Capítulo 12 - Memórias perdidas - Parte 1

47 4 0
                                        

Antes de irem fazer Tetsu tomar a porção, eles decidiram enterrar o corpo de Leônidas. Buscaram a porção e, em seguida, retornaram para realizar o sepultamento em frente à árvore selada. O ambiente estava silencioso, pesado, como se o próprio mundo respeitasse aquele momento. Thunder deu alguns passos à frente, respirou fundo e fez um pequeno discurso.

Thunder — Você nunca deixará de estar nas minhas memórias. Você foi a melhor pessoa que eu já conheci… um grande mago e um ótimo pai. Mesmo depois da morte da mamãe, e quando o resto da nossa família nos abandonou, você nunca desistiu de mim. Você cuidou de mim, me treinou e me fez ser quem eu sou hoje. Eu agradeço por tudo, pai.

Thunder se abaixou e pegou o brinco medidor de poder. Segurou-o por alguns segundos, como se ainda sentisse a presença de Leônidas ali.

Thunder — Eu sei que o senhor queria que eu ficasse com isso.

Ele colocou o brinco, virou-se de costas, enxugou as lágrimas rapidamente e falou com a voz firme, ainda que carregada de dor.

Thunder — Vamos logo com isso… tome a porção, Tetsu.

Tetsu — O quê? Espera… já? Acho que é melhor esperarmos um pouco mais.

Petrus — Calma aí, Tetsu. Se acalma. A gente vai estar aqui, aconteça o que acontecer.

Tetsu — … Tá.

Thunder — Vamos!

Assim que Tetsu tomou a porção, seu corpo perdeu as forças e ele caiu no chão, inconsciente.

MEMÓRIAS

Tetsu — Onde é que eu estou? Que jardim lindo é esse… Eu não entendo… Hã? Por que todos eles têm asas? Mas que… eu tenho asas?! O que está havendo?

Tetsu estava revivendo exatamente aquilo que viveu antes de perder suas memórias.

Tetsu — Isso deve ser um sonho… só pode ser isso. Eu tenho que acordar…

Miriel — O que você está fazendo aí, deitado?

Tetsu abriu os olhos e viu aquele rosto resplandecente. Uma sensação familiar tomou conta de seu peito, e fragmentos de lembranças começaram a emergir.

Tetsu — Eu sou um anjo? Miriel… é você?

Miriel — Não entendi — risos — Acho que você dormiu tanto que acabou perdendo a memória.

Tetsu — Perdi… a memória… entendi. Então essas são as minhas memórias.

Miriel — Do que você está falando? Venha logo. Leide, a Deusa Suprema, deu uma missão para você, Baleque e Zeal. E eu serei a líder dessa missão.

Tetsu — Missão? Que missão?

Pensamento de Tetsu — Espera… eu preciso agir normalmente. Talvez assim eu recupere minhas memórias por completo.

Tetsu — Me relate a missão, por favor.

Miriel — Me acompanhe.

Tetsu seguiu Miriel até uma cidade de ruas douradas. Tudo ali brilhava intensamente, como se fosse feito de ouro puro. Anjos voavam em todas as direções, cruzando o céu com leveza. Eles chegaram a uma casa que possuía o símbolo de uma asa gravado na porta. Aquele lugar era o arsenal do grupo.

Miriel pegou uma espada e falou com orgulho:

Miriel — Escolha a sua arma. Esta aqui é a minha espada. Enquanto eu estiver com ela, não posso ser derrotada… apenas pelas divindades.

Tetsu — Essa espada… é a sua espada…

Miriel — É exatamente o que eu acabei de dizer. Você está muito estranho hoje. Já escolheu a sua arma?

Tetsu — … Eu vou escolher. Esse martelo.

Miriel — Como sempre. É claro que você escolheria um martelo… o seu martelo sagrado, Rhitta. Ó grande Tetsu, o Martelo da Justiça — risos — Não é à toa que você tem essa fama.

Tetsu recuperou mais um pouco de sua memória. Lembrou-se do dia em que recebeu o título de Martelo da Justiça e das inúmeras batalhas que travou empunhando Rhitta. Ele olhou para o martelo em sua mão e murmurou:

Tetsu — Rhitta…

Miriel — Sim, é o seu martelo. Sério, você está muito estranho hoje… pensa rápido!

De repente, Miriel desferiu um ataque extremamente rápido. Tetsu reagiu por instinto e defendeu com o martelo. Logo em seguida, seu olho esquerdo começou a arder. Chamas surgiram, mas não eram comuns — eram azuis. Ele se lembrou dos poderes de sua graça, apontou a mão esquerda para frente e disse:

Tetsu — Queime… Chamas Sagradas!

Uma poderosa rajada de fogo saiu de sua mão, atingindo Miriel e lançando-a para longe, destruindo parte da parede do arsenal. Ela se levantou, sorriu e falou:

Miriel — Agora sim você está normal. Vamos nessa…

Uma energia imensa começou a emanar de Miriel, mas antes que ela pudesse agir, uma voz ecoou:

Uriel — Cancelar.

Instantaneamente, o poder de Miriel foi anulado.

Uriel — Miriel, você é uma dos quatro arcanjos. Deveria ter um pouco mais de maturidade.

Miriel — Você não manda em mim, sabia?

Uriel — Eu sou o líder dos quatro arcanjos. O mais poderoso entre eles. E eu não mando em você?

Miriel — Não. Só a Leide manda.

Uriel — Pois bem. Foi ela quem me enviou. Mandou avisar que vocês devem ir logo para a missão.

Miriel — Está bem, nós já estávamos indo mesmo. Vamos, Tetsu.

Baleque e Zeal se juntaram aos dois. Enquanto se afastavam, Tetsu perguntou:

Tetsu — Para onde estamos indo?

Baleque — Ora, para onde mais? Vamos pular da cidade.

Tetsu — Como assim?

A cidade onde estavam era flutuante, muito acima das nuvens. Eles chegaram ao limite da cidade. Tetsu olhou para baixo e não conseguiu ver o chão, apenas um vasto mar de nuvens. Um frio percorreu seu estômago. Ele olhou para suas asas e pensou: “Como se usa isso? Elas vão funcionar?”

Quando viu todos pulando e começando a voar, fechou os olhos e se deixou levar. Seu corpo despencou rapidamente, passando por Miriel e pelos outros.

Miriel — Por que ele não está voando?

Tetsu abriu os olhos no meio da queda, viu a imensidão abaixo de si e começou a sorrir. Lembrou-se das vezes em que voou acima das nuvens, do treinamento, das batalhas em que sobrevoava seus inimigos. Então, instintivamente, abriu as asas e começou a voar, subindo rapidamente e assustando Miriel.

Miriel — Mas que… ele sempre faz essas coisas — risos — Tetsu, Baleque e Zeal, me acompanhem.

Eles voaram em alta velocidade até um local extremamente sombrio. Ao pousarem no chão, olharam à frente e viram um grupo de dez demônios.

Miriel — Vamos mandar essas bestas para o lugar de onde elas vieram.

Continua…

Olhos de fogoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora