ali.
Thunder — Eu sei que o senhor queria que eu ficasse com isso.
Ele colocou o brinco, virou-se de costas, enxugou as lágrimas rapidamente e falou com a voz firme, ainda que carregada de dor.
Thunder — Vamos logo com isso… tome a porção, Tetsu.
Tetsu — O quê? Espera… já? Acho que é melhor esperarmos um pouco mais.
Petrus — Calma aí, Tetsu. Se acalma. A gente vai estar aqui, aconteça o que acontecer.
Tetsu — … Tá.
Thunder — Vamos!
Assim que Tetsu tomou a porção, seu corpo perdeu as forças e ele caiu no chão, inconsciente.
MEMÓRIAS
Tetsu — Onde é que eu estou? Que jardim lindo é esse… Eu não entendo… Hã? Por que todos eles têm asas? Mas que… eu tenho asas?! O que está havendo?
Tetsu estava revivendo exatamente aquilo que viveu antes de perder suas memórias.
Tetsu — Isso deve ser um sonho… só pode ser isso. Eu tenho que acordar…
Miriel — O que você está fazendo aí, deitado?
Tetsu abriu os olhos e viu aquele rosto resplandecente. Uma sensação familiar tomou conta de seu peito, e fragmentos de lembranças começaram a emergir.
Tetsu — Eu sou um anjo? Miriel… é você?
Miriel — Não entendi — risos — Acho que você dormiu tanto que acabou perdendo a memória.
Tetsu — Perdi… a memória… entendi. Então essas são as minhas memórias.
Miriel — Do que você está falando? Venha logo. Leide, a Deusa Suprema, deu uma missão para você, Baleque e Zeal. E eu serei a líder dessa missão.
Tetsu — Missão? Que missão?
Pensamento de Tetsu — Espera… eu preciso agir normalmente. Talvez assim eu recupere minhas memórias por completo.
Tetsu — Me relate a missão, por favor.
Miriel — Me acompanhe.
Tetsu seguiu Miriel até uma cidade de ruas douradas. Tudo ali brilhava intensamente, como se fosse feito de ouro puro. Anjos voavam em todas as direções, cruzando o céu com leveza. Eles chegaram a uma casa que possuía o símbolo de uma asa gravado na porta. Aquele lugar era o arsenal do grupo.
Miriel pegou uma espada e falou com orgulho:
Miriel — Escolha a sua arma. Esta aqui é a minha espada. Enquanto eu estiver com ela, não posso ser derrotada… apenas pelas divindades.
Tetsu — Essa espada… é a sua espada…
Miriel — É exatamente o que eu acabei de dizer. Você está muito estranho hoje. Já escolheu a sua arma?
Tetsu — … Eu vou escolher. Esse martelo.
Miriel — Como sempre. É claro que você escolheria um martelo… o seu martelo sagrado, Rhitta. Ó grande Tetsu, o Martelo da Justiça — risos — Não é à toa que você tem essa fama.
Tetsu recuperou mais um pouco de sua memória. Lembrou-se do dia em que recebeu o título de Martelo da Justiça e das inúmeras batalhas que travou empunhando Rhitta. Ele olhou para o martelo em sua mão e murmurou:
Tetsu — Rhitta…
Miriel — Sim, é o seu martelo. Sério, você está muito estranho hoje… pensa rápido!
De repente, Miriel desferiu um ataque extremamente rápido. Tetsu reagiu por instinto e defendeu com o martelo. Logo em seguida, seu olho esquerdo começou a arder. Chamas surgiram, mas não eram comuns — eram azuis. Ele se lembrou dos poderes de sua graça, apontou a mão esquerda para frente e disse:
Tetsu — Queime… Chamas Sagradas!
Uma poderosa rajada de fogo saiu de sua mão, atingindo Miriel e lançando-a para longe, destruindo parte da parede do arsenal. Ela se levantou, sorriu e falou:
Miriel — Agora sim você está normal. Vamos nessa…
Uma energia imensa começou a emanar de Miriel, mas antes que ela pudesse agir, uma voz ecoou:
Uriel — Cancelar.
Instantaneamente, o poder de Miriel foi anulado.
Uriel — Miriel, você é uma dos quatro arcanjos. Deveria ter um pouco mais de maturidade.
Miriel — Você não manda em mim, sabia?
Uriel — Eu sou o líder dos quatro arcanjos. O mais poderoso entre eles. E eu não mando em você?
Miriel — Não. Só a Leide manda.
Uriel — Pois bem. Foi ela quem me enviou. Mandou avisar que vocês devem ir logo para a missão.
Miriel — Está bem, nós já estávamos indo mesmo. Vamos, Tetsu.
Baleque e Zeal se juntaram aos dois. Enquanto se afastavam, Tetsu perguntou:
Tetsu — Para onde estamos indo?
Baleque — Ora, para onde mais? Vamos pular da cidade.
Tetsu — Como assim?
A cidade onde estavam era flutuante, muito acima das nuvens. Eles chegaram ao limite da cidade. Tetsu olhou para baixo e não conseguiu ver o chão, apenas um vasto mar de nuvens. Um frio percorreu seu estômago. Ele olhou para suas asas e pensou: “Como se usa isso? Elas vão funcionar?”
Quando viu todos pulando e começando a voar, fechou os olhos e se deixou levar. Seu corpo despencou rapidamente, passando por Miriel e pelos outros.
Miriel — Por que ele não está voando?
Tetsu abriu os olhos no meio da queda, viu a imensidão abaixo de si e começou a sorrir. Lembrou-se das vezes em que voou acima das nuvens, do treinamento, das batalhas em que sobrevoava seus inimigos. Então, instintivamente, abriu as asas e começou a voar, subindo rapidamente e assustando Miriel.
Miriel — Mas que… ele sempre faz essas coisas — risos — Tetsu, Baleque e Zeal, me acompanhem.
Eles voaram em alta velocidade até um local extremamente sombrio. Ao pousarem no chão, olharam à frente e viram um grupo de dez demônios.
Miriel — Vamos mandar essas bestas para o lugar de onde elas vieram.
Continua…
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Olhos de fogo
AdventureHistoria de um "humano" chamado Tetsu e de um herói chamado Thunder, eles dois e seus amigos iram partir em uma grande aventura, que acontecerá grandes batalhas e perdas dolorosas.(Ipunker- capas chavosas )
